O São Paulo volta ao Morumbis neste sábado (5 de setembro), onde encara o Atlético-MG, às 18h30, pelo Brasileirão. Em um ano mais distante do estádio, a equipe busca a segunda vitória consecutiva em casa para sustentar um aproveitamento que, até aqui, é o melhor no local desde 2015: foram apenas 16 jogos na temporada no Morumbis, com 11 vitórias, três empates e duas derrotas — 75%, índice que a equipe não alcançava no estádio havia mais de uma década. As informações são do ge.
O time passou quatro meses sem vencer pelo Brasileirão e quebrou o jejum no último sábado, contra o Bragantino, justamente no Morumbis. Restam sete partidas como mandante até o fim do campeonato — mas o clássico contra o Corinthians, em 4 de novembro, terá de ser mandado para a Vila Belmiro, porque o estádio receberá shows do BTS em data próxima. O bom desempenho em casa contrasta com uma temporada em que o São Paulo precisou mandar mais jogos fora do Morumbis por causa dos shows previstos no acordo com a Live Nation: foram quatro mandos fora neste ano. O primeiro foi a vitória contra a Chapecoense, no Canindé, em 13 de março, depois de a banda AC/DC se apresentar três vezes no estádio entre 24 de fevereiro e 4 de março; depois, The Weeknd tirou o time do Morumbis por duas partidas — o artista se apresentou em 30 de abril e 1º de maio, enquanto o São Paulo venceu o Mirassol em Campinas, em 25 de abril, e empatou com o Bahia em Bragança Paulista, em 3 de maio —; e o estádio do Red Bull Bragantino recebeu outra partida em julho, a derrota para o Athletico-PR, por causa do show de Harry Styles. O clube, segundo o ge, prioriza rescisões de jogadores afastados, mas ainda esbarra no fluxo de caixa.
Morumbis e Live Nation: o estádio que virou arena de shows
Em 2024, o São Paulo vendeu os direitos de nome do estádio à Mondelez — Morumbi virou Morumbis — e fechou com a Live Nation, maior produtora de shows do mundo, um acordo que transforma o gramado em palco de grandes turnês internacionais várias vezes por ano, em troca de receita que o clube, em crise de caixa, não consegue obter de outra forma: AC/DC, The Weeknd, Harry Styles e agora BTS são os nomes de 2026, e cada um custa ao time dias de gramado indisponível e jogos transferidos para Canindé, Campinas, Bragança Paulista ou Vila Belmiro. O paradoxo que o ge registra é que, mesmo jogando menos em casa — 16 partidas, contra mais de vinte em anos normais —, o São Paulo faz no Morumbis a melhor campanha desde 2015, com 75% de aproveitamento, e foi justamente ali que quebrou o jejum de quatro meses no Brasileirão; fora, incluindo os mandos deslocados, o desempenho é bem pior. Para a diretoria, o dilema é permanente: o show paga a folha, mas tira do time o fator casa que, nos números, é o que o sustenta; mandar o clássico contra o Corinthians para Santos por causa do BTS é o exemplo extremo.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, os números contam uma história de escolha. "Setenta e cinco por cento em casa, o melhor em onze anos — e o clube manda o Corinthians para a Vila Belmiro porque tem BTS no estádio. Não é incompetência; é conta: o show do BTS rende ao São Paulo o que cinco clássicos com bilheteria não rendem, e o clube está devendo salário e rescisão. O torcedor odeia, e tem razão; o diretor financeiro assina, e tem razão também. O que a Live Nation fez com o Morumbis é o que fez com estádios na Europa: transformar patrimônio esportivo em ativo de entretenimento. O São Paulo ganha caixa e perde o único lugar onde joga bem. Se cair de rendimento nos sete jogos que faltam, o show de novembro vai ser lembrado como o dia em que o clube trocou o Derby pelo K-pop", avalia.
16 jogos, 75%: os números da temporada em casa
Onze vitórias, três empates e duas derrotas em Paulistão, Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão — aproveitamento que o São Paulo não tinha no estádio desde 2015, ano de campanha sólida em casa; a série inclui a vitória sobre o Bragantino, no sábado passado, que encerrou quatro meses sem vencer no nacional. Fora de casa, incluindo os quatro mandos deslocados, o time somou os piores resultados do ano.
