As saídas de Léo Gomes e Daniel Baianinho restringiram ainda mais as opções do técnico Gilson Kleina na Ponte Preta. Mesmo com o fim da paralisação em razão dos salários atrasados, a Macaca conta com apenas seis jogadores do grupo principal à disposição para enfrentar o São Bernardo, no domingo (6 de setembro), às 18h30, no Majestoso: os zagueiros Lucas Cunha e Sergio Palacios, o lateral-esquerdo Danilo Barcelos, os volantes André Lima e Murilo Cavalcante e o atacante David da Hora. Diante do cenário, Kleina vai precisar novamente recorrer às categorias de base para completar o time. As informações são do ge.
A redução do elenco é consequência da crise financeira que a Ponte atravessa: desde o início da Série B, 19 jogadores deixaram o clube — o goleiro Diogo Silva; os zagueiros Márcio Silva, Weverton e David Braz; os laterais Thalys, Lucas Justen, João Gabriel e Bryan Borges; os volantes Rodrigo Saravia, Tárik e Léo Gomes; e os atacantes Diego Tavares, William Pottker, Kaio Ganga, Bruno Lopes, Rodriguinho, Luis Phelipe, Brandão e Daniel Baianinho. Além das saídas, Rodrigo Souza, Jonathan Cafu e Diego Porfírio estão no departamento médico, e o meia Elvis, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, não atua mais em 2026. Segundo o advogado Filipe Rino, representante do elenco, os jogadores decidiram retomar os treinamentos na última terça-feira mesmo sem o pagamento dos atrasados, em "respeito à instituição e à torcida"; ao anunciar a paralisação, na semana passada, os atletas afirmaram que alguns estavam há seis meses sem receber, e o ge apurou que, em casos específicos de jogadores e integrantes do departamento de futebol, os atrasos chegam perto de um ano. Contra o América-MG, no último domingo, a Ponte viajou apenas com jovens da base para evitar um W.O. em Belo Horizonte e perdeu por 2 a 0. Sem vencer há 19 rodadas, a Macaca igualou o pior jejum da história da Série B na era dos pontos corridos, ao lado do ABC de 2015, e ocupa a lanterna com dez pontos em 25 jogos.
O clube mais antigo do Brasil à beira da Série C: como a Ponte chegou aqui
Fundada em 1900, a Ponte Preta é o clube de futebol em atividade mais antigo do país, tem o Moisés Lucarelli — o Majestoso, erguido pela torcida nos anos 1940 — como símbolo e viveu na Série A por boa parte das décadas de 2010, com final de Copa do Brasil em 2017 e Sul-Americana; a queda começou com o rebaixamento de 2017, seguiu com anos de Série B, dívidas trabalhistas e fiscais acumuladas por gestões sucessivas, e chegou em 2026 ao colapso: sem receita de televisão compatível, sem patrocínio forte e com o Recuperação Judicial de clubes ainda sem efeito prático, o time começou a Série B com elenco montado a custo baixo, parou de pagar, viu jogadores rescindirem na Justiça — os 19 nomes da lista — e chegou à greve, ao W.O. evitado com garotos e ao jejum recorde. A lanterna com 10 pontos em 25 jogos — média de 0,4 por partida — torna o rebaixamento para a Série C questão de tempo, e a Série C, para um clube com essa folha de dívidas, é o caminho que Guarani, Paysandu e outros gigantes regionais conheceram para o fundo. Para a região de Campinas — e para Araras, Limeira, Rio Claro, Mogi-Guaçu, cidades a menos de 100 quilômetros onde a Ponte tem torcida histórica e de onde saem garotos para a base —, a crise é assunto de família: os jovens que Kleina escala no domingo são, muitas vezes, meninos do interior que sonhavam com o Majestoso e estão sendo lançados para evitar W.O. A saída discutida nos bastidores é a transformação em SAF, com investidor que assuma dívidas e gestão; enquanto não vem, o domingo contra o São Bernardo é sobre dignidade, não sobre pontos.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a situação da Ponte é uma das mais tristes do futebol paulista em décadas. "O clube mais antigo do Brasil, com estádio construído pela torcida, jogando com seis profissionais e garotos da base para não perder por W.O. — e há gente sem receber há um ano. Dezenove saídas, dezenove rodadas sem vencer, lanterna, Série C no horizonte. Não é azar; é gestão. A Ponte é o time da região — Araras, Leme, Limeira, Rio Claro têm pontepretano em toda esquina e menino na base — e o que acontece em Campinas dói aqui. O portal registra a lista dos que saíram e os seis que ficaram, e a frase do advogado: voltaram a treinar sem receber, por respeito à torcida. Os jogadores estão honrando o clube mais do que os dirigentes. Que a SAF venha antes que a Série C leve o resto", avalia.
