Esportes

Botafogo-SP revive o fantasma de três derrotas seguidas na Série B e tenta evitar recorde negativo

Time de Tencati já caiu em série para Novorizontino, Goiás e Athletic no primeiro turno; a última vez com quatro derrotas seguidas foi no Paulista de fevereiro de 2024.

Botafogo-SP revive o fantasma de três derrotas seguidas na Série B e tenta evitar recorde negativo

O revés por 1 a 0 para o Náutico, na última quinta-feira (3 de setembro), nos Aflitos, deixou o Botafogo-SP mais próximo da zona de rebaixamento da Série B e fez o Pantera igualar sua pior sequência de derrotas na temporada. O tropeço no Recife foi o terceiro seguido da equipe comandada por Cláudio Tencati: antes, o Tricolor de Ribeirão Preto já havia sido superado pelo Cuiabá — 2 a 1, em casa — e pelo Atlético-GO — 3 a 0, em Goiânia. As informações são do ge.

É a segunda vez na Série B de 2026 que o Bota acumula três derrotas em série: no primeiro turno, em maio, o time viveu cenário parecido ao perder sequencialmente para Novorizontino (1 a 0), Goiás (1 a 0) e Athletic-MG (2 a 1). Caso volte a tropeçar diante do Novorizontino na próxima rodada, o Pantera alcançará quatro derrotas consecutivas — marca que o clube não atinge há cerca de dois anos: a última vez foi em fevereiro de 2024, ainda no Campeonato Paulista, quando foi superado por Ponte Preta, Inter de Limeira, Corinthians e Mirassol. Com os resultados recentes, o Pantera estacionou nos 31 pontos e ocupa a 15ª colocação, mais pressionado pelos adversários que figuram no Z-4. A oportunidade de interromper a sequência e afastar a ameaça de rebaixamento será na próxima quarta-feira (9), às 19h30, quando o Bota recebe o Novorizontino, no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto.

Ribeirão Preto e a Série B: o Pantera entre a estabilidade e o abismo

O Botafogo de Ribeirão Preto vive desde 2020 a fase mais estável de sua história recente — acesso à Série B em 2022, permanência em 2023, 2024 e 2025, com campanhas de meio de tabela, estádio Santa Cruz reformado e uma SAF, constituída em 2021 e controlada por investidor local, que trouxe orçamento previsível e gestão profissional a um clube que nas décadas anteriores oscilou entre a Série A de 2001, a falência técnica e a Série D; é essa estabilidade que a sequência de setembro ameaça, porque a Série B de 2026 tem um bolo de dez clubes separados por poucos pontos entre a 12ª e a 18ª posição, e três derrotas — duas fora, uma em casa — jogaram o Pantera na borda do grupo que cai. O jogo de quarta contra o Novorizontino, rival regional de Novo Horizonte que venceu o Bota no primeiro turno e faz campanha superior, é de seis pontos: vitória afasta o Z-4 e quebra a série; derrota é a quarta seguida, o recorde negativo que o ge destaca e a entrada matemática na zona, com 13 rodadas para reagir. Cláudio Tencati, técnico experiente em Série B e C, tem elenco limitado, ataque pouco produtivo — o time marca menos de um gol por jogo — e a pressão de uma torcida que encheu o Santa Cruz nos anos de acesso e que agora cobra; para a região — Ribeirão, Sertãozinho, Jaboticabal, e o eixo até Araras e Rio Claro, onde o Botafogo tem torcida pelo histórico de duelos com Ponte, Guarani e Inter de Limeira —, o time é, ao lado da Ferroviária de Araraquara, o representante do interior norte paulista no futebol nacional, e cair para a Série C seria voltar ao lugar de onde a SAF o tirou.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o momento do Botafogo é o teste da SAF. "Cinco anos de estabilidade, acesso, permanência, estádio bonito, gestão organizada — e uma sequência de três derrotas mostra que o elenco é o de sempre: limitado, com ataque que não faz gol. A SAF trouxe ordem; não trouxe time. Contra o Novorizontino, na quarta, é o jogo do ano: ganha e respira, perde e entra no Z-4 com recorde negativo. O portal acompanha porque o Bota é o time do interior norte, com torcida até aqui — e porque a Ponte Preta, a 100 quilômetros, mostra o que acontece quando o clube do interior perde a estabilidade. Que Ribeirão não repita Campinas", avalia.

As três derrotas: Cuiabá, Atlético-GO, Náutico

2 a 1 em casa para o Cuiabá, 3 a 0 em Goiânia para o Atlético-GO e 1 a 0 nos Aflitos para o Náutico — seis gols sofridos, um marcado, e o time que estava no meio da tabela em agosto chega a setembro em 15º, três pontos acima do Z-4 e com jogos difíceis pela frente.