Os quatro mandos fora: Canindé, Campinas, Bragança
Chapecoense no Canindé, em março, após três shows do AC/DC; Mirassol em Campinas, em abril, e Bahia em Bragança Paulista, em maio, por causa do The Weeknd; Athletico-PR em Bragança, em julho, pelo show de Harry Styles — três vitórias, um empate e uma derrota, em estádios menores, com público reduzido e sem a pressão da arquibancada do Morumbis.
BTS e o clássico na Vila Belmiro
O grupo sul-coreano, de volta às turnês após o serviço militar dos integrantes, fará shows no Morumbis em data próxima a 4 de novembro; o São Paulo x Corinthians, um dos jogos de maior bilheteria do ano, vai para a Vila Belmiro, em Santos, com capacidade de cerca de 16 mil — contra 66 mil do Morumbis. A Live Nation tem prioridade contratual sobre as datas.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o caso expõe o modelo de negócio do futebol brasileiro em crise. "O São Paulo não consegue pagar rescisão de jogador afastado — o ge diz que 'esbarra no fluxo de caixa' — e por isso aluga o estádio para show. A Live Nation paga adiantado, o clube respira, o time joga em Bragança. Palmeiras e Corinthians têm arenas próprias com contrato de shows também, mas mandam menos jogos fora; o São Paulo, dono do maior estádio, é o que mais cede. É o preço de não ter vendido jogador caro e de ter folha inchada. A campanha de 75% em casa é mérito do time; os quatro mandos fora são a conta da diretoria. Que o Atlético-MG, no sábado, seja mais uma vitória — no Morumbis, enquanto dá", observa.
Atlético-MG no sábado: o teste da sequência
Após vencer o Bragantino, o São Paulo tenta a segunda vitória seguida em casa contra um Atlético-MG também em busca de regularidade; às 18h30, com o Morumbis liberado entre shows, o jogo vale posição na tabela e confiança para a sequência de sete mandos — seis no estádio e um na Vila.
Sete mandos até o fim: o calendário
O São Paulo terá sete jogos como mandante no Brasileirão — seis no Morumbis e o clássico em Santos —; a diretoria negocia com a Live Nation para evitar novas transferências, mas o contrato dá à produtora a prioridade de datas. O planejamento de 2027 discute limitar shows no segundo semestre, quando o campeonato aperta.
Fluxo de caixa e rescisões: a crise por trás dos shows
O clube prioriza rescindir contratos de jogadores afastados — que pesam na folha sem jogar —, mas não tem caixa para pagar as multas de uma vez; a receita dos shows é o que financia esses acertos. É o círculo: sem caixa, aluga o estádio; alugando, perde jogos em casa; perdendo, tem menos bilheteria.
Morumbi, Morumbis e a história do estádio
Inaugurado em 1960 e o maior estádio particular do país, o Morumbi recebeu finais de Libertadores, shows históricos e o nome de Cícero Pompeu de Toledo; desde 2024, com o naming rights da Mondelez e o acordo com a Live Nation, é também a principal arena de shows de São Paulo — status que rende receita e tira do São Paulo o controle de sua própria casa.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o São Paulo vive um dilema sem solução fácil. "Jogar em casa é o que o time faz de melhor; alugar a casa é o que o clube faz para sobreviver. Os dois são verdade ao mesmo tempo, e o BTS em novembro é a prova. O torcedor que vai à Vila Belmiro ver o Derby vai reclamar com razão, e o presidente que assinou o contrato vai apresentar o balanço com razão. O portal registra o número — 75%, o melhor desde 2015 — e o preço: quatro jogos fora e um clássico em Santos. Que o sábado contra o Atlético-MG lembre por que o Morumbis lotado vale mais que qualquer show", analisa.
A campanha do São Paulo no Morumbis em 2026 — 11 vitórias, três empates e duas derrotas em 16 jogos, a melhor no estádio desde 2015 — foi detalhada pelo ge em 5 de setembro de 2026, dia da partida contra o Atlético-MG; o clássico contra o Corinthians, em 4 de novembro, será mandado para a Vila Belmiro por causa de shows do BTS.
Foto: Windmemories (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.