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Agosto é o terceiro melhor da história com 263.054 emplacamentos; Fiat lidera pelo 68º mês seguido

Acumulado de 2026 chega a 1,89 milhão de veículos, alta de 19,78%; Strada é líder há 12 meses, GWM cresce 150% e GAC avança 240% com o Aion UT.

Agosto é o terceiro melhor da história com 263.054 emplacamentos; Fiat lidera pelo 68º mês seguido

O mercado brasileiro de veículos novos fechou agosto com 263.054 emplacamentos de automóveis e comerciais leves — 212.876 automóveis e 50.178 comerciais —, alta de quase 23% sobre agosto de 2025 e o terceiro melhor agosto da história, segundo relatório da Fenabrave, a federação dos concessionários, divulgado em 2 de setembro. Em relação a julho (265.679), houve recuo de cerca de 1%. O acumulado de 2026 chegou a 1.887.750 unidades, 19,78% acima dos oito primeiros meses do ano passado. As informações são do Motor1.

"Os automóveis e comerciais leves também tiveram os emplacamentos impulsionados pela alta concorrência entre marcas, que vêm realizando promoções interessantes ao consumidor", afirmou o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior. A entidade destacou ainda que os modelos incluídos no Programa Carro Sustentável — que reduz o IPI de veículos mais eficientes e com maior conteúdo nacional — cresceram 26,9% nas últimas semanas.

Fiat: 68 meses no topo

A Fiat emplacou 48.465 veículos e chegou ao 68º mês consecutivo na liderança entre as marcas — uma sequência que começou no início de 2021 e atravessou pandemia, crise de semicondutores, juros altos e a chegada das chinesas. A vantagem sobre a Volkswagen, segunda colocada com 41.404, ficou em pouco mais de sete mil unidades. Entre os modelos, a Strada (13.798) completou doze meses seguidos como o veículo mais vendido do país, à frente de dois Volkswagen: Polo (10.472) e Tera (10.338), o SUV compacto que a marca alemã lançou para disputar o segmento mais quente do mercado.

A liderança da Strada — uma picape compacta — como carro mais vendido do Brasil é uma peculiaridade nacional que já dura anos: o veículo serve ao pequeno produtor rural, ao comerciante urbano e ao consumidor que quer um "carro de trabalho" com cabine dupla, e não tem concorrente direto na mesma faixa de preço. A Chevrolet Montana e a Volkswagen Saveiro disputam o segmento, mas nunca ameaçaram o posto.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a sequência da Fiat é o dado estável num mercado em convulsão. "Sessenta e oito meses é quase seis anos. Nesse período, a Toyota subiu e caiu, a Chevrolet perdeu o segundo lugar, a BYD saiu do zero para o quarto, e a Fiat continuou lá — com Strada, Argo, Mobi, Pulse, Fastback e agora o Titano. A receita é portfólio nacional, preço de entrada e fábrica em Betim rodando a plena capacidade. Enquanto as chinesas brigam pelo pódio, a Fiat briga por não perder a fábrica de vista", avalia.

BYD na cola da Chevrolet

O pódio das marcas teve Chevrolet em terceiro, com 27.500 unidades — e a BYD logo atrás, com 24.467, novo recorde mensal da fabricante chinesa. A distância de três mil veículos é a menor da história entre as duas, e a tendência é de aproximação: a BYD cresce a cada mês, puxada por Dolphin Mini, Song Pro, King e pela fábrica de Camaçari, na Bahia, que começou a montar veículos localmente e reduz a dependência de importação e de tarifa. Se o ritmo se mantiver, a chinesa pode alcançar o terceiro lugar antes do fim de 2026 — o que seria a primeira vez que uma marca sem tradição no país entra no pódio mensal.

O Motor1 aponta também que o BYD King superou o Toyota Corolla em agosto — fato que gerou troca de provocações públicas entre as duas marcas —, e que o Dolphin Mini bateu mais um recorde. No varejo, metade do top 10 de modelos já é de marcas chinesas.

Toyota: o destaque negativo

Entre as líderes, a Toyota (13.559) perdeu mais de 13% dos compradores em relação a agosto de 2025, e o Corolla ficou fora da lista dos modelos preferidos. A marca japonesa, que dominou por anos o segmento de sedãs médios e o de híbridos, enfrenta a concorrência direta dos híbridos plug-in chineses — o King, no caso do Corolla; o Song Pro e o Haval H6, no caso do Corolla Cross — que oferecem mais equipamento e eletrificação mais profunda por preço semelhante. A resposta da Toyota, com o Yaris Cross produzido em Sorocaba, ainda não compensa a perda nos segmentos superiores.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a queda da Toyota é o sinal mais importante do relatório. "A Toyota não perde 13% por acaso. Ela perde porque o comprador de Corolla — o mais fiel do mercado brasileiro — está comparando com o King e trocando. É a primeira vez que uma chinesa morde o cliente premium-médio, não só o de entrada. Se a Toyota não reagir com híbrido plug-in nacional até 2027, o Corolla vira nicho. E o que vale para a Toyota vale para Honda e para os alemães", observa.

