Carlos Alberto Parreira, técnico do Brasil na conquista da Copa do Mundo de 1994, recebeu alta neste sábado (5 de setembro), depois de 80 dias internado no Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. No período, o ex-treinador tratou um quadro de inflamação pulmonar; foi internado em 16 de junho e passou por cirurgia doze dias depois, em procedimento para cauterização de sangramento nasal. As informações são do ge.
"O ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol, ao longo do período de hospitalização, apresentou evolução clínica positiva após ter sido internado com uma grave inflamação pulmonar. A partir de agora, ele fará acompanhamento domiciliar e ambulatorial para monitoramento do seu quadro geral", informou o hospital. Parreira luta há anos contra o linfoma de Hodgkin, câncer que se origina no sistema linfático. "Ele foi internado por insuficiência respiratória aguda provavelmente causada por uma toxicidade pulmonar medicamentosa. Foi submetido à ventilação mecânica invasiva, hemodiálise e uma série de procedimentos para manter a vida. Após dias muito difíceis e de extrema gravidade, todas as adversidades foram superadas por ele para alegria da família, amigos e milhares de fãs do nosso técnico", detalhou o médico Arthur Vianna. Parreira é um dos principais técnicos da história da seleção, com 117 jogos, 64 vitórias, 39 empates e 14 derrotas, e três títulos: a Copa de 1994, a Copa América de 2004 e a Copa das Confederações de 2005; integrou a comissão campeã do Mundial de 1970 e da Copa das Confederações de 2013. Em 2023, ao completar 80 anos, recebeu homenagem da CBF, da Conmebol, do Fluminense e do Corinthians.
O treinador de duas Copas e do fim de um jejum de 24 anos
Nascido no Rio em 1943, formado em educação física e preparador físico da seleção de 1970 sob Zagallo, Parreira construiu carreira singular: dirigiu Kuwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita e África do Sul em Copas do Mundo — seis Mundiais como técnico, recorde absoluto —, e comandou o Brasil em 1994, nos Estados Unidos, quando o país voltou a ser campeão após 24 anos, com Romário, Bebeto, Dunga e Taffarel, na decisão por pênaltis contra a Itália. Voltou em 2006, na Alemanha, com o "quadrado mágico" que caiu nas quartas para a França; nos clubes, foi campeão brasileiro pelo Fluminense em 1984 e da Copa do Brasil pelo Corinthians em 2002, e dirigiu Flamengo, Santos, São Paulo, Internacional, Bragantino e Valencia. Foi coordenador técnico da seleção de Felipão em 2013 e 2014. O linfoma de Hodgkin, diagnosticado há anos, é tratado com quimioterapia — a "toxicidade pulmonar medicamentosa" citada pelo médico é efeito conhecido de alguns desses tratamentos.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a alta é notícia que o futebol brasileiro esperava há quase três meses. "Oitenta dias, ventilação mecânica, hemodiálise, cirurgia, câncer de fundo — o médico usou a expressão 'extrema gravidade' e não exagerou. Parreira tem 83 anos e venceu. É o técnico que devolveu ao Brasil a Copa depois de 24 anos, com um time que a imprensa chamava de feio e que ganhou nos pênaltis do Rose Bowl; é o homem que dirigiu seis Copas por cinco países. Sai do Samaritano para casa, com acompanhamento, e a família e os fãs comemoram. O portal comemora junto — e registra que a homenagem na saída do hospital foi merecida por quem, dentro e fora de campo, sempre foi um cavalheiro do futebol", avalia.
16 de junho a 5 de setembro: a cronologia
Internação em 16 de junho por insuficiência respiratória aguda; cirurgia em 28 de junho para cauterizar sangramento nasal; período em UTI com ventilação mecânica invasiva e hemodiálise; evolução gradual em julho e agosto; alta em 5 de setembro com orientação de acompanhamento domiciliar e ambulatorial. O hospital divulgou boletins periódicos ao longo do período.
1994: o tetra que "ninguém queria"
Parreira assumiu a seleção em 1991 sob críticas, montou um time defensivo com Dunga como capitão e apostou na dupla Romário e Bebeto; nos Estados Unidos, o Brasil venceu Rússia e Camarões, empatou com a Suécia, eliminou os anfitriões, a Holanda em jogo de 3 a 2 e a Suécia na semifinal, e decidiu contra a Itália no Rose Bowl, em Pasadena, no dia 17 de julho: 0 a 0 em 120 minutos e 3 a 2 nos pênaltis, com Roberto Baggio chutando por cima — o quarto título mundial, 24 anos depois do tri de 1970. A imprensa chamava o time de "feio"; Parreira respondeu com a taça e com a frase de que o importante era ganhar.
