O Santos continua atento ao mercado, mas não tem previsão de novas contratações. O clube recentemente encorpou o elenco comandado por Cuca com três reforços — Rodinei, Arthur e Lima — que, no entendimento da diretoria, chegaram sob condições financeiras favoráveis. Atualmente, a diretoria de futebol adota um modelo claro: atletas livres no mercado ou que possam reforçar o time por empréstimo. As informações são do ge.
É o caso do meia Lima, que estava fora dos planos do Fluminense para esta temporada e foi repassado à Baixada Santista sem custos de transferência, com vínculo até o fim do ano. O volante Arthur é outro exemplo: livre no mercado, desejava atuar no Santos pela boa relação com Neymar e seu pai — a dupla, inclusive, viabilizou diretamente a contratação ao aportar recursos para a quitação da dívida que gerou o transfer ban, recebendo em troca espaços publicitários no uniforme santista. Arthur assinou contrato curto, também até dezembro, devido ao patamar salarial considerado alto e à necessidade de avaliar sua adaptação; são reforços para suprir carências imediatas identificadas pela comissão técnica. Rodinei, embora tenha firmado vínculo mais longo, até dezembro de 2027, também se enquadra na política de baixo custo: sua chegada só foi viabilizada após rescindir de maneira amigável com o Olympiacos, da Grécia, sem custos de aquisição de direitos econômicos. A diretoria segue de olho no mercado por reforços, desde que os nomes se encaixem nessa realidade financeira e tenham o aval de Cuca; a lateral esquerda é vista como prioridade, além da zaga e do ataque, mas não há negociações avançadas. Neymar, que faz exames, não joga contra o Internacional, e Gabigol pediu desculpas à torcida por fala sobre ex-clubes.
Neymar, o pai e a camisa: o Santos que se financia pelo ídolo
O modelo que a diretoria chama de "condições financeiras favoráveis" tem um pilar que a reportagem expõe com clareza: a família Neymar. Desde que o atacante voltou ao Santos, em 2025, para o que era para ser uma passagem curta antes da Copa e virou permanência, o clube passou a depender do ídolo não só em campo — onde ele joga quando o corpo permite, e nesta rodada não joga, por exames — mas no caixa: Neymar e o pai, Neymar da Silva Santos, empresário e gestor da carreira do filho, quitaram a dívida que mantinha o Santos sob transfer ban da FIFA, receberam em troca espaço publicitário na camisa — que passa a exibir marcas ligadas ao grupo do jogador — e, no mesmo movimento, viabilizaram Arthur, o volante amigo de Neymar desde a Seleção e o Barcelona, que estava livre após anos de altos e baixos na Europa e queria jogar ao lado do amigo. O Santos de 2026 é, assim, um clube que não compra ninguém — Lima do Fluminense de graça, Rodinei do Olympiacos após rescisão amigável, Arthur livre com contrato curto por causa do salário — e que cobre o buraco com o capital político e financeiro do seu maior ídolo, num arranjo que resolve o presente e levanta perguntas sobre o futuro: quem manda no futebol do Santos, o presidente ou o pai do camisa 10? A prioridade de Cuca — lateral esquerda, depois zaga e ataque — mostra um elenco com lacunas que reforços gratuitos, por definição, preenchem mal; e o pedido de desculpas de Gabigol por falar de ex-clubes é o sinal de um vestiário em que os grandes nomes pesam mais que o coletivo. Na Vila Belmiro, a torcida aceita tudo enquanto Neymar joga; o problema é o dia em que ele não jogar.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a política de reforços do Santos é a de um clube sem dinheiro com um ídolo rico. "Não compra ninguém — pega de graça, empresta, rescinde. E quando precisa pagar dívida para sair do transfer ban, quem paga é o Neymar, que recebe a camisa como propaganda e traz o amigo Arthur de brinde. É criativo e é preocupante: o Santos virou dependente da família de um jogador de 34 anos que faz exames a cada rodada. Lima, Rodinei e Arthur são reforços razoáveis para tapar buraco; lateral esquerdo de graça, Cuca vai esperar sentado. O portal registra o modelo e a pergunta que a Vila não quer fazer: quando Neymar sair, quem paga a conta?", avalia.
