O Vasco é campeão brasileiro sub-20 pela primeira vez. Na noite desta sexta-feira (4), em São Paulo, o time carioca venceu o Palmeiras por 2 a 0 no jogo de volta da final, reverteu a derrota por 1 a 0 sofrida no primeiro jogo e levantou a taça — com dois gols do atacante Andrey Fernandes, camisa 7, que já havia marcado os dois gols da virada sobre o Santos na semifinal. O título inédito coroa uma temporada em que o jogador soma 24 gols e três assistências em 36 partidas e se consolida como a principal promessa das categorias de base do clube. As informações são do ge.
A campanha nas fases decisivas foi de superação seguida. Na semifinal, o Vasco chegou a São Januário precisando reverter um 2 a 0 sofrido na Vila Belmiro; Andrey marcou os dois gols da vitória pelo mesmo placar e levou a disputa aos pênaltis, onde o time garantiu a vaga. Na final, o roteiro se repetiu: derrota fora por 1 a 0 no primeiro jogo, necessidade de vencer em São Paulo — e dois gols de Andrey para definir o 2 a 0 que valeu a taça.
Artilheiro das decisões
Andrey terminou o Brasileiro Sub-20 com 13 gols, é o artilheiro do Vasco na temporada e construiu, aos poucos, uma reputação de jogador que aparece nos jogos que valem título. O histórico vem de longe. Em 2024, ainda no sub-16, marcou um dos gols da vitória por 3 a 0 sobre o Flamengo na decisão da Copa Rio da categoria. Em 2025, na Copa do Brasil Sub-17, fez três gols na semifinal contra o Flamengo — classificação vascaína por 7 a 2 no agregado — e, na final contra o Bahia, marcou no empate por 2 a 2 antes da vitória nos pênaltis que deu ao Vasco o título inédito da competição; terminou como artilheiro daquela edição.
O ano de 2025 fechou com outro título, o Campeonato Carioca Sub-20, e com 19 gols e três assistências em 40 partidas pelo clube — além da conquista do Sul-Americano Sub-17 com a seleção brasileira. Em 2026, os números subiram: 24 gols em 36 jogos, o Brasileiro Sub-20 e o status de próxima joia a ser observada pelo time principal.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o padrão importa mais do que os números. "Muito atacante de base faz gol em jogo fácil. O que distingue Andrey é onde ele faz: dois na semifinal quando o time precisava de dois, dois na final quando precisava de dois, três contra o Flamengo, gol na final da Copa do Brasil. Isso não é estatística — é temperamento. Jogador de 18 anos que decide mata-mata fora de casa é o tipo que o Vasco não pode deixar escapar barato", avalia.
Um título que o Vasco não tinha
O Campeonato Brasileiro Sub-20 é a principal competição nacional da categoria, disputada pelos grandes clubes do país, e o Vasco — apesar da tradição de formar jogadores — nunca o havia vencido. A base vascaína revelou nomes que chegaram à seleção e a clubes europeus, mas o título nacional da categoria escapava. Conquistá-lo contra o Palmeiras, dono de uma das bases mais estruturadas e vencedoras do futebol brasileiro na última década, dá ao feito peso adicional.
A virada em São Paulo, depois de perder o primeiro jogo, também tem valor simbólico para um clube que passou anos de dificuldades financeiras e esportivas: a base entregou o que o profissional ainda busca.
O caminho para o time principal
Segundo o ge, Andrey espera uma chance com o técnico Pedro Emanuel no time principal do Vasco. A transição da base para o profissional é o momento mais delicado da carreira de um jovem: exige oportunidade, adaptação ao ritmo e à pressão, e paciência do clube e da torcida. Atacantes com histórico de decisão costumam ter a transição facilitada — o técnico sabe que pode contar com o jogador em momento de pressão —, mas o salto de nível entre o sub-20 e a Série A é grande, e a gestão do tempo de cada jovem é o que separa revelação consolidada de promessa perdida.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Vasco tem uma decisão a tomar. "Andrey com 24 gols na temporada e título nacional não vai passar despercebido. Clube europeu vai ligar. O Vasco precisa decidir se o promove agora, dá minutos e valoriza o ativo, ou se o vende cedo e barato, como fez com outras joias. A base entregou um campeão; o que o profissional faz com ele define se a formação vale a pena", observa.
