Depois de resolver a renovação de Erick Pulgar e anunciar dois reforços, o Flamengo deve ter uma reta final de janela de transferências mais tranquila — e muda o foco para a extensão do vínculo de outros atletas badalados: o zagueiro Léo Pereira e o atacante Pedro, cujos contratos terminam no fim de 2027. A iniciativa foi confirmada pelo diretor de futebol José Boto, em coletiva no Ninho do Urubu que celebrava a renovação do volante chileno: "Ele (Pulgar) foi o primeiro. A seguir deverá ser o Pedro, o Léo Pereira, assim por ordem, porque isto não se faz tudo num dia". As informações são do ge.
Os dois jogadores têm vínculo apenas até o fim de 2027 e poderiam assinar pré-contrato com outras equipes a partir do meio do ano que vem. A dupla já aguarda há algum tempo o contato do clube: Pedro foi procurado logo depois de retornar da grave lesão no joelho sofrida no fim de 2024, houve avanço nas conversas, mas restava o aceite do presidente Bap, que não aconteceu naquele momento — antes de se machucar, o camisa 9 tinha acordo verbal com a antiga gestão de Rodolfo Landim. Léo Pereira também recebeu, há alguns meses, sinalização sobre pelo menos um aumento salarial, que não se concretizou; visado pelo mercado europeu, o zagueiro foi convocado por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo e é um dos atletas mais importantes do elenco. Os dois têm salários defasados desde 2023, o que gerou incômodo interno com a chegada de novos reforços mais bem remunerados. Além da dupla, o goleiro Rossi e o jovem volante Evertton Araújo também receberam promessas de valorização salarial, e Danilo indicou "sim" para renovar e se aposentar no clube em 2027 — "terminar no clube do coração".
Por que renovar agora: o pré-contrato e o valor de mercado
Pela regra da Fifa, um jogador com contrato terminando pode assinar pré-contrato com outro clube nos últimos seis meses de vínculo — no caso de Pedro e Léo Pereira, a partir de julho de 2027 —, e sair de graça ao fim; para o Flamengo, que investiu dezenas de milhões de euros nos dois, deixar chegar a esse ponto significa perder ativos sem receber nada ou vendê-los pressionado em janeiro de 2027. A renovação antecipada resolve dois problemas: garante o jogador por mais anos e recompõe seu valor de mercado, o que permite ao clube negociar de posição de força se uma proposta europeia aparecer — o caso de Léo Pereira, que a Copa do Mundo valorizou. O incômodo com salários defasados desde 2023 é o terceiro fator: um elenco em que reforços recém-chegados ganham mais que o artilheiro e o zagueiro titular da seleção é elenco em que o vestiário cobra, e Boto, gestor português acostumado ao modelo europeu de renovações escalonadas, sabe que a ordem — Pulgar, Pedro, Léo Pereira, Rossi, Evertton — é também gestão de humor.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Flamengo está fazendo o dever de casa que o futebol brasileiro costuma adiar. "Renovar com antecedência, em ordem, com critério — 'não se faz tudo num dia' — é o que clube europeu faz e clube brasileiro raramente faz, porque prefere esperar a última hora e pagar mais ou perder de graça. Pedro tinha acordo verbal com Landim, se machucou, Bap não assinou; Léo Pereira recebeu promessa e nada; enquanto isso chegaram reforços ganhando mais. É o tipo de descuido que custa o vestiário. Boto está consertando na ordem certa: o volante que era mais urgente, depois o artilheiro, depois o zagueiro da seleção. Se fechar os dois até dezembro, o Flamengo entra em 2027 com o elenco mais estável do país. Se não, vai vender em janeiro por menos do que vale", avalia.
Pedro: o artilheiro que voltou da lesão
Contratado da Fiorentina em 2020, Pedro tornou-se o centroavante mais decisivo do Flamengo na década — artilheiro da Libertadores de 2022, ídolo da torcida —, até romper o ligamento do joelho no fim de 2024, em treino da seleção; voltou em 2025, recuperou a titularidade e o gol, e espera desde então a renovação que o clube prometera antes da lesão. Aos 29 anos, o novo contrato o levaria até os 32 ou 33, encerrando a carreira no clube.
Léo Pereira: da Copa do Mundo ao mercado europeu
Zagueiro titular desde 2020, capitão em vários jogos e convocado por Ancelotti para a Copa de 2026, Léo Pereira é o jogador do elenco com maior cotação na Europa; clubes italianos e ingleses sondaram, e o Flamengo quer renovar antes de qualquer proposta para fixar multa e salário à altura. A sinalização de aumento que não se concretizou é o ponto que o clube precisa reparar primeiro.
