Com insucessos recentes na Libertadores e na Copa do Brasil, restou ao Cruzeiro o Campeonato Brasileiro no trimestre final da temporada. Distante de Palmeiras e Flamengo na briga pelo título, o clube tem a vaga no torneio continental de 2027 como "obrigação" estabelecida internamente. "Podemos prometer mais empenho. Vamos nos entregar mais no dia a dia, no meu trabalho, no trabalho do meu departamento, da comissão e dos atletas, para a gente entregar essa vaga direta na Libertadores", disse o vice-presidente Pedro Junio. Neste momento, os quatro primeiros do Brasileirão vão direto à fase de grupos; o cenário pode mudar conforme os campeões da Copa do Brasil, da Libertadores e da Sul-Americana. As informações são do ge.
Com a derrota para o Vasco, o Cruzeiro está fora do G-5 — que dá vaga na fase prévia —, mas segue próximo até do G-4: é sexto, com 39 pontos, a um do Bahia e a três do Fluminense, quarto colocado.
A conta: 64 pontos, 25 em 39
A história da Série A com 20 equipes aponta que um time precisa fazer, em média, 64 pontos para terminar em quarto. O Cruzeiro precisa, portanto, de 25 dos 39 pontos restantes — aproveitamento de 64,1%. É recorte abaixo dos 68,6% conquistados desde que Artur Jorge assumiu, desempenho que, mantido, seria de briga pela liderança. A média histórica tem exceções: em sete dos últimos dez anos, 64 pontos não bastaram para o quarto lugar — 2025 exigiu 67, 2024, 68. Segundo o Departamento de Matemática da UFMG, com 64 pontos uma equipe tem mais de 99% de chance de se classificar à Libertadores, ainda que pela fase prévia.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a conta é tranquilizadora e enganosa. "Sessenta e quatro pontos garantem Libertadores em 99% dos casos — mas pela prévia, não pela fase de grupos. Para a vaga direta, os últimos anos pediram 66, 67, 68. O Cruzeiro precisa de 64% de aproveitamento para o mínimo e de 70% para a garantia. Artur Jorge vem fazendo 68,6% — no meio. É factível, mas não sobra nada. Um tropeço em casa contra o Athletico, domingo, e a conta muda para 27 em 36. O vice-presidente prometeu 'mais empenho'; o que o time precisa é de menos margem de erro", avalia.
Athletico no Mineirão: confronto direto
No domingo, o Cruzeiro entra em campo pela primeira vez após a eliminação para o Atlético-MG na Sul-Americana, e o adversário é rival direto por vaga: o Athletico é terceiro, com 45 pontos. Se vencer, a Raposa pode chegar ao G-4, caso o Bahia tropece e o Fluminense perca. "Vamos ter já um jogo contra um rival direto nesse campeonato. Temos que reagir rapidamente neste momento. Temos que saber olhar para aquilo que foi feito e também para aquilo que podemos fazer", disse Artur Jorge.
As duas eliminações
A semana do Cruzeiro foi de duas quedas: na Copa do Brasil, para o Vasco, e na Sul-Americana, para o Atlético-MG — o clássico mineiro decidido contra a Raposa. Um clube que iniciou a temporada com investimento alto e ambição de título em três frentes chega a setembro com uma só, e a pressão migra do técnico para a diretoria, que responde com a promessa de empenho. É o cenário oposto ao do Palmeiras, único na briga por três títulos.
Artur Jorge: 68,6% e a cobrança
Artur Jorge, técnico português campeão da Libertadores pelo Botafogo em 2024, assumiu o Cruzeiro com a missão de repetir o feito. Os 68,6% de aproveitamento no Brasileirão são de líder; as eliminações em mata-mata, porém, são o que a torcida lembra. A vaga direta em 2027 virou a medida de sucesso mínimo da temporada — e o que separa a continuidade do treinador de uma nova troca.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Cruzeiro tem um problema de expectativa. "Sexto lugar com 68% de aproveitamento no returno é campanha boa. A diretoria chamou de 'obrigação' porque o orçamento foi de campeão e o resultado é de G-6. Artur Jorge ganhou a Libertadores pelo Botafogo há dois anos e agora tem de justificar a vaga da prévia. É a matemática do futebol brasileiro: o técnico é medido pelo mata-mata que perdeu, não pela liga que está ganhando. Vinte e cinco em 39 é meta de time organizado, e o Cruzeiro é. O que falta é o Mineirão cheio acreditar nisso no domingo", observa.
