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Palmeiras é o único clube do Brasil na briga por três títulos

Em 2025, Abel poupou na reta final e perdeu a Libertadores; contra o Santos, com 3 a 0 na ida, usou força máxima. Evangelista: "O que temos em mente é ganhar todas."

Palmeiras é o único clube do Brasil na briga por três títulos

Quando eliminou o Santos e avançou à semifinal da Copa do Brasil, o Palmeiras se tornou o único clube brasileiro disputando títulos em três competições simultâneas neste momento da temporada: é líder do Brasileirão com 52 pontos — um a mais que o Flamengo — e está nas quartas de final da Libertadores, contra a LDU. Vasco e Atlético-MG também disputam três campeonatos, mas brigam por título em apenas dois, Copa do Brasil e Sul-Americana: o Cruz-Maltino luta contra o rebaixamento e o Galo é oitavo, com 36 pontos. Diante do cenário — e dos desfalques —, Abel Ferreira é constantemente perguntado sobre a decisão de não poupar. "Maior risco é não arriscar e vamos arriscar. Estamos em todas as competições e são poucos que estão a disputar todas a este nível do campeonato", respondeu. As informações são do ge.

"Estamos em todas, não vamos abdicar de nenhuma. Vamos arriscar tudo que tem para arriscar. O maior risco que fiz foi atravessar o Atlântico sem saber o que iria me apanhar aqui, em um país que demite treinadores a cada três meses. As coisas acontecem quando tu trabalhas mais que os outros", completou o técnico.

A lição de 2025

A pergunta sobre poupar tem razão histórica: em 2025, Abel preservou atletas por desgaste físico na reta final do Brasileirão — e terminou perdendo também a Libertadores. A experiência marcou o treinador, que agora inverte a lógica: força máxima em todas as frentes, com a aposta de que o elenco aguenta e de que a rotação seletiva custa mais do que rende. É a decisão que define a temporada do Palmeiras e que será julgada pelo resultado.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, Abel está fazendo a aposta certa pelo motivo certo. "Poupar em 2025 não salvou o Brasileirão e custou a Libertadores. Abel aprendeu: time que está em três frentes não escolhe — joga. O Flamengo só tem a Libertadores agora, o Athletico só tem o Brasileiro; o Palmeiras tem tudo e um ponto de vantagem. Se poupar contra o Botafogo e perder, o Flamengo assume a liderança; se poupar contra a LDU e cair, a Libertadores vai embora de novo. Não há jogo para poupar. A frase 'o maior risco é não arriscar' não é bravata — é conta", avalia.

Os concorrentes: quem disputa o quê

O Flamengo, vice-líder, só disputa a Libertadores além do Brasileirão. O Athletico, terceiro com 45 pontos, só o Brasileiro. Entre os que seguem na Libertadores, o Fluminense é quarto com 42 pontos — dez atrás — e o Corinthians é décimo; ambos estão fora da Copa do Brasil. É o mapa que faz do Palmeiras caso único: nenhum rival direto no Brasileirão tem a mesma sobrecarga, e nenhum rival na Libertadores briga pelo título nacional.

Contra o Santos: força máxima com 3 a 0

Mesmo com o 3 a 0 construído na ida das quartas da Copa do Brasil, Abel usou "força máxima" dentro das condições do elenco na volta contra o Santos: só deixou Gustavo Gómez no banco e Vitor Roque fora, por estar fora de forma. É o sinal prático da decisão — onde outros técnicos rodariam o time com a vaga encaminhada, o português manteve os titulares para não perder ritmo.

Lucas Evangelista: "ganhar todas"

O pensamento foi incutido nos atletas. "O Abel está corretíssimo, estamos vivos nas três competições. Não podemos nos poupar, todo mundo tem de estar preparado. Independentemente da competição, temos de jogar com força total. Sabemos que não é fácil, mas o que temos em mente é isso, ganhar todas", disse Lucas Evangelista, às vésperas do confronto com o Botafogo, domingo, às 18h30, no Nilton Santos, pelo Brasileirão.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o discurso do elenco é a parte difícil. "Técnico decidir arriscar é fácil; jogador aceitar jogar quarta e domingo sem descanso, por três meses, é o que separa o Palmeiras dos outros. Lucas Evangelista repetindo Abel palavra por palavra é sinal de que o vestiário comprou. O risco físico é real — lesão muscular em setembro e outubro é o que derruba temporadas —, e o Palmeiras tem elenco para absorver? Abel acha que sim. Se estiver certo, tríplice coroa; se estiver errado, a mesma reta final de 2025. É a aposta mais alta do futebol brasileiro em 2026", observa.

