O Grêmio enfrenta o São Paulo neste sábado (5 de setembro) em busca de uma classificação inédita às semifinais do Brasileirão Feminino — e, para isso, precisa quebrar o tabu de nunca ter vencido a equipe paulista desde a volta à Série A, em 2020. O jogo de ida terminou 0 a 0. É a quinta vez que as Mosqueteiras disputam as quartas de final — a última em 2024, justamente contra o São Paulo —, e em todas as anteriores foram eliminadas por paulistas: Corinthians em 2020 e Palmeiras em 2021 e 2022. Desde 2020, foram dez duelos contra o São Paulo, com quatro empates e seis derrotas. As informações são do ge.
Nesta temporada, o time conta com a experiência da treinadora Jéssica de Lima, com quase uma década de mata-matas. "Desde quando existe o Campeonato Brasileiro feminino, tirando 2014, que foi a época em que a minha equipe foi tirada, todas as outras vezes, como atleta ou como treinadora, cheguei em fases de mata-mata. É um bom histórico, mas cada vez é diferente. É para mim um lugar sempre de muita emoção", contou. Sobre o ineditismo: "Quando cheguei, precisávamos vencer para sair de uma situação difícil, próximo da zona de rebaixamento. Trabalho jogo a jogo, não penso na consequência, pois isso traz ansiedade. Temos que ganhar o jogo para continuar na competição e, se isso nos traz uma situação histórica, melhor ainda. Mas não trabalhamos com esse lugar antes de competir." O Grêmio visita o São Paulo às 16h30, no estádio Brinco de Ouro, em Campinas; vitória classifica, novo empate leva aos pênaltis.
O tabu: por que o Grêmio não vence o São Paulo
Dez jogos sem vitória em seis anos contra o mesmo adversário — em fase de grupos, mata-mata e Supercopa — refletem a diferença de investimento que separou, desde 2019, os clubes paulistas do resto do país no feminino: São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos e Ferroviária concentraram patrocínio, centros de treinamento e as melhores jogadoras, enquanto Grêmio e Internacional montaram elencos competitivos com orçamento menor e alternaram bons anos com luta contra o rebaixamento. As quatro eliminações nas quartas — sempre para paulistas — são a estatística que Jéssica de Lima tenta apagar em Campinas; o 0 a 0 na ida, em Porto Alegre, mostrou equilíbrio e defesa sólida, mas o Grêmio precisa fazer o que não fez em dez tentativas: marcar e vencer. O Bahia, na sexta, mostrou que o tabu paulista pode cair — eliminou o Palmeiras nos pênaltis e virou o primeiro nordestino semifinalista.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o jogo de Campinas é sobre mais que uma vaga. "Grêmio nunca esteve numa semifinal do feminino; nunca venceu o São Paulo em dez jogos; foi eliminado quatro vezes nas quartas, sempre por paulista. Jéssica de Lima chegou com o time perto do rebaixamento e o levou ao mata-mata — e agora diz que trabalha jogo a jogo para não criar ansiedade. É a fala de técnica que sabe que o tabu pesa mais na cabeça que em campo. Se o Grêmio vencer no Brinco de Ouro, quebra três barreiras de uma vez e junta-se ao Bahia num Brasileirão que, pela primeira vez, pode ter semifinal sem domínio absoluto do eixo paulista. É o campeonato feminino ficando nacional", avalia.
Brasileirão Feminino: formato e mata-mata
A Série A1 reúne 16 clubes em turno único de pontos corridos; os oito primeiros avançam às quartas de final, disputadas em jogos de ida e volta, com mando do segundo jogo para o time de melhor campanha — regra que coloca o São Paulo em casa na volta; não há gol qualificado fora, e empate no agregado leva aos pênaltis. Semifinais e final seguem o mesmo formato, e o campeão garante vaga na Libertadores Feminina. A competição, criada pela CBF em 2013, ganhou transmissão em TV aberta e por assinatura nos últimos anos e viu o público crescer nas fases decisivas — o que dá ao jogo de Campinas visibilidade que uma quartas de final feminina não tinha há uma década.
Bahia: o exemplo da véspera
Na sexta-feira, o Bahia eliminou o Palmeiras nos pênaltis, na Arena Barueri, após empate no agregado, e tornou-se o primeiro clube nordestino a chegar a uma semifinal do Brasileirão Feminino — com a goleira Yanne defendendo duas cobranças e a equipe paulista, semifinalista habitual, caindo diante de um adversário de orçamento muito menor. O resultado é o precedente que o Grêmio observa: o tabu paulista no mata-mata pode ser quebrado por defesa organizada, disciplina e sorte nos pênaltis. Se as Mosqueteiras repetirem o roteiro no Brinco de Ouro, o Brasileirão de 2026 terá duas semifinalistas fora do eixo paulista pela primeira vez.
