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Royal Enfield ressuscita a Himalayan original como Himalayan

Trail de 2019 conquistou "legião de apaixonados por sua simplicidade e o inconfundível ronco compassado"; tanque de 15 litros foi preservado.

Royal Enfield ressuscita a Himalayan original como Himalayan

A Royal Enfield Himalayan original — com motor de 411 cm³ e arrefecimento a ar auxiliado por radiador de óleo — chegou ao Brasil em 2019 e saiu de linha no início de 2024, quando parecia que o nome sobreviveria apenas na Himalayan 450, mais moderna e refrigerada a líquido. Os fãs da marca tinham outros planos: a trail que teve percalços no mercado brasileiro angariou uma legião de apaixonados por sua simplicidade e pelo inconfundível ronco compassado, e agora está de volta, rebatizada Himalayan 440 — nome que denuncia a maior alteração numa moto que, no restante, está praticamente inalterada. As informações são do Motor1 Brasil.

A novidade é a evolução do clássico monocilíndrico SOHC de quatro tempos com arrefecimento a ar e injeção eletrônica: a cilindrada subiu de 411 para 443 cm³, com pistão de 81 mm de diâmetro e curso longo de 86 mm, mantendo a taxa de compressão em 9,5:1. Com a nova calibração, o motor entrega 25,4 cv a 6.250 rpm e torque de 3,47 kgfm — 34 Nm — disponível já a 4.000 rpm; a resposta em baixas rotações continua sendo a prioridade, para vencer trechos acidentados e subidas íngremes em marcha lenta. Outra demanda histórica atendida foi a transmissão de seis marchas, substituindo a antiga de cinco: a sexta atua como overdrive para reduzir as rotações em velocidade de cruzeiro e ampliar o conforto em viagens longas. Os freios foram renovados com componentes ByBre, subsidiária da Brembo — disco de 300 mm com pinça flutuante de dois pistões na dianteira e disco de 240 mm com pinça de pistão simples na traseira —, e o ABS de duplo canal permite desligamento na roda traseira para pilotagem fora de estrada. A silhueta inconfundível foi preservada, com o tanque de 15 litros e os protetores laterais metálicos integrados ao suporte do farol; a dianteira ganhou farol redondo totalmente em LED com assinatura luminosa, no lugar da halógena, e o modelo traz emblema comemorativo de 10 anos da família Himalayan nas laterais. No mercado de origem, o preço equivale a cerca de R$ 12 mil.

Por que a Himalayan original virou objeto de culto

Lançada na Índia em 2016 como a primeira trail da Royal Enfield — marca centenária de origem inglesa, hoje do grupo indiano Eicher —, a Himalayan foi concebida para as estradas de montanha do norte do país: motor de baixa rotação, suspensão de longo curso, banco baixo, peso contido e mecânica simples de consertar em qualquer oficina; chegou ao Brasil em 2019, importada, com preço competitivo frente a BMW G 310 GS e Honda CB 500X, e vendeu para um público que queria viajar devagar e longe. Os problemas de acabamento e de assistência técnica, somados à concorrência e à chegada da 450 — mais potente, com refrigeração líquida, painel digital e preço maior —, tiraram-na de linha em 2024, mas a comunidade de donos manteve a moto viva em fóruns, grupos e viagens; o relançamento como 440 é resposta direta a esse público, com as três queixas históricas — freio, sexta marcha e farol — resolvidas e o caráter preservado.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a Himalayan 440 é o raro caso de fabricante que ouve. "A 450 é moto melhor em tudo que se mede — potência, refrigeração, painel — e os donos da antiga continuaram preferindo a antiga: a ar, simples, com ronco de monocilíndrico de curso longo. A Royal Enfield entendeu e devolveu a moto com o que faltava: sexta marcha para a estrada, freio Brembo, LED, ABS que desliga atrás. Doze mil reais na Índia vira 25, 28 mil aqui, com imposto e frete; ainda assim, é a trail de aventura mais barata com essa capacidade. Se vier ao Brasil — e o histórico da marca diz que vem —, vai vender para quem quer subir a Serra do Rio do Rastro ou ir a Ushuaia sem depender de scanner", avalia.

443 cm³: o que muda no motor

Ampliar o diâmetro para 81 mm e manter o curso longo de 86 mm mantém o caráter "torcudo" em baixa rotação — o torque máximo chega a 4.000 rpm — e adiciona cerca de 1 cv e 0,2 kgfm em relação à 411; a taxa de compressão de 9,5:1 permite gasolina comum, e o arrefecimento a ar com radiador de óleo dispensa bomba d'água e radiador líquido, componentes que quebram e custam em viagens remotas.

