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Por onde andam os xodós da Copa de 2026: Vozinha

Goleiro do Paraguai que eliminou a Alemanha atraiu clubes europeus, mexicano Quiñones ficou na Arábia após artilharia, e Sidny Cabral, autor do gol mais bonito do Mundial, já está no Trabzonspor.

Por onde andam os xodós da Copa de 2026: Vozinha

A Copa do Mundo de 2026 terminou em julho, mas alguns dos personagens que mais chamaram atenção continuam rendendo histórias. Nomes desconhecidos do grande público antes do Mundial ganharam milhões de seguidores, encantaram torcedores pelo mundo e transformaram a exposição em oportunidades — ou não. O ge relembrou os "xodós" do torneio e mostrou onde estão agora: quem mudou de clube, quem virou fenômeno digital e quem voltou à rotina de antes. As informações são do ge.

A lista mistura goleiros que viraram heróis nacionais, um lateral que ficou famoso por não ter seguidores, um artilheiro que saiu da seca na estreia e um volante que roubou o relógio do árbitro. É o retrato de uma Copa ampliada para 48 seleções, em que Cabo Verde, Curaçao e Nova Zelândia produziram histórias que as potências não produziram.

Vozinha: 40 anos, sete defesas e o Chile

Aos 40 anos, Vozinha foi o principal nome da campanha de Cabo Verde. O goleiro fez sete defesas contra a Espanha na estreia e ajudou a seleção africana a avançar pela primeira vez ao mata-mata de uma Copa. A segurança ao longo do torneio o transformou em um dos jogadores mais queridos da competição. O prêmio veio em agosto: deixou o Chaves, de Portugal, e assinou com o Colo-Colo, do Chile, onde foi ovacionado pela torcida. O contrato é de seis meses, com opção de mais uma temporada; estreou na vitória sobre o Unión Española, pela Copa Chile, sem sofrer gols.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, Vozinha é a história que a Copa de 48 existe para contar. "Um goleiro de 40 anos, de Cabo Verde, jogando na segunda divisão portuguesa, faz sete defesas contra a Espanha e leva um país de 500 mil habitantes ao mata-mata. Depois assina com o Colo-Colo — clube gigante — e é ovacionado em Santiago. Quem criticou a Copa ampliada por 'diluir o nível' deveria assistir de novo à estreia de Cabo Verde. O futebol vive de improváveis, e a Copa de 2026 produziu mais improváveis do que qualquer outra", avalia.

Payne: de 4.715 a 5,3 milhões de seguidores

O lateral da Nova Zelândia chegou ao Mundial com apenas 4.715 seguidores no Instagram e virou fenômeno por obra do influenciador argentino Valen Scarsini, o El Scarso, que o descobriu numa busca pelo jogador menos seguido da competição e incentivou os fãs a segui-lo. A brincadeira explodiu: Payne chegou a cerca de 5,3 milhões de seguidores. A mudança não ficou nas redes — deixou o Wellington Phoenix, onde jogava havia sete anos, e foi para o Olimpia, do Paraguai. A transferência foi acertada durante a Copa, e o lateral começou marcando um golaço na estreia, na goleada por 5 a 0 sobre o Rubio Ñu.

Eloy Room: 15 defesas e a segunda divisão

Eloy Room, de Curaçao, fez a atuação de goleiro mais impressionante da Copa: 15 defesas contra o Equador — recorde de defesas em um jogo com tempo regulamentar na história do Mundial —, garantindo o empate por 0 a 0 que rendeu ao país seu primeiro ponto em Copas. A fama, porém, não mudou o clube: depois da eliminação de Curaçao na fase de grupos, Room, de 37 anos, voltou ao Miami FC, da USL Championship, a segunda divisão profissional dos Estados Unidos. É o contraponto a Vozinha — o herói que voltou para casa.

Orlando Gill: o algoz da Alemanha

O goleiro paraguaio Orlando Gill saiu da Copa valorizado. Teve papel decisivo na eliminação da Alemanha nas oitavas de final, com defesas importantes no tempo regulamentar e duas cobranças defendidas na disputa de pênaltis — feito que chamou a atenção de clubes europeus. Junto com Lionel Mpasi, da República Democrática do Congo, que segurou Harry Kane, Jude Bellingham e companhia por boa parte do jogo contra a Inglaterra e permanece no Le Havre, da França, com contrato até junho de 2027, Gill compõe a geração de goleiros de seleções médias que fizeram da Copa de 2026 o Mundial das grandes defesas.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, os goleiros foram o fenômeno da Copa. "Vozinha, Room, Gill, Mpasi: quatro goleiros de seleções que ninguém apostava, fazendo 7, 15, defesas de pênalti, segurando Espanha, Equador, Alemanha, Inglaterra. Não é coincidência — é o formato. Com 48 seleções, a diferença técnica é grande, e o time menor joga para o goleiro. Quando o goleiro tem a noite da vida, a zebra acontece. A Copa de 2026 foi decidida tanto nas defesas quanto nos gols, e é por isso que os xodós são quase todos de luva", observa.