Os seis que ficaram
Lucas Cunha e Sergio Palacios na zaga, Danilo Barcelos na lateral esquerda, André Lima e Murilo Cavalcante no meio, David da Hora no ataque — o núcleo profissional disponível a Kleina; goleiro, lateral direito, meia e mais um atacante virão da base, como em Belo Horizonte.
Os 19 que saíram
Um goleiro, três zagueiros, quatro laterais, três volantes e oito atacantes — incluindo Pottker, ídolo de outras passagens, e David Braz, zagueiro experiente — deixaram o clube desde o início da Série B, a maioria por rescisão por atraso salarial; a Ponte perdeu, na prática, um time titular e meio em cinco meses.
A greve e a volta: "respeito à instituição e à torcida"
Os atletas paralisaram na semana passada, viajaram a Belo Horizonte apenas com a base, e retomaram os treinos na terça sem receber, segundo o advogado Filipe Rino; a decisão evita novo W.O. — que custaria pontos e multa — e mantém a competição, mas não resolve a dívida, que segue em negociação e na Justiça.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o caso expõe a falha do modelo associativo nos clubes médios. "A Ponte não tem dono; tem presidente eleito por sócio e dívida herdada de todos os anteriores. Sem receita de Série A e sem SAF, o clube vive de vender jogador e de atrasar salário até rescisão — e é o que aconteceu, 19 vezes. Guarani, Paysandu, Figueirense, todos passaram por isso; alguns voltaram, outros não. A lei da SAF existe para esse caso: investidor assume a dívida com deságio, o clube vira empresa, o salário sai em dia. O portal registra que a Ponte, mais antiga do país, discute a SAF há anos e não decide — e que a Série C decide por ela. Em Araras, onde a União São João também sabe o que é cair de divisão por dívida, a lição é conhecida", observa.
19 rodadas sem vencer: o recorde negativo
A sequência iguala a do ABC em 2015, a pior da Série B desde os pontos corridos; mais uma rodada sem vitória faz da Ponte a detentora solitária do recorde. Com 10 pontos em 25 jogos, o clube precisa de campanha de acesso nas 13 rodadas restantes só para escapar — matematicamente possível, praticamente improvável.
São Bernardo no Majestoso: o jogo de domingo
O adversário do ABC paulista, em campanha mediana, enfrenta um time de seis profissionais e garotos; para a Ponte, o jogo é sobre não ser goleada em casa e sobre a torcida, que deve comparecer em apoio aos jovens; para Kleina, é sobre montar onze jogadores.
Kleina e a base: quem são os garotos
Jogadores do sub-20 e do sub-17, alguns com estreia forçada em Belo Horizonte, compõem o time; a Ponte tem tradição de revelar — de Dicá a Roger, de Adãozinho a Pottker — e a crise transforma a base em plantel; para os meninos, é oportunidade num contexto que nenhum deles escolheria.
SAF ou Série C: o que vem depois
A diretoria negocia com investidores a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol, que assumiria dívidas e gestão; sem acordo, o rebaixamento para a Série C reduz receita e afasta interessados. O calendário é curto: 13 rodadas para o fim da Série B e uma dívida que não espera.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o domingo no Majestoso merece o estádio cheio. "Não pelo resultado — vai ser difícil — mas pelos seis que ficaram e pelos garotos que vão entrar. A Ponte Preta de 2026 é um clube sendo carregado por jogadores sem salário e meninos sem experiência, enquanto quem deveria pagar não paga. A torcida da região, de Campinas a Araras, sabe disso. O portal registra a crise e o pedido: que o Majestoso lote no domingo, que a SAF saia do papel e que o clube mais antigo do Brasil não desça para o lugar de onde poucos voltam", analisa.
A situação da Ponte Preta — 19 saídas desde o início da Série B, seis jogadores do grupo principal disponíveis após o fim da greve por salários atrasados e 19 rodadas sem vencer, na lanterna com 10 pontos — foi noticiada pelo ge em 5 de setembro de 2026; o time enfrenta o São Bernardo no domingo, 6 de setembro, às 18h30, no Moisés Lucarelli.
Foto: W.carter (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.