Seis marchas: a queixa mais antiga

Com cinco marchas, a Himalayan original girava alto na estrada e vibrava acima de 100 km/h; a sexta, como overdrive, reduz rotação e consumo em cruzeiro e é a mudança mais pedida pelos donos desde 2016. A relação das cinco primeiras foi mantida para preservar a tração em trilha.

ByBre e ABS desligável: a segurança que faltava

A subsidiária indiana da Brembo fornece freios para a maioria das motos de média cilindrada produzidas na Índia; o disco de 300 mm na frente e o ABS de dois canais com desligamento traseiro — para permitir travar a roda de trás na terra — são padrão na 450 e agora chegam à 440. A frenagem era o ponto mais criticado da original.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a Royal Enfield está executando uma estratégia que outras marcas abandonaram. "Enquanto a indústria empurra o consumidor para motos mais caras, com eletrônica e refrigeração líquida, a Royal Enfield mantém uma linha 'a ar' — Classic, Bullet, Hunter, agora a Himalayan 440 — para quem quer mecânica simples e preço baixo. É a mesma lógica que fez a Índia a maior produtora de motos do mundo. No Brasil, onde a moto é ferramenta de trabalho e a oficina de bairro é a assistência técnica, o produto faz sentido: menos coisas para quebrar e mais gente que sabe consertar. A 450 é para quem quer o melhor; a 440 é para quem quer o suficiente", observa.

Royal Enfield: a marca mais antiga em produção contínua

Fundada em 1901 em Redditch, na Inglaterra, a Royal Enfield é a marca de motocicletas mais antiga ainda em produção; a Bullet, lançada em 1932, é o modelo mais longevo da história, e a produção indiana começou em Chennai, em 1955, para abastecer o Exército da Índia — quando a fábrica inglesa fechou, em 1971, a indiana seguiu. Controlada pelo grupo Eicher Motors desde os anos 1990, a marca cresceu com a Classic 350 e chegou a cerca de um milhão de motos por ano, exportando para mais de 60 países e disputando o segmento de média cilindrada com estética clássica e preço baixo. A Himalayan, de 2016, foi seu primeiro projeto de aventura — e a 440 é a prova de que a marca prefere evoluir clássicos a aposentá-los.

Himalayan 450: a irmã moderna

Lançada em 2023, a 450 tem motor Sherpa de 452 cm³ refrigerado a líquido, 40 cv, painel TFT com navegação, suspensão invertida e preço maior; é a Himalayan de quem prioriza desempenho, e continuará em linha — a 440 ocupa a faixa abaixo, como opção de entrada e de nostalgia.

Royal Enfield no Brasil: a presença

A marca chegou ao país em 2017 com importação e montagem em Manaus a partir de 2019, e vende Classic 350, Meteor, Hunter, Himalayan 450, Interceptor e Continental GT em rede de concessionárias em expansão; é uma das marcas de média cilindrada que mais cresceu no país, disputando com Honda, Yamaha e BMW. A chegada da 440 não tem data, mas o Motor1 registra que "os fãs tinham outros planos".

Preço: da Índia ao Brasil

Os R$ 12 mil equivalentes ao preço indiano não se transferem diretamente: imposto de importação, IPI, ICMS, frete e margem elevam motos importadas ao dobro ou mais; a montagem em Manaus, se adotada, reduziria o valor. A 450 custa no Brasil em torno de R$ 35 mil, o que sugere faixa abaixo de R$ 30 mil para a 440.

Trail de entrada: o segmento no Brasil

Honda CB 300F e Sahara 300, Yamaha Ténéré 250 e Lander, BMW G 310 GS e KTM 390 Adventure disputam quem quer sair do asfalto sem gastar com uma bigtrail; a Himalayan 440, com 443 cm³ a ar, ficaria entre a Sahara e a G 310 GS em preço e acima delas em torque de baixa. É o segmento que mais cresce no interior do país.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a 440 é moto para o Brasil profundo. "Estrada de terra, ladeira de serra, posto sem gasolina aditivada, oficina de vila — a Himalayan a ar foi feita para o Himalaia e serve para o Brasil rural. A 440 corrige o que os donos reclamaram e mantém o que eles amaram. Se a Royal Enfield trouxer e montar em Manaus, tem uma trail de menos de 30 mil que aguenta o Jalapão. O portal torce para que venha — e para que a marca resolva, desta vez, a assistência técnica que derrubou a original", analisa.

O relançamento da Royal Enfield Himalayan como Himalayan 440, com motor de 443 cm³, câmbio de seis marchas e freios ByBre, foi noticiado pelo Motor1 Brasil em 4 de setembro de 2026. O modelo original chegou ao Brasil em 2019 e saiu de linha no início de 2024.

Foto: Phil Parker from Leamington Spa, UK (CC BY 2.0) via Wikimedia Commons.

JM
Escrito por

Jaime Fernando Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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