A Copa do Mundo de 2026 não foi a última dança de Luka Modric pela seleção croata, como muitos acreditavam. A Federação Croata de Futebol comunicou que o meia se colocou à disposição para continuar defendendo o país e estará na próxima convocação, para a Data Fifa do fim de setembro: aos 40 anos, Modric será chamado para enfrentar República Tcheca, Espanha e Inglaterra pela Liga das Nações. As informações são do ge.
"O capitão da Croácia, Luka Modric, será convocado para os próximos jogos da Liga das Nações contra a República Tcheca, Espanha e Inglaterra! Modric confirmou ao técnico Slaven Bilic e ao presidente da Federação Croata de Futebol, Marijan Kustic, sua disponibilidade para a Liga das Nações e está pronto para dar continuidade à sua fascinante carreira internacional, que inclui 202 jogos e conquistas históricas", diz o comunicado. "É claro que a decisão de Luka me deixa extremamente feliz. Todos sabemos o que ele traz para a Croácia, dentro e fora de campo. Estou ansioso para trabalhar com ele novamente, depois de 14 anos, e ambos compartilhamos a forte ambição de manter a Croácia como uma equipe de ponta, vitoriosa, lado a lado com as melhores do mundo", disse Bilic. Modric é ídolo do Real Madrid, clube que defendeu de 2012 a 2025, quando se transferiu para o Milan; defende a seleção desde 2006, foi vice-campeão mundial em 2018 e soma 186 jogos e 27 gols pela Croácia, segundo o ge.
Quarenta anos e uma carreira que não obedece ao calendário
Nascido em Zadar em setembro de 1985, refugiado de guerra na infância, Modric estreou pela Croácia em 2006, chegou ao Tottenham em 2008 e ao Real Madrid em 2012, onde venceu seis Ligas dos Campeões, quatro Ligas Espanholas e a Bola de Ouro de 2018 — o único jogador a quebrar, naquele ano, a sequência de Messi e Cristiano Ronaldo. Pela seleção, levou a Croácia à final da Copa de 2018, na Rússia, ao terceiro lugar em 2022, no Catar, e à Copa de 2026, na América do Norte, aos 40 anos — um dos jogadores de linha mais velhos a disputar um Mundial. A saída do Real Madrid em 2025, após o Mundial de Clubes, e a ida ao Milan pareciam o prelúdio da aposentadoria internacional; a decisão de seguir na Liga das Nações, sob Bilic — que o dirigiu na seleção entre 2006 e 2012 e voltou ao cargo após a Copa —, mostra que o meia ainda se sente titular e que a federação não encontrou substituto para o capitão. Aos 41, em 2027, ele ainda poderá disputar as eliminatórias da Eurocopa de 2028.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, Modric é o caso mais extremo de longevidade útil no futebol moderno. "Não é um veterano que a seleção convoca por homenagem — é o capitão que joga 90 minutos no Milan e organiza o meio-campo da Croácia contra Espanha e Inglaterra. Aos 40. A federação diz 202 jogos; o ge conta 186 — de qualquer forma, é o recorde absoluto de um país que se tornou potência com ele. Bilic o dirigiu com 21 anos e vai dirigi-lo com 40: são 14 anos entre as duas passagens, e o jogador é o mesmo. O Brasil tem 30 anos de discussão sobre 'renovação'; a Croácia tem Modric. Enquanto ele quiser, a resposta certa é convocar", avalia.
Liga das Nações: os adversários
Na Liga A, a Croácia enfrenta a República Tcheca, a Espanha — campeã europeia de 2024 — e a Inglaterra; os jogos de setembro e outubro definem a classificação para as quartas de final de 2027. Modric é titular no meio-campo croata ao lado de Kovacic e Brozovic.
Zadar, a guerra e a infância
Modric nasceu em setembro de 1985 em Zadar, na costa dálmata, e tinha seis anos quando a guerra de independência da Croácia chegou à sua aldeia: o avô, que lhe deu o nome, foi morto por milícias em 1991, e a família fugiu para um hotel de refugiados na cidade, onde o menino aprendeu a jogar no estacionamento sob bombardeios. Magro e considerado frágil pelos olheiros, foi rejeitado pelo Hajduk Split antes de ser formado pelo Dinamo Zagreb, que o emprestou a clubes da Bósnia e do interior croata para "endurecê-lo" — origem da resistência que, aos 40, ainda o mantém em campo.