Maio: a primeira série de três

Novorizontino, Goiás e Athletic-MG venceram o Bota em sequência no primeiro turno; o time reagiu com vitórias em casa e se estabilizou — o roteiro que Tencati tenta repetir agora, com a diferença de que a tabela está mais apertada e o adversário de quarta é o mesmo que abriu a série de maio.

Fevereiro de 2024: as quatro derrotas no Paulista

Ponte Preta, Inter de Limeira, Corinthians e Mirassol — a última vez que o Botafogo perdeu quatro seguidas, numa campanha ruim de estadual que não comprometeu a Série B daquele ano; a marca que o clube quer evitar na quarta é simbólica, mas a consequência, o Z-4, é concreta.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o calendário ajuda e atrapalha. "Jogar em casa contra o Novorizontino é chance de reagir, mas o Novorizontino é rival regional que já venceu o Bota este ano e está bem na tabela — não é jogo fácil. Tencati precisa de gol, e o Bota não faz. Se perder, a quarta derrota seguida vem com o Z-4, e a Série B, com 13 rodadas, não perdoa clube que entra na zona em setembro. O portal registra a situação e a torcida: que o Santa Cruz encha na quarta, porque o time precisa mais da arquibancada do que de tática", observa.

A tabela: as contas para escapar

Com 31 pontos em 25 rodadas, o Botafogo tem média de 1,24 ponto por jogo — projeção de 47 no fim do campeonato, historicamente suficiente para escapar, já que a linha de corte da Série B costuma ficar entre 43 e 45 pontos; o problema é a distância para o Z-4, de três pontos, e o calendário, com Novorizontino em casa, viagens ao Nordeste e ao Sul e confrontos diretos contra os rivais da parte de baixo. Uma vitória na quarta devolve folga; duas derrotas seguidas colocam o time na zona com 12 rodadas e a pressão de quem nunca esteve lá desde o acesso. É aritmética simples que a diretoria e Tencati conhecem — e que a torcida do Santa Cruz vai cobrar a cada rodada.

Novorizontino: o rival de quarta

O Tigre de Novo Horizonte, a 200 quilômetros de Ribeirão, faz campanha de meio para cima da tabela, venceu o Bota por 1 a 0 em maio e chega com moral; o duelo regional, às 19h30 de quarta, no Santa Cruz, tem peso de decisão para o Pantera e de consolidação para o visitante.

Tencati e o elenco: o que falta

Técnico rodado em Série B, Cláudio Tencati mantém o time organizado defensivamente, mas o ataque produz pouco — menos de um gol por jogo —; a janela fechada impede reforços, e a solução é interna: recuperar confiança e aproveitar o mando de campo, onde o Bota fez a maior parte dos pontos.

A SAF e a estabilidade recente

Constituída em 2021, a Sociedade Anônima do Futebol do Botafogo-SP trouxe orçamento, gestão e a reforma do Santa Cruz; o acesso de 2022 e as permanências seguintes são o resultado; o rebaixamento em 2026 seria o primeiro revés grave do modelo — e um alerta para clubes do interior que veem na SAF a salvação.

Interior norte paulista: o que o Bota representa

Ribeirão Preto, cidade de 700 mil habitantes e capital do agronegócio, tem no Botafogo seu único clube profissional de expressão; a torcida regional se estende por dezenas de cidades, e o time, ao lado da Ferroviária, é o que resta do interior norte nas divisões nacionais — motivo de o jogo de quarta ser acompanhado muito além de Ribeirão.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a semana do Botafogo é a da verdade. "Três derrotas, 15º lugar, Z-4 a três pontos, o rival regional na quarta e o recorde negativo na mesa — é o tipo de semana que define temporada. O Bota tem estádio, SAF e torcida; precisa de gol. O portal registra e lembra que o interior paulista já tem a Ponte na lanterna com garotos e a Ferroviária brigando; perder o Botafogo para a Série C seria o pior ano do futebol do interior em décadas. Quarta, 19h30, Santa Cruz — a região inteira vai estar olhando", analisa.

A sequência de três derrotas do Botafogo-SP na Série B — para Cuiabá, Atlético-GO e Náutico —, que deixou o time em 15º lugar com 31 pontos, foi analisada pelo ge em 5 de setembro de 2026; o Pantera enfrenta o Novorizontino na quarta-feira, 9 de setembro, às 19h30, no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto.

Foto: AMISOM Public Information (CC0) via Wikimedia Commons.

JM
Escrito por

Jaime Fernando Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

Develop by Cliki