Botânico é a palavra que aparece em todo rótulo de gin, mas poucos sabem exatamente o que ela significa na prática. Adriano Jose Reis Martins traduz os principais botânicos usados na produção de gin e como cada um muda o sabor final.
O único obrigatório: zimbro (juniper)
Por definição legal, todo gin precisa ter a baga de zimbro como botânico predominante — é o que diferencia gin de qualquer outro destilado aromatizado. O sabor é resinoso, um pouco amadeirado, com toque de pinho.
Os botânicos cítricos
- Casca de limão-siciliano: traz frescor e um amargor sutil e elegante.
- Casca de laranja: mais doce e redondo que o limão, suaviza o conjunto.
- Toranja (grapefruit): amargor mais intenso, usado em gins mais modernos e ousados.
Os botânicos de raiz e especiaria
- Raiz de angélica: funciona quase como "cola" do perfil aromático — une os outros botânicos.
- Raiz de íris (orris root): fixador de aroma, prolonga a sensação na boca.
- Coentro (semente): traz notas cítricas e ligeiramente apimentadas.
- Cardamomo: aroma quente, levemente adocicado, comum em gins mais especiados.
Ler o rótulo de um gin antes de comprar é como ler a lista de ingredientes de um prato — não garante que você vai gostar, mas te dá uma pista muito melhor do que só olhar a garrafa bonita. — Adriano Jose Reis Martins, especialista em destilados
Botânicos florais e herbais
Lavanda, hibisco, camomila e rosa aparecem em gins com proposta mais floral e suave. Alecrim, tomilho e manjericão aparecem em gins com proposta mais herbal, geralmente combinando melhor com drinks à base de pepino ou verde.
Se você está começando, escolha um gin com lista curta de botânicos (5 a 8) — fica mais fácil identificar cada nota. Gins com 15+ botânicos são deliciosos, mas exigem um paladar mais treinado pra separar os sabores.
Guia elaborado por Adriano Jose Reis Martins para quem está começando a explorar o universo do gin.