A Amazônia pode parecer distante para quem vive nos grandes centros urbanos, mas ela afeta a vida de todos. Com papel fundamental na regulação do clima e na preservação da biodiversidade, a maior floresta tropical do mundo precisa ser protegida — e essa preservação não diz respeito apenas a biólogos e ambientalistas, mas à sociedade por completo. Por isso o Dia da Amazônia, celebrado neste 5 de setembro, é ocasião para refletir sobre a relação que estabelecemos com o meio ambiente e sobre a educação que estamos oferecendo às próximas gerações. As informações são de análise publicada pelo ((o))eco.
A maior parte da Amazônia está no Brasil, mas a floresta se estende por Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Peru e Suriname — território essencial para o equilíbrio ambiental do planeta, que abriga centenas de povos indígenas e comunidades tradicionais. Falar sobre a preservação da Amazônia com as crianças é prepará-las para compreender o mundo em que vivem: a infância é o período em que valores, comportamentos e visões de mundo começam a ser construídos, e ensinar uma criança a respeitar a natureza, evitar desperdícios e compreender a importância dos recursos naturais contribui para formar cidadãos mais responsáveis e conscientes de seu papel. A conscientização, porém, não deve se limitar à discussão sobre consumo: é preciso apresentar às crianças a riqueza da biodiversidade e a diversidade cultural da região — a floresta abriga milhares de espécies de animais e plantas e povos com conhecimentos ancestrais, e falar sobre ela é ensinar respeito às culturas e às pessoas que historicamente contribuem para a preservação. Há ainda outra razão: as crianças serão responsáveis pelas decisões que definirão o futuro do planeta — os adultos de amanhã ocuparão a política, a ciência, as empresas e as comunidades, e decidirão como os recursos serão utilizados e quais políticas ambientais serão priorizadas. Por isso, estimular desde cedo o pensamento crítico é tão importante quanto ensinar hábitos sustentáveis: quando ensinamos uma criança a olhar para a floresta amazônica, mostramos que suas escolhas, por menores que sejam, fazem parte de uma rede que conecta pessoas, culturas, animais, plantas, rios e territórios. A educação ambiental pode começar com atitudes simples dentro de casa e na escola, como a redução do desperdício de água e de alimentos.
Uma Amazônia em transição: o que a criança de 2026 vai herdar
O Dia da Amazônia — instituído em referência à criação da Província do Amazonas, em 5 de setembro de 1850 — chega em 2026 num momento singular: o desmatamento, que bateu recordes entre 2019 e 2022, caiu nos anos seguintes com a retomada da fiscalização, mas a floresta enfrentou as duas piores secas de sua história em 2023 e 2024, com rios Negro e Madeira em níveis mínimos, comunidades isoladas, peixes mortos e fumaça de incêndios cobrindo cidades do Norte ao Sudeste; a COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, colocou a floresta no centro da diplomacia climática e lançou o fundo de florestas tropicais, o TFFF, que o Reino Unido e outros países passaram a financiar; e o El Niño muito forte projetado para o fim de 2026 ameaça repetir a seca, com risco de a Amazônia se aproximar do "ponto de não retorno" — o limiar, estimado por cientistas entre 20% e 25% de área desmatada, a partir do qual a floresta deixa de sustentar o próprio regime de chuvas e degrada-se em savana. É essa Amazônia — protegida por lei, ameaçada pelo clima, disputada pelo agronegócio, pelo garimpo e pela conservação — que a criança de hoje vai gerir em 2050, e o argumento do ((o))eco é que a escola precisa apresentá-la não como cartão-postal distante, mas como sistema do qual dependem a chuva que irriga a soja do Centro-Oeste, o reservatório que abastece São Paulo e a temperatura do planeta. A educação ambiental é obrigatória por lei desde 1999 e está na Base Nacional Comum Curricular, mas é tratada como tema transversal, sem disciplina, material ou formação de professores suficientes — e é aí que a análise propõe começar em casa: água, comida, lixo.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o texto acerta ao ligar a floresta à torneira. "Criança de Araras não vê a Amazônia, mas bebe a água que a floresta faz chover no Sudeste e come a soja que os 'rios voadores' irrigam. Ensinar isso — que a chuva daqui nasce lá — é mais eficaz que qualquer cartaz de onça. O ((o))eco propõe começar pelo simples: não desperdiçar água, não jogar comida fora, entender de onde vem o que se consome. É educação ambiental de verdade, sem sermão. E o argumento final é o que importa: quem tem 8 anos hoje vai decidir, em 2050, se a Amazônia ainda existe como floresta. A escola que não ensina isso está formando gestor de savana. O portal registra o Dia da Amazônia com essa provocação — e lembra que Araras tem escola, mata ciliar e rio, e pode começar por eles", avalia.
