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Fábio Henrique domina japonês em luta sangrenta e emenda segunda vitória no ONE

No ONE Fight Night 47, brasileiro venceu Ryohei Kurosawa por decisão unânime no peso-palha após três rounds de domínio no solo; Dantas superou o argentino Almonacid.

Fábio Henrique domina japonês em luta sangrenta e emenda segunda vitória no ONE

Fábio Henrique está embalado no ONE Championship. Na edição 47 do ONE Fight Night, realizada nesta sexta-feira (4) em Bangkok, na Tailândia, o lutador brasileiro dominou a maior parte do duelo de MMA contra o japonês Ryohei Kurosawa, na divisão peso-palha, e venceu por decisão unânime dos juízes — o segundo resultado positivo consecutivo na organização. Na mesma noite, Pedro Dantas conquistou o primeiro triunfo no evento, contra o argentino Hector Almonacid, e Gabriela Fujimoto foi finalizada pela também argentina Macarena Aragon. As informações são do ge.

O ONE Championship, sediada em Singapura, é a maior organização de artes marciais da Ásia e a principal concorrente do UFC fora dos Estados Unidos, com eventos que misturam MMA, muay thai, kickboxing e jiu-jítsu submission no mesmo card. Os Fight Nights, transmitidos para o mercado americano em horário nobre, são a porta de entrada de lutadores estrangeiros — e o Brasil, tradicional celeiro do MMA, tem presença crescente.

Round 1: a queda e a meia-guarda

Logo no início do primeiro round, Fábio Henrique encaixou um golpe rodado e levou Kurosawa para a lona. Por cima, trabalhou na meia-guarda — posição em que o lutador de cima tem uma perna presa entre as do adversário — e buscou espaços para golpear, sem pressa. De volta à luta em pé, os dois partiram para a trocação, com o brasileiro controlando a distância. Foi um round de estabelecimento: o japonês descobriu que seria derrubado sempre que se aproximasse.

Round 2: o olho, o quadril e as costas

Kurosawa voltou acelerado no segundo assalto e avançou sobre Henrique. O brasileiro indicou ter sido tocado no olho, mas o confronto seguiu sem interrupção. Fábio atacou o quadril do japonês e levou o duelo ao solo; ao tentar sair da posição de desvantagem, Ryohei girou — e entregou as costas, dominadas pelo brasileiro. Henrique tentou passar o braço no pescoço para o estrangulamento, sem sucesso; Kurosawa se desvencilhou e atacou, mas sem perigo real.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o segundo round foi a luta inteira em miniatura. "O japonês tentou impor ritmo em pé, o brasileiro respondeu com queda — e queda de qualidade, atacando o quadril, não a cabeça. Quando o adversário gira para escapar, dá as costas; quando dá as costas, o jiu-jítsu brasileiro assume. Fábio não finalizou, mas controlou. É o padrão do lutador que sabe que vai ganhar na decisão se mantiver o domínio. Menos espetáculo, mais placar", avalia.

Round 3: sangue e a katagatame no gongo

No assalto derradeiro, Henrique se defendeu de uma investida, pegou o pescoço e tentou novamente o estrangulamento, escapando o japonês da pegada. De volta à trocação, o brasileiro soltou golpes e abriu um corte no rosto de Kurosawa, que começou a sangrar. Vendo o rival sem a mesma força de reação, Henrique aplicou uma sequência de cotoveladas e joelhadas; o japonês seguiu no embate. Na reta final, o brasileiro tentou finalizar com a katagatame — o estrangulamento de braço e cabeça, "triângulo de braço" —, mas o gongo salvou o adversário. Após três rounds de cinco minutos, Fábio Henrique foi declarado vencedor por decisão unânime.

Pedro Dantas: a primeira vitória

A noite ficará na memória de Pedro Dantas. Após uma derrota no kickboxing e um resultado ruim no MMA, o brasileiro de 23 anos enfrentou Hector Almonacid nas regras das artes marciais mistas e alcançou o primeiro triunfo na organização, por decisão unânime, após dominar boa parte do confronto.

O argentino tomou a iniciativa com um chute e buscou a luta agarrada, pressionando Dantas contra o corner; ao desferir joelhadas, acertou a região íntima do brasileiro, e a luta foi paralisada. De volta ao centro, Pedro acertou um chute na base do adversário e o derrubou; em pé, desviou das pedaladas de Almonacid, soltou um direto de direita que o desequilibrou e, sem querer luta no chão naquele momento, afastou-se e chamou o rival para o confronto em pé. Na reta final do round, saiu de posição desconfortável, ficou por cima e aplicou uma sequência de golpes, sem conseguir finalizar.

