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Caribé nada 50 m livre em 20s54, fica a três centésimos do recorde de Cielo

Último dia do Troféu José Finkel teve recorde sul-americano de Leonardo Alcântara nos 800 m, recorde brasileiro de Giulia Carvalho nos 100 m medley e Letícia Romão abaixo dos 16 minutos nos 1500 m.

Caribé nada 50 m livre em 20s54, fica a três centésimos do recorde de Cielo

Guilherme Caribé chegou muito perto de reescrever a história da natação sul-americana. No último dia de provas do Troféu José Finkel, disputado em São Paulo nesta sexta-feira (4), o velocista do Recreio da Juventude venceu os 50 m livre com o tempo de 20s54 — apenas três centésimos acima do recorde sul-americano de Cesar Cielo, a marca mais emblemática da natação brasileira. O resultado garantiu a Caribé a vaga no Mundial de piscina curta e coroou uma competição que produziu um recorde sul-americano, um recorde brasileiro e uma série de índices para a seleção, segundo o ge.

A prova mais rápida da natação foi também a mais simbólica do campeonato. Cielo, campeão olímpico em 2008 e dono das principais marcas de velocidade da América do Sul há mais de uma década, segue como referência — mas a diferença de três centésimos mostra que o recorde deixou de ser inalcançável. Nos 50 m livre, Caribé terá a companhia de Pedro Sansone na seleção brasileira que disputará o Mundial: Sansone também assegurou a classificação ao marcar 20s95, enquanto Lucas Peixoto completou o pódio com 21s37.

Alcântara quebra recorde sul-americano nos 800 m

Se Caribé ficou a centésimos da história, Leonardo Alcântara entrou nela. O nadador do Minas venceu os 800 m livre masculino com 7min37s47, estabeleceu um novo recorde sul-americano na distância e garantiu o índice para o Mundial de curta. A prova de fundo, que exige uma combinação rara de resistência e controle de ritmo, teve ainda Eduardo Moraes na segunda colocação, com 7min37s70 — também dentro do índice para o Mundial —, e Stephan Steverink no terceiro lugar, com 7min45s84.

A diferença de apenas 23 centésimos entre Alcântara e Moraes em uma prova de 800 metros dá a dimensão do nível da disputa: dois nadadores brasileiros classificados para o Mundial na mesma final, com o vencedor batendo a marca continental.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Finkel de 2026 confirma uma mudança de patamar. "Durante muitos anos, a natação brasileira dependia de um ou dois nomes por competição. O que se viu em São Paulo foi profundidade: vaga dupla nos 50 m, vaga dupla nos 800 m, recorde continental, recorde nacional. Não é uma geração de um talento isolado, é uma geração de equipe", avalia.

Giulia Carvalho e o recorde brasileiro nos 100 m medley

No feminino, Giulia Carvalho confirmou a grande fase e fechou o campeonato com um dos resultados mais expressivos da competição. A nadadora do Minas dominou os 100 m medley de ponta a ponta, venceu com 59s42, estabeleceu um novo recorde brasileiro e garantiu o índice para o Mundial de curta. Stephanie Balduccini conquistou a prata, com 1min00s16, e a jovem Manuela Astori ficou com o bronze, com 1min01s38.

O medley de 100 metros — disputado apenas em piscina curta — exige que a atleta execute os quatro estilos em 25 metros cada, com viradas rápidas e transições precisas. Vencer abaixo de um minuto e com recorde nacional coloca Carvalho entre as nadadoras mais completas do país no momento.

Giulia ainda voltou ao pódio nos 50 m livre feminino, a última prova individual do programa, conquistando o bronze com 24s58. O ouro ficou com Lorrane Ferreira, que marcou 24s50 — sua melhor marca pessoal —, em uma chegada bastante equilibrada com Beatriz Bezerra, prata com 24s56.

Letícia Romão abaixo dos 16 minutos

Outro destaque da sexta-feira foi Letícia Romão, que teve uma das melhores atuações de sua carreira nos 1500 m livre. A nadadora venceu com 15min57s09, foi a única atleta a completar a prova abaixo dos 16 minutos e, com isso, garantiu vaga na seleção brasileira para o Mundial de curta. Beatriz Dizotti ficou com a prata, com 16min00s16, e Mariana Costa completou o pódio, com 16min21s01.

Romper a barreira dos 16 minutos nos 1500 m é um marco de referência para nadadoras de fundo, e o fato de Romão ter sido a única a fazê-lo na competição indica a distância que ela abriu para as concorrentes na distância mais longa do programa.