Haissem Hassan e Julián Quiñones: os atacantes

O ponta egípcio Haissem Hassan chamou atenção pela velocidade e pelos dribles — contra a Argentina, nas oitavas, protagonizou jogadas bonitas, incluindo um drible em Nicolás Tagliafico e a jogada do segundo gol do Egito. Julián Quiñones, do México, chegou ao Mundial com dois anos sem marcar pela seleção e fez o primeiro gol da Copa, na estreia contra a África do Sul; terminou com quatro, igualando Luis Hernández e Chicharito como mexicanos com mais gols numa edição. Houve rumores de interesse do Chelsea, mas o Al-Qadsiah não negociou seu principal goleador — Quiñones foi artilheiro do Campeonato Saudita de 2025/26, com 33 gols.

Galarza: o relógio do árbitro e a dispensa

Matías Galarza, do Paraguai, entrou para a lista pelo comportamento provocador. Numa confusão no jogo contra a Turquia, o relógio do árbitro caiu no gramado; Galarza pegou, colocou no próprio pulso e depois devolveu — a cena viralizou. O pós-Copa não foi bom: o empréstimo ao Atlanta United terminou, o River Plate o dispensou, e o volante de 24 anos está perto de acertar com o Inter Miami, de Lionel Messi, por empréstimo, segundo o canal argentino TyC Sports.

Sidny Cabral: o gol mais bonito da Copa

O lateral cabo-verdiano Sidny Cabral, de 23 anos, deixou a Copa com um dos momentos mais marcantes: na derrota por 3 a 2 para a Argentina, na segunda fase, acertou um chute no ângulo de Emiliano Martínez para empatar na prorrogação. O golaço foi eleito pela Fifa o mais bonito do Mundial, em votação que teve Messi, Mbappé e Haaland entre os concorrentes. Cabral já havia mudado de clube antes da Copa — deixou o Benfica e assinou com o Trabzonspor, da Turquia, atual time de Mohamed Salah.

Cabo Verde: a seleção da Copa

Dois dos xodós — Vozinha e Sidny Cabral — são de Cabo Verde, o arquipélago de meio milhão de habitantes que disputou sua primeira Copa e chegou ao mata-mata, com vitória sobre a Espanha na estreia e derrota por 3 a 2 para a Argentina na prorrogação. É a campanha mais surpreendente do torneio e a que melhor justifica a ampliação para 48 seleções: um país que nunca teria se classificado no formato antigo produziu o goleiro mais querido e o gol mais bonito do Mundial.

A Copa de 48: o formato que criou os xodós

A edição de 2026, nos Estados Unidos, no Canadá e no México, foi a primeira com 48 seleções — 16 a mais que o formato anterior — e com uma fase de 32 antes das oitavas, o que ampliou as chances de seleções pequenas passarem da fase de grupos e criou jogos como Cabo Verde x Argentina e Curaçao x Equador. Críticos previam goleadas e jogos sem interesse; o que se viu foram partidas equilibradas decididas por goleiros inspirados e estreias históricas. É o formato que permitiu a Vozinha, Room, Gill e Payne existirem como personagens — no modelo de 32, nenhum deles teria disputado o Mundial.

O que a fama rende

O balanço é desigual. Vozinha, Payne e Sidny Cabral converteram a exposição em contratos — Chile, Paraguai, Turquia. Gill atraiu interesse europeu. Room, Mpasi e Quiñones voltaram aos clubes de antes. Galarza foi dispensado. A Copa dá visibilidade, mas o mercado decide pelo conjunto: idade, posição, salário, clube de origem. Um goleiro de 37 anos com uma noite histórica não vira contrato europeu; um lateral de 23 com o gol mais bonito do torneio, sim.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o fenômeno Payne é o mais revelador. "Um lateral neozelandês que ninguém seguia vira celebridade porque um influenciador argentino resolveu brincar — e a brincadeira rendeu contrato no Olimpia. É a Copa de 2026 em uma frase: o futebol e as redes sociais viraram a mesma coisa. Cinco milhões de seguidores valem mais que uma temporada boa na Nova Zelândia. Não é bonito nem feio; é o mercado de 2026. E o Payne, pelo menos, fez um golaço na estreia — o que prova que, às vezes, o algoritmo acerta", analisa.

A lista completa dos personagens da Copa do Mundo de 2026 e seus destinos após o torneio está no ge. A janela de transferências europeia do meio de ano encerrou-se em 1º de setembro.

Foto: Geoff Charles (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.

JM
Escrito por

Jaime Fernando Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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