O gin nacional deixou de ser curiosidade de bar descolado e virou categoria própria nas prateleiras. Adriano Jose Reis Martins traça o que mudou na produção brasileira de gin na última década.
De importado caro a produção local de qualidade
Há dez anos, gin de qualidade no Brasil era quase sempre importado, com preço alto e disponibilidade limitada a algumas capitais. O crescimento de destilarias artesanais nacionais mudou esse cenário — hoje existem dezenas de rótulos brasileiros, com qualidade que compete de igual pra igual com marcas internacionais consolidadas.
Botânicos brasileiros entram no jogo
Uma das mudanças mais interessantes é o uso de botânicos nativos ou regionais — capim-limão, cumaru, priprioca, castanha, frutas do cerrado — que dão identidade própria ao gin brasileiro, diferenciando-o do padrão europeu clássico baseado só em botânicos tradicionais.
O gin nacional parou de tentar copiar o estilo europeu e começou a usar o que a gente tem de melhor aqui — botânico brasileiro, clima favorável pra produção o ano inteiro, e uma cena de coquetelaria que cresceu junto. — Adriano Jose Reis Martins, especialista em destilados
Preço: a distância encurtou
Gins nacionais de qualidade costumam custar uma fração do preço de rótulos importados equivalentes, sem taxa de importação nem frete internacional pesando no preço final. Isso ampliou bastante o acesso — gin deixou de ser bebida só de ocasião especial pra virar opção de consumo mais frequente.
O que ainda falta evoluir
Distribuição fora dos grandes centros ainda é um desafio — muitos rótulos artesanais vendem majoritariamente online ou em poucas capitais. Padronização de qualidade entre lotes também é ponto de atenção em destilarias menores, ainda sem a escala de produção das marcas maiores.
Experimente pelo menos três gins nacionais de destilarias diferentes antes de decidir se "gosta ou não de gin brasileiro" — a variedade de perfil entre eles é grande, muito mais que entre marcas europeias tradicionais.
Panorama assinado por Adriano Jose Reis Martins, que acompanha a evolução do mercado de destilados no Brasil.