Duas viradas em São Januário e em São Paulo
O detalhe que dá densidade ao título é o roteiro repetido. Na semifinal, o Vasco perdeu por 2 a 0 na Vila Belmiro e precisava de dois gols em São Januário para levar aos pênaltis — conseguiu, com Andrey, e passou. Na final, perdeu por 1 a 0 no Rio e precisava vencer em São Paulo, na casa do Palmeiras — conseguiu por 2 a 0, de novo com Andrey, e não precisou de pênaltis. Dois confrontos de mata-mata, duas derrotas no jogo de ida, duas reações completas. É um padrão que diz respeito ao grupo — capacidade de jogar sob pressão, sem se desorganizar depois de sair atrás — tanto quanto ao artilheiro.
Sul-Americano Sub-17: a seleção também
Andrey chega ao título brasileiro com experiência de seleção. Em 2025, integrou o grupo que conquistou o Sul-Americano Sub-17 — o torneio continental da categoria, que classifica para o Mundial e reúne as melhores gerações da América do Sul. Ter jogado e vencido em nível de seleção antes dos 18 anos é um dos indicadores que olheiros e clubes europeus mais valorizam, porque mostra adaptação a ambiente competitivo internacional e a treinadores diferentes.
A tradição da base vascaína
O Vasco tem histórico de revelar atacantes e meias que chegaram à Europa cedo — Philippe Coutinho, Alex Teixeira e Talles Magno são exemplos de jogadores formados em São Januário e vendidos ainda jovens para clubes do exterior. O clube, porém, nunca havia convertido essa produção em título do Brasileiro Sub-20, o que fazia da competição uma espécie de dívida da base. Com a conquista, a geração de Andrey entra na história como a que fechou essa conta — e, se o padrão se repetir, como mais uma a alimentar o mercado.
Palmeiras: a base que perdeu, mas domina
A derrota na final não apaga o domínio recente das categorias de base do Palmeiras, campeão de múltiplos torneios sub-20 e sub-17 nos últimos anos e principal fornecedor de jogadores jovens ao time principal e ao mercado europeu. Perder uma final em casa por 2 a 0, depois de vencer o jogo de ida, é raro para o clube — e mostra que a base vascaína, ao menos nesta geração, chegou ao mesmo patamar.
Formação de jogadores: o negócio dos clubes brasileiros
Títulos de base importam para além do troféu. A formação de atletas é, hoje, a principal fonte de receita de transferência dos clubes brasileiros: vender um jovem formado em casa para a Europa financia temporadas inteiras. Um campeão brasileiro sub-20, artilheiro e campeão sul-americano pela seleção, tem valor de mercado que cresce a cada jogo decisivo — e é por isso que clubes investem em centros de treinamento, categorias de base e competições como o Brasileiro Sub-20. O Vasco, com o título, valoriza uma geração inteira.
O que vem
Com o título nacional, o Vasco garante presença nas competições continentais da categoria e coloca sua base no radar de olheiros. Para Andrey, a sequência natural é a integração ao elenco profissional, com estreia na Série A e, possivelmente, convocação para as seleções de base de idade superior. O ciclo que começou no sub-16, em 2024, chega ao sub-20 com três títulos e a expectativa de que o próximo capítulo seja em São Januário, com o time principal.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a noite de sexta-feira fica na história do clube. "Primeiro Brasileiro Sub-20, virada fora de casa contra o Palmeiras, garoto de 18 anos fazendo os dois gols. É o tipo de noite que o torcedor do Vasco vai lembrar quando Andrey estiver jogando na Europa — ou, melhor ainda, quando estiver decidindo jogo pelo time principal em São Januário. A base cumpriu a parte dela. Agora é o clube não estragar", analisa.
O Vasco não informou a data de integração de Andrey Fernandes ao elenco profissional. O time principal segue na disputa do Campeonato Brasileiro da Série A.
Foto: G. Edward Johnson (CC BY 4.0) via Wikimedia Commons.