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Dia do Irmão: o legado do campeão Netinho que inspirou Allan Aal a comandar o Avaí

'Meu pai formou dois filhos profissionais, isso me inspira', disse Allan Aal na primeira coletiva; o pai, Vivi, foi lateral de Coritiba, Seleto e Rio Branco-PR.

Dia do Irmão: o legado do campeão Netinho que inspirou Allan Aal a comandar o Avaí

Na família Aal, o futebol é vida: a carreira dentro de campo passou do pai para os filhos, e o desejo de defender o Avaí foi de irmão para irmão. Erwin Walter Aal Junior, o Vivi, foi lateral-direito e jogou por Coritiba, Seleto e Rio Branco-PR entre 1966 e 1976. "Meu pai criou a família com muita dificuldade, com muita luta, e a gente seguiu esse caminho por influência dele. Graças a Deus, nós conseguimos chegar a um nível de futebol profissional como atleta e como treinador. Meu pai formou dois filhos profissionais. Isso me inspira", contou Allan Aal em sua primeira coletiva como técnico do Avaí. As informações são do ge, em reportagem pelo Dia do Irmão.

A lateral-direita foi replicada pelo filho mais velho, Erwin Walter Aal Neto, o Netinho, que, após também começar no Coritiba, chegou ao Avaí em 1988, com 20 anos, e fez parte do elenco campeão catarinense — campanha que Allan, o irmão mais novo, acompanhou de perto. "Cheguei a concentrar com o time, fiz todo o trajeto, vim para o vestiário, assisti ao jogo da arquibancada e nós vencemos por 2 a 0 com gols de Marcos Severo e Adilson Heleno. Ali, com 9 para 10 anos, foi onde me entusiasmou a ser jogador de futebol", relembrou. "Estádio lotado, aquele clima de decisão e um título, que foi o primeiro que meu irmão conquistou e que abriu muitas portas para ele no futebol. A gente tem uma gratidão muito grande ao Avaí, porque foi uma mudança de vida de toda a nossa família." Depois do Avaí, Netinho foi para o São Paulo, onde venceu o Paulista de 1989 com Raí, Bobô, Ricardo Rocha e Gilmar Rinaldi, pertenceu ao clube até 1992 e integrou o elenco campeão da Libertadores daquele ano sob Telê Santana; jogou ainda por Atlético-MG, campeão estadual em 1993, Rio Branco-PR e Caen, da França, e, aposentado, foi técnico do Coritiba sub-17 em 2002, comandou o Rio Branco-PR profissional e, em 2023, foi coordenador técnico da base do Londrina. Allan, como o pai e o irmão, começou no Coritiba, mas era zagueiro; passou por Botafogo, Daejeon Hana Citizen, da Coreia do Sul, Triestina, da Itália, Londrina, Rio Branco-PR, PAOK, da Grécia, Sinop e Francisco Beltrão antes da carreira de treinador que o levou ao Leão da Ilha.

Uma família de futebol: da lateral de Vivi ao banco do Avaí, três gerações num esporte que raramente premia sobrenome

Dinastias no futebol brasileiro são raras e quase sempre de talento excepcional — os Maldini na Itália, os Alcântara na Espanha, os Zico e os Cerezo por aqui —, e a família Aal é o caso mais comum e menos contado: o do pai lateral de clube médio nos anos 1960 e 1970, sem título nacional, que "criou a família com dificuldade" e passou aos filhos o ofício, não a fama; o filho mais velho que teve a carreira sólida — título catarinense aos 20, São Paulo de Telê, Libertadores de 1992 no elenco que Raí e Cafu imortalizaram, Atlético, França — e depois virou formador de base; e o caçula, zagueiro rodado por Coreia, Itália, Grécia e interior do Paraná, que entendeu cedo que o futuro era o banco e construiu carreira de treinador até chegar, em 2026, ao clube que viu o irmão mudar a vida da família em 1988. A cena que Allan descreve — o menino de nove anos concentrando com o time, no vestiário, na arquibancada da final — é o rito de iniciação de milhares de garotos brasileiros que nunca chegam; ele chegou pelo caminho longo, e a gratidão ao Avaí que repete na coletiva é também estratégia: assumir o Leão da Ilha, clube de massa em Florianópolis, com histórico de trocas de técnico e ambição de Série A, exige vínculo que o sobrenome oferece. Netinho, campeão da Libertadores num dos maiores times da história — o São Paulo de Telê que venceria o Barcelona em Tóquio —, é o irmão que "abriu portas" e que hoje trabalha com base em Londrina, onde Allan também jogou; o pai, Vivi, é o ponto de partida que os dois citam. Para o Avaí, a contratação de Allan Aal é aposta em um técnico em ascensão com ligação afetiva ao clube; para a reportagem do Dia do Irmão, é a história de um esporte que, sob os holofotes de contratos milionários, ainda se transmite em casa, de pai para filho e de irmão para irmão — em Florianópolis como em qualquer cidade do interior onde um lateral de 1970 leva o filho ao campo.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a história dos Aal é a do futebol brasileiro que não aparece na TV. "Não é Neymar, não é família bilionária — é um lateral do Coritiba dos anos 60 que criou dois filhos com dificuldade e os fez profissionais; um foi campeão da Libertadores com Telê, o outro rodou o mundo como zagueiro e virou técnico. O menino que concentrou com o time do irmão aos 9 anos, em 1988, está no banco do mesmo Avaí em 2026. É gratidão, é sorte e é trabalho de três gerações. O portal registra no Dia do Irmão porque é a história de milhares de famílias de Araras e do interior que vivem o futebol assim — sem holofote, com passagem por Sinop e Francisco Beltrão — e que raramente chegam ao banco de um clube grande. Allan Aal chegou; que a torcida lembre o caminho antes de cobrar o resultado", avalia.

