Carlos Tevez abandonou o futebol em 2022, mas só daqui a três meses fará sua partida de despedida: o ex-atacante terá um jogo festivo em La Bombonera, estádio do Boca Juniors, em dezembro, em data a ser confirmada, segundo o canal TyC Sports. Desde 2025 o ex-jogador sonha com essa despedida, e deixou tudo acertado com Juan Román Riquelme, presidente e ídolo do clube. As informações são do ge.
Tevez teve passagem de destaque pelo Boca, com 94 gols em 274 partidas e 10 títulos — entre eles quatro campeonatos argentinos e a Libertadores de 2003. O jogo de despedida será entre um time de amigos mais próximos do futebol e uma equipe de jogadores que atuaram com ele; Messi e Cristiano Ronaldo devem ser convidados. Aos 42 anos, o "Apache" começou no Boca, passou por Corinthians, West Ham, Manchester United, Manchester City, Juventus, voltou ao Boca, jogou no Shanghai Shenhua, na China, e retornou ao Boca para anunciar, em junho de 2022, a aposentadoria; virou treinador e já comandou Rosario Central, Independiente e Talleres. Foi campeão brasileiro pelo Corinthians em 2005 e, pela seleção argentina, venceu a Olimpíada de Atenas em 2004; em 2008 conquistou a Liga dos Campeões pelo United, além de duas Premier Leagues pelo clube, e no rival City foi campeão inglês em 2012; tem ainda dois títulos italianos pela Juventus.
Fuerte Apache: de onde Tevez veio
Carlos Alberto Martínez nasceu em fevereiro de 1984 em Ciudadela, na periferia de Buenos Aires, e cresceu no conjunto habitacional Ejército de los Andes — o Fuerte Apache, bairro de violência e pobreza que lhe deu o apelido —; criado pelo tio Segundo Tevez, cujo sobrenome adotou, foi queimado com água fervente na infância, cicatriz que carrega no pescoço e no peito e que se recusou a operar. Revelado pelo Boca, estreou aos 17 anos em 2001 e em 2003 era o melhor jogador da América do Sul, artilheiro e campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes contra o Milan; a origem no Fuerte Apache e o jeito de jogar — pressão, luta, gol — fizeram dele o ídolo mais popular do Boca desde Maradona.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a despedida em La Bombonera fecha uma história que passou por São Paulo. "Tevez chegou ao Corinthians em 2005 numa operação que ninguém entendia — a MSI, Kia Joorabchian, dinheiro que vinha não se sabia de onde — e resolveu em campo: foi o melhor jogador do Brasileirão, artilheiro, campeão, e o Pacaembu cantava seu nome em espanhol. Saiu em 2006 para a Inglaterra e fez o que ninguém da geração dele fez: campeão pelos dois Manchesters, pela Juventus, pelo Boca três vezes. Aos 42, com a cicatriz do Fuerte Apache e a Libertadores de 2003, se despede onde começou, com Riquelme de anfitrião e Messi convidado. Para o corintiano, é o argentino que virou um dos nossos por um ano e meio", avalia.
Corinthians 2005: o ano brasileiro
Contratado pela parceria entre o clube e a Media Sports Investment, Tevez marcou 25 gols na temporada, foi eleito o melhor jogador do Brasileirão e liderou o título nacional de 2005 — o quarto do Corinthians —, ao lado de Carlos Alberto, Nilmar e Roger; em 2006, após atritos e a Copa do Mundo, deixou o clube para o West Ham, num negócio que gerou disputa judicial na Inglaterra. É até hoje um dos estrangeiros mais marcantes do futebol brasileiro.
Inglaterra: United, City e a mudança de lado
No West Ham, salvou o time do rebaixamento em 2007; no Manchester United, foi campeão inglês em 2008 e 2009 e da Liga dos Campeões em 2008, na final contra o Chelsea; em 2009, trocou o United pelo City — o outdoor "Welcome to Manchester" em azul virou símbolo da rivalidade — e foi campeão inglês em 2012, o primeiro título do City em 44 anos, após episódio de indisciplina que o afastou do time por meses.