2006: o quadrado mágico e a queda
Na segunda passagem, Parreira conquistou a Copa América de 2004 e a Copa das Confederações de 2005 e levou à Alemanha o "quadrado mágico" — Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Adriano —, a seleção mais festejada desde 1982; venceu a fase de grupos e Gana, mas caiu nas quartas para a França, por 1 a 0, gol de Thierry Henry, em partida em que Zidane dominou. A eliminação encerrou o ciclo e foi a maior frustração de uma carreira que, ainda assim, terminou com o técnico como referência de organização e método na CBF.
Linfoma de Hodgkin: a doença de fundo
Câncer do sistema linfático com boas taxas de resposta a quimioterapia e radioterapia, mesmo em idosos; o tratamento prolongado, porém, pode causar efeitos adversos — entre eles a toxicidade pulmonar de alguns quimioterápicos, apontada como provável causa da insuficiência respiratória. Parreira convive com a doença há anos e já havia sido internado antes.
Toxicidade pulmonar medicamentosa: o que é
Reação inflamatória dos pulmões a medicamentos — quimioterápicos, alguns antibióticos e anti-inflamatórios —, que pode evoluir para insuficiência respiratória; o tratamento envolve suspender o fármaco, corticoides e suporte ventilatório. Em pacientes idosos e imunossuprimidos, a recuperação é lenta e exige semanas de UTI, como no caso do treinador.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, Parreira representa uma escola que o futebol perdeu. "Preparador físico do tri de 1970, técnico do tetra de 1994, coordenador em 2014 — Parreira atravessou meio século de seleção sem escândalo, sem gritaria, com planilha e método. Foi criticado por ser 'pragmático' em 94 e respondeu com a taça. Dirigiu seleções de países árabes e da África do Sul, em 2010, na Copa em casa deles — e é respeitado nesses lugares como poucos brasileiros. A internação de 80 dias mobilizou Fluminense, Corinthians, CBF e ex-jogadores. A alta é alívio. Que ele tenha o descanso que os 83 anos pedem e a homenagem que o futebol deve", observa.
117 jogos pela seleção: os números
Em três passagens como técnico principal — 1983, 1991-94 e 2003-06 —, Parreira somou 117 partidas, 64 vitórias, 39 empates e 14 derrotas, aproveitamento superior a 65%; conquistou a Copa de 1994, a Copa América de 2004 e a Copa das Confederações de 2005, e chegou às quartas em 2006.
Seis Copas do Mundo: o recorde
Kuwait em 1982, Emirados Árabes em 1990, Brasil em 1994 e 2006, Arábia Saudita em 1998 e África do Sul em 2010 — seis Mundiais como técnico, marca que nenhum outro treinador alcançou; Bora Milutinović, com cinco, é o segundo.
Clubes: Fluminense e Corinthians
Campeão brasileiro pelo Fluminense em 1984 e campeão da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo pelo Corinthians em 2002, Parreira mantém ligação com os dois clubes, que o homenagearam em 2023 e acompanharam a internação.
Homenagem na saída: o gesto
Funcionários do hospital, familiares e amigos organizaram uma recepção na saída do Samaritano neste sábado; ex-jogadores da seleção de 1994 enviaram mensagens, e a CBF divulgou nota de apoio. Parreira acenou e agradeceu, segundo relatos.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia é boa e simples. "Depois de 80 dias e de todos os procedimentos que a medicina tem para manter alguém vivo, Carlos Alberto Parreira vai para casa. É o treinador que muitos brasileiros de mais de 40 anos associam ao dia mais feliz de suas vidas de torcedor — 17 de julho de 1994, Pasadena, o pênalti de Baggio na lua. Não precisa de mais nada para merecer a homenagem. O portal deseja recuperação e registra a gratidão de um país que, naquele domingo, voltou a ser campeão do mundo com ele no banco", analisa.
A alta hospitalar de Carlos Alberto Parreira, após 80 dias de internação no Hospital Samaritano da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ocorreu em 5 de setembro de 2026, segundo o ge. O ex-treinador seguirá em acompanhamento domiciliar e ambulatorial.
Foto: BullDawg2021 (CC BY 4.0) via Wikimedia Commons.