Nove países, uma floresta
Cerca de 60% da Amazônia está no Brasil; Peru, Colômbia e Bolívia têm as maiores parcelas seguintes, e Venezuela, Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa completam o bioma; a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica reúne os oito países soberanos, e a gestão compartilhada — rios, fronteiras, garimpo, tráfico — é tema permanente da diplomacia regional.
Povos indígenas: os guardiões que a criança precisa conhecer
Mais de 180 povos vivem na Amazônia brasileira, com línguas, saberes sobre plantas e manejo que a ciência reconhece cada vez mais; terras indígenas demarcadas têm taxas de desmatamento muito menores que as áreas vizinhas — o dado que sustenta a proposta de ensinar respeito às culturas como parte da conservação.
Biodiversidade: o que se perde com cada hectare
A Amazônia abriga cerca de 10% das espécies conhecidas do planeta — 40 mil plantas, 2,5 mil peixes, 1,3 mil aves, centenas de mamíferos e milhões de insetos, muitos ainda não descritos; desmatar é perder espécies antes de conhecê-las, e é esse acervo que a escola pode apresentar como riqueza, não como abstração.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a educação ambiental brasileira precisa de menos data comemorativa e mais currículo. "Dia da Amazônia, Dia da Árvore, Dia do Meio Ambiente — a escola celebra e esquece. O ((o))eco pede outra coisa: pensamento crítico, hábito, relação. Isso exige professor formado, material, tempo — e a BNCC trata o tema como transversal, o que na prática significa de ninguém. Enquanto isso, a criança aprende sobre a Amazônia pelo noticiário de queimada e pela seca que fecha a escola em Manaus. O portal defende que educação ambiental seja disciplina, com nota, do fundamental ao médio — e que comece pelo rio da cidade, não pelo bioma distante. A Amazônia se ensina pelo Mogi-Guaçu", observa.
Regulação do clima: os rios voadores
A floresta bombeia bilhões de toneladas de vapor d'água por dia, que ventos levam ao Centro-Oeste, ao Sudeste e ao Sul — os "rios voadores" que respondem por parte da chuva sobre a agricultura e os reservatórios do país; desmatamento e seca reduzem o fluxo, e é essa conexão que torna a Amazônia questão de todos.
Em casa e na escola: por onde começar
Reduzir o desperdício de água e de alimentos, separar lixo, conhecer a origem do que se consome, plantar, visitar áreas verdes, ler sobre povos e animais da floresta — práticas simples que a análise propõe como base; a escola pode integrar o tema a ciências, geografia, história e português, sem depender de projeto especial.
As crianças como decisores de 2050
Os estudantes de hoje serão prefeitos, empresários, cientistas, agricultores e eleitores quando o clima do planeta estiver 1,5 °C ou 2 °C mais quente; a análise sustenta que as escolhas que farão dependem dos valores formados agora — e que a floresta em pé em 2050 é resultado da sala de aula de 2026.
2026: o ano em que a Amazônia volta ao risco
Com El Niño muito forte previsto, a região pode enfrentar a terceira seca severa em quatro anos, com incêndios, isolamento de comunidades e fumaça nas cidades; o Dia da Amazônia deste ano é, para cientistas, também um alerta — e um motivo para a escola tratar o tema como urgência, não como efeméride.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a análise tem um mérito raro: não culpa a criança. "Muita educação ambiental vira lista de proibições para o aluno — não desperdice, não jogue, não use —, como se a floresta fosse derrubada por criança de escola. O ((o))eco propõe outra coisa: mostrar a riqueza, os povos, a relação, e formar quem vai decidir. É formação de cidadão, não de culpado. O portal registra o Dia da Amazônia e sugere aos professores da região que peguem o texto, tirem a palavra 'Amazônia' e coloquem o nome do rio mais próximo — o método serve para qualquer floresta, inclusive a que sobrou entre a cana de Araras", analisa.
A análise sobre a importância de conscientizar as crianças a respeito da preservação da Amazônia foi publicada pelo ((o))eco em 4 de setembro de 2026, véspera do Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro; a floresta se estende por nove países e abriga centenas de povos indígenas e comunidades tradicionais.
Foto: Santiago Puig Vilado… (CC BY-SA 3.0) via Wikimedia Commons.