Costas: Hugo González e a decisão por cinco centésimos

Nos 100 m costas masculino, o espanhol naturalizado brasileiro Hugo González venceu com 50s62. Guilherme Basseto conquistou a prata, com 50s80, e garantiu seu segundo índice para o Mundial — ele agora aguarda a definição da lista final de convocados. Pedro Buch completou o pódio com 51s07. González também venceu o duelo com Caio Pumputis em outra prova, marcando 51s46 e ficando com o recorde do campeonato; Pumputis foi segundo com 51s58, também dentro do índice, e Gabriel Machuco, terceiro com 52s05, igualmente classificado. Pela manhã, Leonardo Santos já havia registrado 51s92 e assegurado a vaga do Brasil na prova.

No feminino, a disputa dos 100 m costas foi decidida na última braçada. Julia Góes levou a melhor sobre Thacyane Lima e conquistou o ouro com 58s32 — apenas cinco centésimos à frente da adversária, que terminou com 58s37. Fernande de Goeij completou o pódio com 58s77.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, os resultados nas costas ilustram um fenômeno importante. "Quando a mesma prova entrega três nadadores dentro do índice para o Mundial, a comissão técnica passa a ter o problema bom: escolher. Isso força o nível para cima em toda a temporada, porque ninguém tem vaga garantida. É assim que se constrói uma equipe competitiva, com concorrência interna real", observa.

Revezamentos fecham o Finkel com recorde

As provas por equipes encerraram o campeonato. No 4x100 m medley masculino, o Minas venceu com o time formado por Hugo González, João Nogueira, Pedro Buch e Vinicius Assunção, que completou a prova em 3min25s84. O Pinheiros ficou com a prata, com 3min26s21, e a Unisanta levou o bronze, com 3min30s67.

No feminino, o Pinheiros fechou o Troféu José Finkel 2026 com a vitória no 4x100 m medley e um novo recorde de campeonato: Maria Luiza Pessanha, Mercedes Salazar, Clarissa Rodrigues e Beatriz Bezerra completaram a prova em 3min58s00. A prata ficou com o Minas, com 4min00s45, e a Unisanta conquistou o bronze, com 4min03s54.

A marca a bater: 20s51

A diferença de três centésimos entre o tempo de Caribé (20s54) e o recorde sul-americano de Cesar Cielo situa a marca continental em 20s51 — um patamar que, em piscina de 25 metros, coloca o velocista entre os nomes mais rápidos do mundo na distância. Nos 50 m livre, a prova inteira dura pouco mais de vinte segundos e se decide em detalhes: a reação ao sinal de largada, a saída do bloco, a única virada e o toque final na parede. Três centésimos equivalem a uma fração do movimento de uma braçada.

Cielo, campeão olímpico dos 50 m livre em Pequim, em 2008, e recordista mundial da prova em piscina longa, é a referência histórica da velocidade brasileira. Que um nadador em atividade chegue a três centésimos de sua marca continental em uma seletiva nacional — sem a adrenalina de uma final internacional e sem adversários estrangeiros puxando o ritmo — indica que o recorde está ao alcance na próxima grande competição.

Índices e vagas: como funciona a seleção

Para integrar a delegação brasileira no Mundial de piscina curta, o atleta precisa atingir, em competição oficial, o tempo mínimo definido pela confederação para cada prova — o chamado índice. O Troféu José Finkel é a principal oportunidade do calendário nacional para isso, o que explica a concentração de resultados expressivos em uma única semana. Nadadores que obtêm índice em mais de uma prova, como Guilherme Basseto, ganham flexibilidade na montagem da equipe, especialmente nos revezamentos.

O que o Finkel diz sobre o Mundial

O Troféu José Finkel é o principal campeonato brasileiro de piscina curta e funciona como seletiva para o Mundial da modalidade. Os índices obtidos em São Paulo definem a base da delegação que representará o país. A edição de 2026 entregou vagas em velocidade, fundo, medley e costas, além de recordes continental e nacional — um conjunto que sugere uma seleção mais numerosa e mais equilibrada do que em ciclos recentes.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a marca de Caribé é o dado que mais projeta o futuro. "Três centésimos do recorde do Cielo em piscina curta, numa seletiva nacional, sem a adrenalina de uma final de Mundial. Se o Caribé chegar ao Mundial com a mesma forma física, o recorde sul-americano cai. E, quando isso acontecer, a natação brasileira vai ter fechado um ciclo de quase vinte anos", analisa.

A lista final de convocados para o Mundial de piscina curta será definida pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos a partir dos índices obtidos no Finkel. Guilherme Basseto, com dois índices conquistados, é um dos nomes que aguardam a confirmação.

Foto: EKranharst (CC BY-SA 3.0) via Wikimedia Commons.

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Escrito por

Adriano Jose Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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