GWM e GAC: as outras chinesas

A GWM emplacou 9.825 unidades, crescimento de mais de 150% sobre 2025, e garantiu a segunda presença consecutiva no top 10 de marcas, com o Haval H6 entre os dez modelos mais vendidos. A fábrica de Iracemápolis, no interior paulista, que produz o H9 e o H6, sustenta o avanço. Já a GAC, reforçada pela chegada do elétrico Aion UT, cresceu mais de 240%, para 1.851 unidades — base pequena, mas ritmo que indica uma quarta marca chinesa em ascensão, ao lado de BYD, GWM e das que a Stellantis traz via Leapmotor.

Eletrificados: 24% do mercado

O relatório da Fenabrave se soma ao dado divulgado dias antes de que veículos eletrificados — híbridos, híbridos plug-in e elétricos — responderam por 24% das vendas de agosto, com os elétricos puros sendo maioria entre eles. É um patamar que o Brasil não alcançava e que se explica pela combinação de oferta chinesa, queda de preço dos elétricos compactos e incentivos como a isenção de IPVA em vários estados. O carro a combustão ainda é três quartos do mercado, mas a fatia encolhe a cada mês.

Carro Sustentável e o efeito do IPI

O Programa Carro Sustentável, criado pelo governo federal em 2025, zera ou reduz o IPI de veículos que atendam critérios de eficiência energética, emissões, reciclabilidade e conteúdo nacional — na prática, beneficiando compactos produzidos no país. A Fenabrave atribui a ele o crescimento de 26,9% dos modelos elegíveis nas últimas semanas, o que reforça o segmento de entrada — Mobi, Argo, Polo, Onix, Kwid — justamente onde as chinesas ainda não competem com produção local.

Volkswagen: Polo e Tera sustentam o segundo lugar

A Volkswagen, com 41.404 emplacamentos, mantém o segundo posto com uma dupla produzida em São Bernardo do Campo e Taubaté: o Polo, hatch compacto que lidera seu segmento há anos, e o Tera, SUV de entrada lançado para ocupar a faixa abaixo do T-Cross e que em poucos meses se tornou o terceiro modelo mais vendido do país. A marca alemã foi a que melhor respondeu à ofensiva chinesa no segmento de entrada — com preço, financiamento e produção local — e prepara para 2027 híbridos nacionais derivados do Golf e do T-Roc, anunciados na Europa, para enfrentar BYD e GWM nos SUVs médios.

Comerciais leves: 50 mil por mês

Os 50.178 comerciais leves emplacados em agosto — picapes, furgões e utilitários — mostram um segmento que cresce com a economia real: entregas urbanas, pequenos negócios, agronegócio e serviços. Strada, Toro, Montana, Saveiro e as médias Hilux, Ranger e S10 compõem o grosso do volume, e é nele que as chinesas ainda não entraram com força — a BYD Shark e as picapes anunciadas por GWM e Leapmotor são o próximo capítulo. Para as marcas tradicionais, o comercial leve é o último território sem concorrência asiática direta; para as chinesas, é o próximo alvo.

O terceiro melhor agosto

O recorde absoluto de agosto pertence a anos anteriores a 2013, quando o mercado brasileiro ultrapassava 300 mil unidades mensais com regularidade, impulsionado por IPI reduzido e crédito farto. O agosto de 2026, com 263 mil, é o melhor desde então e confirma a recuperação que começou em 2024: o acumulado de 1,89 milhão em oito meses aponta para um ano acima de 2,8 milhões de automóveis e comerciais leves — patamar que o país não vê desde 2014.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o mercado voltou, mas com outra cara. "Em 2013, o Brasil vendia 3,5 milhões de carros por ano, e 90% eram de sete marcas. Em 2026, vai vender 2,8 milhões, e o top 10 tem três chinesas. O volume voltou a crescer, mas o bolo está sendo dividido com gente nova. Para o consumidor, é o melhor dos mundos: promoção, tecnologia e preço em queda pela primeira vez em seis anos. Para as marcas tradicionais, é a hora de decidir se produzem híbrido no Brasil ou se assistem", analisa.

O relatório completo de emplacamentos de agosto, com o ranking de marcas e modelos, está disponível no site da Fenabrave. O próximo balanço, referente a setembro, será divulgado no início de outubro.

Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil (CC BY 2.0) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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