Jéssica de Lima: a técnica
Ex-jogadora com passagem por clubes que disputaram o Brasileirão desde as primeiras edições, Jéssica de Lima migrou para o banco e construiu carreira em mata-matas — "todas as outras vezes cheguei em fases de mata-mata" —; assumiu o Grêmio em 2026 em situação difícil e o reorganizou defensivamente, com o 0 a 0 na ida como retrato. É uma das poucas treinadoras mulheres na Série A1, em modalidade em que comissões técnicas ainda são majoritariamente masculinas.
Brinco de Ouro: o campo do São Paulo
O São Paulo manda jogos do feminino no estádio do Guarani, em Campinas, por acordo com o clube — e por falta de estádio próprio adequado na capital; o Brinco de Ouro, com gramado natural e público de interior, foi palco de decisões do feminino paulista. Para o Grêmio, jogar fora é desvantagem; para o São Paulo, casa emprestada.
2024: a eliminação para o mesmo adversário
Há dois anos, nas quartas, o São Paulo eliminou o Grêmio — a última das quatro quedas para paulistas; a repetição do confronto em 2026, com resultado de ida diferente, dá às Mosqueteiras chance de revanche. O São Paulo, semifinalista habitual, é favorito pela tradição e pelo mando.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a frase da técnica sobre 2014 merece registro. "Jéssica de Lima disse que só não chegou a mata-mata em 2014 porque 'a minha equipe foi tirada' — clube que desistiu ou foi excluído no meio da temporada, o que era rotina no feminino antes de a CBF obrigar os clubes da Série A masculina a manter equipes, em 2019. Ela viveu a era em que time feminino sumia; hoje comanda o Grêmio numa quartas de final transmitida. O Brasileirão Feminino tem 13 anos e uma geração de técnicas que jogaram quando ninguém via. O tabu contra o São Paulo é de seis anos; o caminho de Jéssica, de vinte", observa.
Grêmio e Inter: o feminino gaúcho
Os dois grandes do Rio Grande do Sul mantêm equipes na Série A1 desde 2019 e disputam o Gauchão feminino; o Internacional chegou à final do Brasileirão em 2020 — o melhor resultado gaúcho —; o Grêmio busca sua primeira semifinal. A rivalidade estende-se à formação de base e à disputa por jogadoras da região.
Semifinais: quem já está e quem falta
Bahia classificou-se eliminando o Palmeiras; Cruzeiro e Corinthians decidem após 1 a 1; Grêmio e São Paulo, após 0 a 0; a última vaga sai do quarto confronto. Se Grêmio e Bahia avançarem, será a primeira semifinal com dois clubes fora do eixo paulista-carioca desde a criação da competição.
Pênaltis: o cenário do empate
Novo 0 a 0 — ou qualquer empate — leva a decisão aos pênaltis, sem gol qualificado fora; o Grêmio, com defesa sólida, pode apostar nisso, mas o histórico de dez jogos sem vitória sugere que o time precisa de gol para mudar o roteiro. O Bahia venceu o Palmeiras exatamente assim.
O que está em jogo
Vaga na semifinal, quebra de tabu, primeiro resultado histórico da gestão de Jéssica de Lima e, para o clube, argumento de investimento no feminino — que o Grêmio trata como departamento em crescimento. Para o São Paulo, manter a hegemonia sobre as gaúchas e seguir rumo à final.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o sábado em Campinas é dia de decidir se o feminino gaúcho dá o passo. "Dez jogos sem vencer o São Paulo, quatro quartas perdidas para paulista, nunca uma semifinal. Jéssica de Lima tirou o time do rebaixamento e o levou até aqui; agora precisa de um gol no Brinco de Ouro. O Bahia mostrou na sexta que dá — nos pênaltis, com goleira de joelhos. Se o Grêmio fizer o mesmo, o Brasileirão Feminino de 2026 vai ter cara de Brasil. Se não, o tabu vira onze. A técnica está certa em não pensar na história antes do jogo. A torcida pode", analisa.
O jogo de volta das quartas de final do Brasileirão Feminino entre São Paulo e Grêmio foi disputado em 5 de setembro de 2026, no estádio Brinco de Ouro, em Campinas, após empate sem gols na ida. O Grêmio buscava a primeira semifinal de sua história na competição.
Foto: Kenneth C. Zirkel (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.