Pulgar: o primeiro da fila
O volante chileno, peça central do meio-campo desde 2022, renovou nesta semana — a coletiva de Boto foi para celebrar o acordo —, e sua extensão serviu de modelo: contrato mais longo, salário reajustado, ordem definida para os próximos. Foi a primeira renovação relevante da gestão Bap com jogador do núcleo titular.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o presidente Bap é o personagem central. "Pedro tinha acordo verbal com Landim; Bap assumiu, não assinou, e o jogador se machucou — desde então, o acerto espera 'o aval do presidente'. Léo Pereira recebeu promessa 'há alguns meses' e nada. É Bap quem decide, e Bap venceu a eleição prometendo racionalidade financeira depois dos anos de gastança de Landim. Renovar Pedro e Léo Pereira com salários de mercado custa caro; não renovar custa mais. O diretor Boto colocou a ordem em público na coletiva — é pressão elegante sobre o presidente. O torcedor vai cobrar; a diretoria vai assinar. A pergunta é a que valor e até quando", observa.
Rossi e Evertton Araújo: as promessas seguintes
O goleiro argentino, titular desde 2023 e um dos melhores do país, e o volante da base que virou opção regular receberam promessas de valorização salarial — o primeiro por mérito, o segundo para evitar assédio de clubes europeus que monitoram jovens do Flamengo. Ambos entram na fila depois de Pedro e Léo Pereira.
Danilo: o capitão que quer encerrar no Flamengo
O lateral e zagueiro da seleção, contratado da Juventus em 2025, indicou que renovará para se aposentar no clube em 2027 — "terminar no clube do coração" —; é a renovação mais simples, por vontade do jogador, e simbólica: o capitão da seleção escolhendo o Flamengo como último clube.
Bap, Landim e a política de salários
Luiz Eduardo Baptista, o Bap, venceu a eleição de dezembro de 2024 prometendo racionalidade financeira depois de anos em que a gestão de Rodolfo Landim montou o elenco mais caro do país — com títulos, mas com folha que pressionava o caixa mesmo com faturamento acima de um bilhão de reais —, e a primeira consequência foi a revisão de promessas herdadas, como o acordo verbal com Pedro; a contratação de José Boto, dirigente português com passagem por Benfica, Shakhtar e PAOK, trouxe o método europeu de renovações escalonadas e de contratos com metas. O incômodo com salários defasados é o custo dessa transição: jogadores que assinaram em 2022 e 2023 veem reforços de 2025 e 2026 ganhando mais, e a fila que Boto anunciou — Pulgar, Pedro, Léo Pereira, Rossi, Evertton — é a forma de equalizar sem estourar a folha. Para Bap, cada assinatura é teste da promessa de campanha.
Os dois reforços e a janela
Com dois reforços anunciados e Pulgar renovado, o Flamengo encerra a janela sem pendências de entrada; a reta final é de saídas pontuais e das renovações. O clube disputa Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, e a estabilidade do elenco é argumento de Boto para não abrir mais negociações.
Salários defasados desde 2023: o incômodo no vestiário
Pedro e Léo Pereira assinaram seus contratos atuais em 2022 e 2023, antes da inflação salarial trazida por Danilo, De la Cruz, Alex Sandro e outros; reforços chegando com remuneração maior que a de titulares históricos gerou desconforto que o clube reconhece e que a fila de renovações tenta resolver.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a coletiva de Boto é aula de comunicação de clube. "Renovou o Pulgar, anunciou a ordem dos próximos, reconheceu que a dupla espera e disse que não se faz tudo num dia. Nada de 'estamos avaliando' ou 'o clube não comenta'. O torcedor sabe o que esperar; o jogador sabe que está na fila; o presidente sabe que foi cobrado em público. É gestão profissional num clube que fatura mais de um bilhão e que, por isso, não pode perder Pedro e Léo Pereira de graça em 2027. O portal registra a ordem e vai conferir em dezembro se Bap assinou", analisa.
A definição de Pedro e Léo Pereira como prioridades de renovação do Flamengo, após o acordo com Pulgar, foi confirmada pelo diretor José Boto em coletiva no Ninho do Urubu e noticiada pelo ge em 5 de setembro de 2026; os contratos da dupla terminam no fim de 2027.
Foto: W.carter (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.