Juventus e a volta ao Boca
Na Juventus, entre 2013 e 2015, venceu dois campeonatos italianos com a camisa 10 que fora de Del Piero e chegou à final da Liga dos Campeões de 2015; voltou ao Boca em 2015, foi campeão argentino, passou uma temporada na China, no Shanghai Shenhua, com salário recorde e desempenho fraco, e retornou ao Boca para mais dois títulos nacionais antes de parar, em 2022, após a morte do pai.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o convite a Messi e Cristiano é o que dá ao evento dimensão global. "Tevez jogou com Messi na seleção argentina e com Cristiano no United — é um dos poucos que pode chamar os dois para o mesmo campo, e Riquelme, o maior ídolo vivo do Boca, é quem organiza. La Bombonera lotada em dezembro, com esses nomes, vira transmissão mundial. Para o Boca, é marketing e afeto; para Tevez, que virou técnico sem o mesmo sucesso, é a chance de encerrar como jogador. O futebol argentino sabe fazer despedida como poucos — Riquelme teve a dele em 2023, com Messi em campo. A de Tevez promete o mesmo", observa.
MSI e a Justiça inglesa: o negócio que mudou o futebol
A chegada de Tevez ao Corinthians, em dezembro de 2004, foi o centro da parceria do clube com a Media Sports Investment, fundo liderado pelo iraniano Kia Joorabchian que injetou dezenas de milhões de dólares no elenco em troca de participação nos direitos dos jogadores — modelo de "propriedade de terceiros" que trouxe também Mascherano, Carlos Alberto e Nilmar, rendeu o título de 2005 e terminou em investigação da Polícia Federal e ruptura em 2007. Na Inglaterra, a transferência de Tevez e Mascherano para o West Ham, em 2006, com contratos que davam ao fundo o controle sobre o jogador, violou as regras da Premier League: o clube foi multado em 5,5 milhões de libras, o Sheffield United, rebaixado naquele ano, processou e recebeu indenização milionária, e a liga proibiu a propriedade de terceiros — banimento que a Fifa estendeu ao mundo em 2015. Poucos jogadores mudaram tanto as regras do jogo fora de campo.
Seleção argentina: Atenas e as Copas
Tevez foi o artilheiro e a estrela do ouro olímpico de Atenas em 2004, disputou as Copas de 2006 e 2010 e três Copas América, e somou 76 jogos e 13 gols pela Argentina; ficou fora da Copa de 2014 e da conquista de 2021, em desentendimentos com técnicos — capítulo que a despedida com Messi pode encerrar.
Boca Juniors: os números do ídolo
Em três passagens — 2001-2004, 2015-2016 e 2018-2022 —, Tevez fez 94 gols em 274 jogos, venceu quatro campeonatos argentinos, a Libertadores e a Intercontinental de 2003, a Sul-Americana de 2004 e copas nacionais: 10 títulos, marca que o coloca entre os maiores da história do clube e explica a estátua e a camisa 10 que o Boca lhe dedica.
Riquelme presidente: o anfitrião
Eleito presidente do Boca em 2023, após anos como vice, Juan Román Riquelme — companheiro de Tevez no título de 2003 — comanda o clube com poder total e usa La Bombonera para celebrações de ídolos; a despedida de Tevez, negociada entre os dois, é também gesto de reconciliação após anos de relação fria.
A carreira de técnico
Após a aposentadoria, Tevez dirigiu o Rosario Central em 2022, o Independiente entre 2023 e 2024 e o Talleres em 2025, sem títulos e com resultados irregulares; a experiência no banco, segundo ele próprio, ensinou o quanto o jogo mudou. O jogo de despedida é o retorno ao papel em que foi grande.
Dezembro em La Bombonera: o que esperar
Estádio lotado, times de amigos e ex-companheiros — de Boca, Corinthians, United, City e Juventus —, Messi e Cristiano Ronaldo como convidados, e a bandeira do Fuerte Apache nas arquibancadas; a data será definida pelo calendário argentino e pela agenda dos convidados.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a despedida tem valor de história do futebol sul-americano. "Um menino do Fuerte Apache que ganhou Libertadores aos 19, Brasileirão aos 21, Champions aos 24, Premier League pelos dois lados de Manchester e Serie A com a 10 da Juventus — e que voltou três vezes ao Boca porque não conseguia ficar longe. Tevez é o jogador que a torcida ama porque joga como ela viveria: brigando. Que a Bombonera lote em dezembro, que Messi e Cristiano apareçam, e que o corintiano assista sabendo que 2005 foi real", analisa.
O jogo de despedida de Carlos Tevez em La Bombonera, previsto para dezembro de 2026 em data a confirmar, foi acertado com o presidente do Boca Juniors, Juan Román Riquelme, segundo o TyC Sports, e noticiado pelo ge em 5 de setembro de 2026.
Foto: Кирилл Венедиктов (CC BY-SA 3.0) via Wikimedia Commons.