No segundo assalto, Dantas pegou o pescoço num triângulo de mão e buscou a finalização, mas Almonacid escapou; por cima, o argentino montou e aplicou golpes, e o brasileiro reagiu rápido, invertendo a posição. No terceiro, Hector manteve a estratégia — encurtar a distância e encurralar Dantas no corner —, ficou por cima e golpeou cabeça e cintura; no minuto final, o brasileiro inverteu a posição e saiu da situação de incômodo. Decisão unânime para Pedro Dantas.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a vitória de Dantas é a mais importante da noite para o futuro. "Vinte e três anos, duas lutas ruins na organização, terceira chance. No ONE, terceira derrota é dispensa. Ele venceu — não com brilho, mas com controle e cabeça, invertendo posição quando estava por baixo e não caindo na provocação do argentino. É o tipo de vitória que mantém a carreira viva. Fábio Henrique já está estabelecido; Dantas acabou de garantir que vai continuar", observa.

Gabriela Fujimoto: a derrota no terceiro round

Em sua segunda luta na organização, a brasileira Gabriela Fujimoto, de 23 anos, enfrentou Macarena Aragon em confronto Brasil x Argentina na divisão peso-átomo e foi finalizada no terceiro round — o segundo resultado negativo no evento. No primeiro assalto, após trocação, a argentina encurtou a distância, buscou o clinch e aplicou joelhadas na cintura; Gabi respondeu com os mesmos golpes, tentou uma transição para as costas e levou a luta ao solo, mas ficou em posição ruim e quase foi finalizada. No segundo, Aragon pressionou no corner, derrubou e golpeou de cima. No terceiro, após trocação franca de cruzados, a luta foi ao chão, e a argentina, por cima, pegou o braço esquerdo da brasileira e finalizou aos 2min6s.

Peso-palha e peso-átomo: as divisões do ONE

As categorias do ONE Championship diferem das do UFC. O peso-palha do ONE tem limite de 56,7 quilos — abaixo do peso-mosca americano — e o peso-átomo feminino, de 52,2 quilos, é a categoria mais leve do MMA profissional em grandes organizações. A diferença mais importante, porém, é o método de pesagem: o ONE proíbe o corte de peso por desidratação e exige que o atleta passe por teste de hidratação na pesagem, o que obriga os lutadores a competirem próximos ao peso real. Para o brasileiro que vem do circuito nacional, onde o corte agressivo é rotina, a adaptação ao sistema do ONE exige mudança de preparação — e é uma das razões pelas quais estreias na organização costumam ser difíceis, como as de Dantas e Fujimoto.

Bangkok: a casa do ONE

A Tailândia é o segundo lar do ONE Championship — e, para os Fight Nights, o principal. A organização realiza eventos semanais em Bangkok, berço do muay thai, e transformou a cidade em base de operações para lutadores estrangeiros, que passam temporadas em academias locais. Para os brasileiros, é uma rotina nova: em vez de Las Vegas ou Abu Dhabi, o circuito passa por Bangkok, Singapura e Tóquio, com público asiático e horário adaptado à transmissão americana — as lutas de sexta à noite no Brasil acontecem na manhã de sábado na Tailândia. Fábio Henrique, com duas vitórias na organização, já é presença regular; Dantas e Fujimoto começam a se estabelecer.

O card completo

O ONE Fight Night 47, em Bangkok, teve na luta principal a vitória da tailandesa Stamp Fairtex sobre Selina Flores por decisão dividida. Ricardo Bravo nocauteou Mohamed Younes Rabah aos 2min58s do primeiro round; Jordan Estupinan venceu Jaosuayai Mor por decisão unânime; Pawel Jaworski finalizou Rafael Lovato Jr. a 1min51s; e Elmehdi El Jamari nocauteou Ngoc Phu Nguyen aos 2min42s do primeiro round. Três brasileiros em ação, duas vitórias — saldo positivo numa noite em que o Brasil disputou lutas de MMA contra Japão e Argentina.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o ONE é hoje o mercado que mais abre portas para o lutador brasileiro fora do UFC. "O UFC tem 700 atletas e vaga contada; o ONE cresce, paga bem, transmite para os Estados Unidos e tem card com MMA, muay thai e jiu-jítsu — modalidades em que o Brasil é forte. Fábio Henrique com duas vitórias, Dantas com a primeira, Fujimoto ainda buscando: é a trajetória típica. Quem se firma em Bangkok vira nome. O Brasil deveria acompanhar o ONE com a mesma atenção que dá ao UFC", analisa.

O ONE Championship realiza seu próximo Fight Night em Bangkok nas próximas semanas, com a presença de lutadores brasileiros ainda a ser anunciada.

Foto: The White House (Public domain) via Wikimedia Commons.

JM
Escrito por

Jaime Fernando Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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