Fase de grupos x prévia: a diferença
A vaga direta à fase de grupos garante participação, receita de cotas da Conmebol e calendário previsível; a vaga na prévia obriga a duas eliminatórias em fevereiro, com risco de ficar fora antes de a temporada começar e com pré-temporada comprometida. Para um clube com folha de elite, a diferença é de dezenas de milhões e de planejamento. Por isso o G-4 é "obrigação", e o G-5 é consolo.
A história dos 64 pontos
A pontuação do quarto colocado nos 20 anos de pontos corridos com 20 clubes varia de 58 (2021) a 69 (2014); a média é 64, mas os últimos cinco anos foram mais exigentes — 65, 66, 68, 67 — com o Brasileirão mais equilibrado no topo. A tendência sugere que o Cruzeiro deve mirar 66 ou 67 para não depender de cálculo alheio: 27 ou 28 pontos em 39, aproveitamento de 70%.
Pedro Junio e a diretoria
Pedro Junio, vice-presidente de futebol, é o executivo que montou o elenco e o responsável pelas contratações de 2026 — e a promessa de "mais empenho" no meu trabalho e no do departamento é assunção pública de responsabilidade, rara em dirigentes brasileiros. O Cruzeiro, sob gestão de Pedro Lourenço desde 2024, investiu como poucos e cobra como poucos; a semana de duas eliminações colocou a diretoria no centro da cobrança da torcida, e a declaração é a resposta.
A torcida e o Mineirão
O Mineirão tem sido trunfo do Cruzeiro no Brasileirão, com médias de público entre as maiores do país e aproveitamento em casa superior ao de fora. Após duas eliminações — uma delas para o rival —, o clima para domingo é de cobrança, e o time precisa transformar pressão em apoio nos primeiros minutos. O histórico recente contra o Athletico em Belo Horizonte é favorável, mas o Furacão chega em terceiro e com Luiz Gustavo como capitão, num duelo que vale posição direta.
Sul-Americana: a eliminação para o rival
A queda para o Atlético-MG nas quartas da Sul-Americana foi o golpe mais duro: além de encerrar a chance de título continental, foi em clássico, com o Galo avançando para enfrentar o Santos. Para a torcida cruzeirense, perder mata-mata para o rival é ferida que só o Brasileirão pode fechar — e a vaga na Libertadores, à frente do Atlético na tabela, é o objetivo que restou como resposta.
Os concorrentes diretos
Fluminense (42), Bahia (40) e o próprio Cruzeiro (39) disputam a quarta e a quinta posições, com Athletico (45) um degrau acima. O Fluminense ainda joga a Libertadores, o que pode custar pontos no Brasileirão; o Bahia visita o Bragantino neste sábado buscando o G-4; o Athletico só tem o nacional. Os confrontos diretos — Cruzeiro x Athletico neste domingo é um — valem seis pontos na prática.
O que muda se campeões vierem do G-4
Se o campeão da Copa do Brasil ou da Sul-Americana já estiver no G-4 do Brasileirão, a vaga direta desce para o quinto ou sexto colocado — o cenário em que o Cruzeiro, hoje sexto, se classificaria sem chegar ao G-4. Palmeiras campeão da Copa do Brasil e Flamengo da Libertadores abririam duas vagas; é o "cenário pode mudar" que o ge menciona e que a diretoria não pode contar.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o domingo define o tom do trimestre. "O Cruzeiro perdeu duas semifinais possíveis em uma semana e joga contra o terceiro colocado no Mineirão. Se vencer, está no G-4 dependendo de tropeços e a temporada renasce; se perder, cai para sétimo e a conta vira 27 em 36 com a torcida em cima. É o jogo em que se descobre se o 68,6% de Artur Jorge era consistência ou fase. A UFMG diz que 64 pontos dão 99% — a torcida vai querer ver os três primeiros no domingo", analisa.
O Cruzeiro, sexto colocado do Brasileirão com 39 pontos, enfrenta o Athletico-PR no Mineirão neste domingo (6). Os quatro primeiros colocados garantem vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2027.
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