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Bahia visita o Bragantino para voltar ao G-4 depois de dez rodadas

Tricolor é quinto, com 40 pontos, dois atrás do Fluminense; precisa vencer em Bragança e torcer contra o rival no clássico com o Vasco. Estádio traz boa lembrança: 3 a 0 que quebrou tabu de 35 anos.

Bahia visita o Bragantino para voltar ao G-4 depois de dez rodadas

Muita coisa aconteceu desde que o Bahia deixou a quarta colocação do Brasileirão, em 17 de maio: uma sequência de derrotas, uma série de empates e, agora, invencibilidade de nove partidas. É com esse clima que o Tricolor quer retomar um lugar entre os quatro primeiros neste sábado, quando visita o Bragantino, às 16h, em Bragança Paulista. Quinto colocado com 40 pontos, o Bahia está a dois do Fluminense, que abre o G-4 — e precisa vencer e torcer por tropeço tricolor carioca no clássico com o Vasco, às 21h. As informações são do ge.

O Bahia esteve em quarto pela última vez após o 1 a 1 com o Grêmio, na 16ª rodada, na Fonte Nova; na seguinte, caiu a sexto com a derrota por 3 a 2 para o Coritiba. Depois, vieram cinco empates consecutivos — algo que não acontecia em jogos oficiais desde 1975 — até as vitórias sobre o Vitória, no Ba-Vi 508, e sobre o Internacional, por 3 a 2, na última rodada.

A trajetória rodada a rodada

Bahia 1x1 Grêmio (16ª, quarto com 26 pontos); Coritiba 3x2 Bahia (17ª, sexto com 26); Bahia 2x1 Botafogo (18ª, 29); Bahia 2x0 Chapecoense (jogo atrasado da 4ª rodada); Atlético-MG 1x1 Bahia (19ª, 30); Bahia 1x1 Corinthians (20ª, 31); Fluminense 0x0 Bahia (21ª, quinto com 32); Bahia 0x0 Vasco (22ª, sexto com 33); Chapecoense 3x3 Bahia (23ª, 34); Vitória 0x2 Bahia (24ª, 37); Bahia 3x2 Internacional (25ª, quinto com 40). Nove jogos sem perder, mas cinco empates no meio que custaram a distância para o G-4.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a sequência de empates é o dado que explica tudo. "Cinco empates seguidos — 1 a 1, 1 a 1, 0 a 0, 0 a 0, 3 a 3 — é o time que não perde e não ganha, o que no Brasileirão equivale a perder terreno. O Bahia não caiu: parou. E parou com elenco que a diretoria julgou insuficiente, porque na pausa da Copa trocou goleiro, zagueiro e atacante. Alejo Veliz titular, Herrera no gol, Moreno na zaga — Ceni mudou o time e voltou a vencer. Duas vitórias seguidas, Ba-Vi e Inter, e a chance de voltar ao G-4 em Bragança, onde quebrou tabu de 35 anos com 3 a 0. O Bahia de setembro é outro time do Bahia de julho", avalia.

Pausa da Copa: as mudanças

Durante a pausa para a Copa do Mundo, a diretoria contratou o atacante argentino Alejo Veliz, o goleiro Guido Herrera e o zagueiro Marco Moreno, e liberou João Paulo, Gilberto, Gabriel Xavier e Iago Borduchi. Com as peças novas, Rogério Ceni mudou a escalação e a forma de jogar: Veliz virou titular, e Roman Gomez e Rodrigo Nestor ganharam sequência. O ajuste na pausa é o que transformou a série de empates em vitórias.

Rogério Ceni: o projeto no Bahia

Ceni comanda o Bahia desde 2023, sob o Grupo City, com projeto de longo prazo raro no futebol brasileiro — três temporadas, classificação à Libertadores, elenco renovado com investimento do grupo. A queda para sexto e os empates geraram pressão; a diretoria respondeu com reforços em vez de troca de técnico, e o resultado recente valida a escolha. O G-4 é a meta que sustenta o projeto: vaga direta na Libertadores de 2027.

Bragantino: o adversário e o estádio

O Bragantino, de Bragança Paulista, é adversário de meio de tabela com bom desempenho em casa; o Cícero de Souza Marques, porém, traz boa lembrança ao Bahia: na última visita, o Tricolor venceu por 3 a 0 e encerrou tabu de 35 anos sem vencer na cidade. Vencer de novo é condição para o G-4; empatar mantém o quinto lugar.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o sábado do Bahia é decidido em dois estádios. "Bahia joga às 16h em Bragança; Fluminense joga às 21h no Maracanã contra o Vasco. Se o Bahia vencer, passa a tarde no G-4 e espera o Flu tropeçar à noite. Se o Flu vencer, o Bahia volta ao quinto. É a disputa pela última vaga direta na Libertadores — com Cruzeiro em sexto, a três pontos, jogando domingo contra o Athletico. Três times para uma vaga, com o Athletico em terceiro e o Palmeiras e o Flamengo na frente. O Bahia tem a melhor sequência dos três. Precisa transformar invencibilidade em vitória — como fez contra Vitória e Inter", observa.