Tottenham e Real Madrid: a carreira nos clubes
Do Dinamo Zagreb, onde foi campeão nacional três vezes, Modric foi ao Tottenham em 2008 e, em 2012, ao Real Madrid, por cerca de € 35 milhões — contratação que a torcida espanhola inicialmente elegeu como a pior da temporada; treze anos depois, deixou o clube como o jogador com mais títulos de sua história, 28, entre eles seis Ligas dos Campeões, quatro campeonatos espanhóis e cinco Mundiais de Clubes, além de ter sido capitão na última temporada. Em 2025, aos 39, assinou com o Milan, onde segue titular.
Slaven Bilic: o retorno do técnico
Zagueiro da geração de 1998, que levou a Croácia ao terceiro lugar na Copa da França, Bilic comandou a seleção entre 2006 e 2012, lançou Modric e reassumiu em 2026 após a saída de Zlatko Dalic, que dirigiu o time por nove anos e três Copas. A relação com o capitão é a base da transição.
Croácia: o país de 4 milhões que virou potência
Independente desde 1991, a Croácia estreou em Copas em 1998 com o terceiro lugar da geração de Suker, Boban e Bilic; vinte anos depois, com Modric, Rakitic, Perisic e Mandzukic, chegou à final de 2018, e em 2022, com Modric aos 37, ficou em terceiro no Catar; em 2023, disputou a final da Liga das Nações e perdeu para a Espanha nos pênaltis. Com menos de 4 milhões de habitantes, o país mantém há três décadas uma das seleções mais regulares da Europa — resultado de formação de base, de uma diáspora que produz jogadores em toda a Europa e de uma cultura de meio-campistas técnicos da qual Modric é o ápice. É essa tradição que Bilic quer preservar e que a permanência do capitão simboliza.
Milan: a nova casa
Contratado em 2025 após treze temporadas no Real Madrid, Modric tornou-se titular e líder do Milan na Série A e na Liga dos Campeões; o contrato de um ano foi renovado, e o clube o trata como referência técnica para os jovens. Jogar em alto nível no clube é o que sustenta a convocação.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a Copa de 2026 explica a decisão. "Todo mundo achou que a Copa da América do Norte seria a despedida. Modric jogou, e decidiu que não queria parar ali. Bilic, que o conhece desde os 20 anos, pediu que ficasse — e a Espanha e a Inglaterra no caminho são o tipo de desafio que um competidor daquele tamanho não recusa. Não é apego: é o jogador que sabe que ainda é o melhor do país. A pergunta é até quando o corpo acompanha; a resposta, até aqui, é que ele decide, não o corpo", observa.
Recorde de jogos: 186 ou 202?
A federação cita 202 partidas — incluindo amistosos não reconhecidos pela Fifa —, enquanto o ge contabiliza 186 jogos oficiais e 27 gols; em ambas as contagens, Modric é o recordista croata com folga e um dos jogadores com mais partidas por seleção europeia na história.
2018: a final que definiu uma geração
Na Rússia, Modric conduziu a Croácia a três prorrogações seguidas no mata-mata e à final contra a França, perdida por 4 a 2; foi eleito o melhor jogador do torneio e, meses depois, ganhou a Bola de Ouro. É o auge de um país de 4 milhões de habitantes que virou potência com sua geração.
Jogadores mais velhos em seleções: o clube dos 40
Cristiano Ronaldo, com 41, segue em Portugal; Pepe jogou a Euro de 2024 aos 41; goleiros como Buffon e Mondragón passaram dos 40 em Copas. Entre meias de linha, Modric é caso raro — e único no nível que mantém.
O que vem: Euro 2028 no horizonte
As eliminatórias da Eurocopa de 2028, no Reino Unido e na Irlanda, começam em 2027; se seguir no ritmo atual, Modric pode disputá-las aos 41 e 42 anos. A federação não fala em prazo, e o jogador tampouco.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia deveria ser lida em Brasília, na CBF. "Enquanto o Brasil discute se convoca jogador de 34 anos, a Croácia convoca o de 40 porque ele é o melhor. Modric não tem físico de 20; tem cabeça de 40 — e é a cabeça que organiza o jogo. Bilic sabe disso. A seleção brasileira tem tradição de descartar cedo e se arrepender depois. A lição croata é simples: enquanto o jogador entrega, ele joga. Modric vai enfrentar Espanha e Inglaterra em setembro. Que vença ou perca, o futebol ganha ao vê-lo mais uma vez", analisa.
A confirmação de que Luka Modric seguirá na seleção da Croácia e será convocado para os jogos da Liga das Nações contra República Tcheca, Espanha e Inglaterra foi anunciada pela Federação Croata de Futebol e noticiada pelo ge em 5 de setembro de 2026.
Foto: Uraniwa (CC BY 4.0) via Wikimedia Commons.