Botafogo no domingo: a mudança obrigatória

Contra o Botafogo, Abel terá de fazer ao menos uma mudança: o lateral-esquerdo Arthur cumpre suspensão. O Palmeiras treina no sábado antes de viajar ao Rio, e o jogo no Nilton Santos — contra um adversário que já foi campeão continental sob outro elenco — é o primeiro teste da decisão de não poupar, com a LDU na semana seguinte.

Libertadores: LDU nas quartas

A LDU, de Quito, é adversário de altitude — 2.850 metros — e tradição em mata-mata: eliminou brasileiros em várias edições e foi campeã em 2008 contra o Fluminense. Para o Palmeiras, que perdeu a Libertadores de 2025 na reta final, o confronto é a chance de corrigir; para Abel, o jogo em Quito é o que mais justifica não poupar antes — chegar inteiro à altitude é condição.

Copa do Brasil: a semifinal

Na Copa do Brasil, o Palmeiras espera o adversário da semifinal, com Grêmio, Vasco e Atlético-MG entre os classificados. É o título que o clube não conquista desde 2020 e que completaria a coleção recente — Brasileirão, Libertadores, Paulista. A semifinal em outubro coincide com a reta decisiva das outras duas competições.

Abel: seis anos e a coleção

Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em outubro de 2020 e conquistou duas Libertadores (2020 e 2021), dois Brasileiros (2022 e 2023), uma Copa do Brasil (2020), Paulistas, Supercopa e Recopa — a coleção mais vitoriosa de um técnico na história do clube. A frase sobre "um país que demite treinadores a cada três meses" é referência ao próprio feito: seis anos no cargo é longevidade quase inédita no futebol brasileiro. A temporada de 2026 é a chance de fechar o ciclo com a tríplice coroa que faltou — e, especulam, de decidir o futuro no fim do ano.

O elenco: quem sustenta a rotação

A decisão de não poupar exige elenco: o Palmeiras tem dois jogadores de nível para a maioria das posições, com Weverton, Gómez, Murilo, Piquerez, Aníbal Moreno, Richard Ríos, Raphael Veiga, Estêvão substituído por reforços, Flaco López e Vitor Roque — este fora de forma, o que reduz a opção no ataque. A suspensão de Arthur no domingo mostra o limite: uma ausência já obriga mudança. Setembro e outubro, com jogo a cada três dias, vão testar a profundidade; lesões musculares, comuns nesse ritmo, são o risco que Abel aceita.

A vantagem de um ponto

Cinquenta e dois pontos contra 51 do Flamengo, com 14 rodadas restantes, é vantagem que se perde em um jogo — e o Flamengo, sem Copa do Brasil, tem semanas livres que o Palmeiras não terá. A matemática favorece o rubro-negro no desgaste; o Palmeiras responde com a cultura de vitória e com a decisão de não abrir mão. A rodada de domingo, com Palmeiras no Rio e Flamengo em Belém, é uma das que podem inverter a ponta.

Calendário: o inimigo invisível

O calendário brasileiro, com Brasileirão de 38 rodadas, Copa do Brasil, Libertadores e estaduais, é o mais congestionado do mundo — e o Palmeiras vai jogar a cada três dias até dezembro se seguir em tudo. A CBF discute reformulação para 2027, com redução de datas; para 2026, a única defesa é elenco e preparação física. A opção de Abel por não poupar é aposta na segunda.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a temporada do Palmeiras é o caso de estudo do ano. "Um clube em três finais possíveis, com técnico que já perdeu tudo por poupar e agora não poupa nada. Se der certo, Abel vira o maior técnico da história do Palmeiras sem discussão — já é. Se der errado, vai ser cobrado pela mesma torcida que cobrou em 2025. O que ele disse é a verdade do futebol: quem está em tudo não tem escolha. O domingo no Nilton Santos é o primeiro capítulo. Os outros dois vêm em Quito e na semifinal. Três meses para saber se 'arriscar tudo' era coragem ou teimosia", analisa.

O Palmeiras lidera o Brasileirão com 52 pontos, está na semifinal da Copa do Brasil e enfrenta a LDU nas quartas de final da Libertadores. O próximo jogo é contra o Botafogo, domingo (6), às 18h30, no Nilton Santos.

Foto: All-Pro Reels (CC BY-SA 2.0) via Wikimedia Commons.

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Escrito por

Adriano Jose Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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