Grupo City: o modelo no Bahia

O Bahia é controlado desde 2023 pelo City Football Group, dono do Manchester City, que investiu em elenco, estrutura e gestão com objetivo de colocar o clube entre os grandes do país e na Libertadores com regularidade. O modelo privilegia contratações jovens com potencial de revenda — Veliz, Moreno — e continuidade de comissão técnica; Ceni é o técnico mais longevo do grupo fora de Manchester. O G-4 de 2026 é meta de projeto, não de temporada.

Ba-Vi 508: a virada de chave

A vitória por 2 a 0 sobre o Vitória, no Ba-Vi 508, encerrou a sequência de cinco empates e foi o ponto em que o time reencontrou o resultado — clássico vencido fora de casa, com o rival em crise, e moral para bater o Inter na rodada seguinte. Para a torcida tricolor, foi a resposta ao período de cobrança; para Ceni, a confirmação de que as mudanças da pausa funcionavam.

Guido Herrera e Marco Moreno: a defesa nova

O goleiro argentino Guido Herrera e o zagueiro Marco Moreno chegaram na pausa para corrigir o setor que cedia gols em sequência — os 3 a 3 com a Chapecoense foram o alerta. Com os dois, o Bahia sofreu menos e voltou a vencer; Herrera assumiu a titularidade, e Moreno formou dupla com o zagueiro remanescente. É o ajuste defensivo que acompanha a chegada ofensiva de Veliz.

Alejo Veliz: o reforço que virou titular

O atacante argentino, ex-Rosario Central e Tottenham, chegou na pausa e assumiu a referência do ataque — gols e participação nas vitórias sobre Vitória e Inter. É contratação do perfil Grupo City: jovem, com passagem europeia, valor de revenda. Sua adaptação rápida é o que deu a Ceni a peça que faltava na sequência de empates sem gol.

Cinco empates: o recorde de 1975

A sequência de cinco empates consecutivos em jogos oficiais não ocorria no Bahia desde 1975 — estatística que ilustra o quanto o time travou entre julho e agosto. Empate seguido é sintoma de time organizado defensivamente e sem poder de decisão; a chegada de Veliz e as mudanças táticas resolveram a segunda parte. Os 3 a 3 com a Chapecoense, o último da série, mostraram que a defesa também precisava de ajuste — daí Moreno e Herrera.

Rodrigo Nestor e Roman Gomez: os que ganharam sequência

Além dos reforços, a pausa deu a Rogério Ceni tempo para consolidar jogadores que estavam na reserva: o meia Rodrigo Nestor, ex-São Paulo, e o argentino Roman Gomez ganharam sequência como titulares e passaram a dar ao meio-campo a criação que faltava na série de empates. Com Veliz na frente e a defesa reforçada, o Bahia voltou a marcar mais de um gol por jogo — 2 a 0 no Ba-Vi, 3 a 2 no Inter — e a transformar controle em vitória. É o time que Ceni queria desde maio e só conseguiu montar em agosto.

Fonte Nova e o fator casa

O Bahia construiu a campanha na Fonte Nova, com aproveitamento alto em Salvador; a dificuldade foi fora, onde os empates se acumularam. Vencer em Bragança — como fez na última visita — seria sinal de que o time voltou a pontuar longe de casa, condição para sustentar o G-4 até dezembro.

A vaga na Libertadores: as contas

Com 40 pontos em 25 rodadas, o Bahia precisa de cerca de 25 nos 13 jogos restantes para chegar aos 65 que, nos últimos anos, garantiram o quarto lugar — aproveitamento de 64%, próximo ao que o time faz desde a pausa. Fluminense e Cruzeiro fazem a mesma conta; o Bahia tem a sequência mais consistente.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o Bahia é o time que mais evoluiu no segundo semestre. "Caiu do G-4 em maio, empatou cinco seguidas, o Grupo City comprou três jogadores na pausa e o Ceni mudou o time. Nove jogos sem perder, Ba-Vi vencido, Inter batido de virada. Agora vai a Bragança, onde ganhou de 3 a 0 da última vez, para voltar ao G-4 — dependendo do Flu à noite. É futebol de projeto: quando travou, a diretoria reforçou em vez de demitir. O resultado aparece em setembro. Se o Bahia terminar em quarto, será a prova de que paciência com técnico dá Libertadores", analisa.

O Bahia enfrenta o Bragantino em 5 de setembro de 2026, às 16h, no Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, pela 26ª rodada do Brasileirão. O Tricolor é quinto colocado, com 40 pontos, e está invicto há nove jogos.

Foto: Peter Glaser baraida (CC0) via Wikimedia Commons.

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Escrito por

Adriano Jose Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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