O trio: Arthur, Lima e Rodinei
Arthur, volante ex-Grêmio, Barcelona e Juventus, livre, contrato até dezembro com salário alto e adaptação a avaliar; Lima, meia ex-Fluminense, cedido sem custo até o fim do ano; Rodinei, lateral direito ex-Flamengo, rescindiu com o Olympiacos e assinou até 2027 — três chegadas sem taxa de transferência.
Transfer ban: a dívida que Neymar quitou
O Santos estava impedido de registrar atletas pela FIFA por dívida com clube estrangeiro; Neymar e o pai aportaram o valor, liberaram o registro e receberam espaço publicitário no uniforme — arranjo inédito em que o jogador financia o clube e é remunerado com a camisa.
Arthur e a amizade com Neymar
Companheiros na Seleção e no Barcelona, o volante escolheu o Santos pela relação com o atacante e a família; o contrato curto reflete o salário alto e a incerteza física de um jogador que teve carreira irregular na Europa — aposta de baixo risco para o clube, alto para o próprio Arthur.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Santos ensaia um modelo que outros clubes vão copiar. "Ídolo que paga dívida, ganha espaço na camisa e traz reforço amigo — é a SAF sem SAF, com o jogador como investidor. Funciona para o Santos porque Neymar tem dinheiro e apego; não funciona para clube sem ídolo bilionário. E cria uma dependência que a diretoria disfarça de 'condições favoráveis'. O portal registra a política — livres e emprestados — e observa que ela é a de quem não tem caixa, não a de quem tem projeto. A Vila lotada com Neymar esconde isso; a rodada em que ele faz exames, não", observa.
Por que livres e emprestados: a conta do clube
Com dívida elevada, receita de televisão inferior à dos rivais paulistas e o transfer ban recém-resolvido, o Santos não tem caixa para taxas de transferência e evita compromissos longos: contratos até dezembro reduzem o risco de encalhe de salário alto, e empréstimos transferem parte do custo ao clube de origem; é o modelo de sobrevivência que a diretoria apresenta como estratégia — e que depende de a janela oferecer nomes livres de qualidade, o que raramente acontece na posição que Cuca mais precisa.
Lateral esquerda: a prioridade de Cuca
A posição é a carência mais visível do elenco; o mercado de laterais livres ou emprestáveis é pequeno, e a diretoria admite não ter negociação avançada — o que sugere que Cuca terá de improvisar até a próxima janela, com a zaga e o ataque também no radar.
Neymar: exames e a ausência contra o Inter
O camisa 10 não enfrenta o Internacional após exames; a frequência das ausências — musculares, articulares, precaução — é o dado que preocupa a torcida e a diretoria, que construiu o elenco e o caixa em torno de sua presença.
Gabigol e o vestiário
O atacante pediu desculpas à torcida por declaração sobre ex-clubes — episódio menor que revela um vestiário com nomes grandes, egos e pouca hierarquia coletiva; Cuca, técnico experiente em gerir estrelas, tem o desafio de transformar ídolos em time.
O Santos de 2026: entre a Vila e o caixa
De volta à Série A após o rebaixamento de 2023, o clube vive de Neymar em campo e no caixa, de reforços gratuitos e de uma torcida que lota a Vila; a permanência na elite e a organização financeira — SAF ou não — são as pautas que a política de reforços adia.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a reportagem descreve um clube em modo de sobrevivência. "Santos não tem dinheiro, tem Neymar. Enquanto durar, o modelo funciona — Arthur de graça, Lima emprestado, Rodinei livre, dívida paga pelo pai do ídolo com propaganda na camisa. É futebol brasileiro em estado puro: improviso genial em cima de fragilidade estrutural. O portal registra e torce para que, quando Neymar parar, o Santos tenha algo além de saudade. Hoje, não tem", analisa.
A política de reforços do Santos — atletas livres ou por empréstimo, sem custos de aquisição, como Arthur, Lima e Rodinei — e a busca por um lateral esquerdo foram detalhadas pelo ge em 5 de setembro de 2026; Neymar e o pai quitaram a dívida que gerou o transfer ban do clube em troca de espaço publicitário no uniforme.
Foto: Philip Mallis (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.