Vivi, o pai: lateral de 1966 a 1976

Erwin Walter Aal Junior jogou por Coritiba, Seleto e Rio Branco-PR em dez anos de carreira sem grandes títulos, e transmitiu aos filhos o ofício e a disciplina; Allan o cita como a inspiração da família — "formou dois filhos profissionais" — e como quem sustentou a casa com dificuldade.

Netinho e o Avaí de 1988

Aos 20 anos, o lateral-direito chegou à Ilha e foi campeão catarinense com vitória por 2 a 0 na decisão — gols de Marcos Severo e Adilson Heleno —, seu primeiro título; a conquista abriu as portas do São Paulo e é o marco que a família trata como mudança de vida.

São Paulo, Telê e a Libertadores de 1992

Netinho venceu o Paulista de 1989 com Raí, Bobô, Ricardo Rocha e Gilmar Rinaldi e integrou o elenco campeão da Libertadores de 1992 sob Telê Santana — o time que derrotaria o Barcelona no Mundial —; pertenceu ao clube até 1992 e seguiu para Atlético-MG, Rio Branco-PR e Caen.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a carreira de Allan é a mais reveladora das três. "Zagueiro sem brilho de craque, jogou em Coreia, Itália, Grécia, Sinop e Francisco Beltrão — a geografia de quem vive do futebol sem ser estrela — e transformou isso em conhecimento de treinador. É o perfil que o Brasil forma aos milhares e aproveita mal. Chegar ao Avaí é mérito; chegar ao Avaí que viu o irmão campeão é roteiro. O portal registra a coletiva e a frase sobre o pai que criou a família com luta — porque é o futebol real, o que acontece nos campos de terra de Araras antes de qualquer contrato", observa.

Allan Aal: zagueiro rodado, técnico em ascensão

Formado no Coritiba, passou por Botafogo, Daejeon Hana Citizen, Triestina, Londrina, Rio Branco-PR, PAOK, Sinop e Francisco Beltrão como jogador; como treinador, construiu carreira em clubes do Paraná e do Sul até ser contratado pelo Avaí em 2026 — sua primeira coletiva foi marcada pela homenagem ao pai e ao irmão.

O Avaí de 2026: o clube que os Aal chamam de casa

Clube de massa de Florianópolis, com passagens pela Série A e histórico de instabilidade no comando, o Leão da Ilha aposta em Allan Aal para uma temporada de reconstrução; a ligação da família com o título de 1988 dá ao técnico capital afetivo junto à torcida — e a obrigação de resultados que o futebol não perdoa.

Netinho depois das quatro linhas

Técnico do sub-17 do Coritiba em 2002, comandou o Rio Branco-PR profissional e, em 2023, foi coordenador técnico da base do Londrina — trajetória de formador que espelha a de muitos ex-jogadores de sua geração e que mantém a família Aal no futebol paranaense.

Dinastias e famílias no futebol brasileiro

De Zico e Edu a Cerezo e seus filhos, de Bebeto a Mattheus, o futebol brasileiro tem famílias famosas — e milhares de anônimas, como os Aal, em que pai, filhos e irmãos vivem do esporte em clubes médios; são elas que sustentam a base, as divisões inferiores e o banco dos clubes que não aparecem no noticiário nacional.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a reportagem do Dia do Irmão é o tipo de história que o esporte precisa contar mais. "Um lateral que ganhou título aos 20 e mudou a vida da família; um irmão de 9 anos na arquibancada que virou técnico do mesmo clube quase 40 anos depois; um pai que jogou nos anos 60 e ensinou os dois. Não há transferência milionária nem polêmica — há futebol como vocação de família. O portal registra e deseja a Allan Aal, no Avaí, a sorte que Netinho teve em 1988 — e lembra que em toda cidade, inclusive Araras, há um Vivi levando o filho ao campo hoje", analisa.

A reportagem do ge sobre a família Aal — o pai Vivi, lateral entre 1966 e 1976; o irmão Netinho, campeão catarinense pelo Avaí em 1988 e da Libertadores pelo São Paulo em 1992; e Allan Aal, técnico do Avaí em 2026 — foi publicada em 5 de setembro de 2026, Dia do Irmão, com declarações da primeira coletiva do treinador no clube.

Foto: AngusConnaltyPhotos (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.

JM
Escrito por

Jaime Fernando Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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