Na zona de rebaixamento do Brasileirão, eliminado pelo maior rival e sem vencer há sete partidas, o Internacional enfrenta mais um obstáculo em meio à crise: suspenso, Paulo Pezzolano não comandará a equipe à beira do campo contra o Santos, neste domingo, no Beira-Rio, e dará lugar ao auxiliar Esteban Conde. Será a quarta partida de Conde como treinador — nas três anteriores, o Colorado perdeu todas: 2 a 1 para o Ypiranga, pelo Gauchão, 1 a 0 para o Bahia e 2 a 0 para o Athletico, pelo Brasileirão. As informações são do ge.
Considerando todas as competições, o Inter não vence há sete jogos, com três derrotas; no Brasileirão, a seca dura nove partidas, com cinco derrotas. O time é 18º, com 25 pontos — os mesmos do Mirassol, primeiro fora da zona, mas com uma vitória a menos. A eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil aumentou a turbulência no Beira-Rio.
Barcellos: respaldo com prazo
O presidente Alessandro Barcellos manteve o respaldo a Pezzolano, mas mudou o tom sobre o futuro: "Precisamos pontuar para sair de onde estamos e manter o Inter na Série A. Entendemos que é este grupo, com esta comissão, que vamos para o jogo de domingo. É um jogo extremamente difícil, que vale seis pontos e precisamos da vitória." A frase "é este grupo, com esta comissão, que vamos para o jogo de domingo" é lida internamente como garantia até domingo — não além.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Inter vive a pior semana em anos. "Zona de rebaixamento, nove jogos sem vencer no Brasileirão, eliminado pelo Grêmio na Copa do Brasil, e o técnico suspenso no jogo de seis pontos contra o Santos — substituído por um auxiliar que perdeu os três jogos que dirigiu. O presidente diz que vai 'com esta comissão' para domingo, que é o jeito de dizer que segunda-feira é outro dia. É o Inter de 2026: clube grande, elenco caro, sem resultado e sem plano B. Se perder para o Santos — que também luta contra a queda —, Pezzolano cai e o clube entra em outubro com técnico novo e três pontos de desvantagem. É a temporada que a torcida colorada temia desde 2024", avalia.
Esteban Conde: o auxiliar
Esteban Conde é auxiliar permanente de Pezzolano e assume a beira do campo em suspensões — como nos três jogos anteriores, todos perdidos. Não é técnico interino: a estratégia é de Pezzolano, que "tentará juntar os cacos e organizar" o plano para o auxiliar executar. A distinção importa pouco para o resultado: o Inter, com ou sem o uruguaio no banco, não vence há nove rodadas.
Santos: o adversário que também sofre
O Santos chega ao Beira-Rio sem Neymar, lesionado por dez jogos, e também na luta contra o rebaixamento — o que faz do domingo confronto direto, "de seis pontos", como disse Barcellos. Cuca, técnico santista, prepara time para "se virar sem" o camisa 10; o Inter, para se virar sem o técnico. É jogo de dois times em crise, com o perdedor afundando.
Nove jogos sem vencer: a sequência
Cinco derrotas e quatro empates em nove rodadas do Brasileirão levaram o Inter de meio de tabela à zona de rebaixamento. A sequência inclui derrotas para Bahia e Athletico com Conde no banco e a virada sofrida no Ba-Vi... o Inter perdeu de 3 a 2 para o Bahia na rodada passada, em Salvador, após abrir vantagem. É o padrão de time que não segura resultado — problema tático e emocional que Pezzolano não resolveu.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a suspensão expõe a fragilidade da comissão. "Um auxiliar que perdeu três de três não é culpa dele — é sinal de que o time não funciona sem o técnico no banco, o que é sinal de que não funciona com ele também. Pezzolano assumiu com discurso de intensidade e o Inter virou o time que mais cede virada. A Copa do Brasil acabou no Gre-Nal, o Brasileirão está no Z-4, e o presidente já fala em 'manter na Série A' — em setembro. O Inter que disputou Libertadores há dois anos está discutindo sobrevivência. Domingo contra o Santos é o jogo em que a diretoria decide se troca antes ou depois de cair", observa.
Pezzolano: a chegada e o discurso
Paulo Pezzolano, uruguaio com passagens por Cruzeiro, Valladolid e Pachuca, assumiu o Inter com proposta de intensidade, pressão alta e transições rápidas — estilo que rendeu bons resultados no Cruzeiro em 2022. No Beira-Rio, o time não sustentou o padrão físico e passou a ceder gols no fim das partidas; a torcida, que o recebeu com expectativa, cobra desde julho. A suspensão no jogo mais importante do semestre é o azar que agrava a crise.
2016: o fantasma do rebaixamento
O Inter caiu para a Série B em 2016 — a única vez na história — e a lembrança volta a cada temporada em que o time se aproxima do Z-4. A comparação, que a torcida faz e o presidente evita, pesa nas decisões: em 2016, a diretoria demorou a trocar de técnico e o time caiu na última rodada. O discurso de Barcellos — "manter na Série A" — é o reconhecimento de que 2026 pode repetir o roteiro.
Beira-Rio: a torcida como fator
O estádio, que costuma ser trunfo do Inter, virou pressão: vaias a jogadores e à diretoria nas últimas partidas, cobrança nas redes e protestos de organizadas. Contra o Santos, a expectativa é de público grande e ambiente tenso — o que pode empurrar o time ou paralisá-lo. O auxiliar Conde, sem experiência de comando em jogo decisivo, terá de administrar o clima além da tática.
Mirassol: o time que o Inter precisa alcançar
O Mirassol, com os mesmos 25 pontos e uma vitória a mais, é o primeiro fora da zona — e o Inter precisa vencer para ultrapassá-lo. A tabela apertada na parte de baixo, com Santos, Vasco e outros próximos, faz de cada rodada uma inversão possível; a vitória sobre o Santos tiraria o Inter do Z-4 e empurraria o rival para baixo.
A eliminação no Gre-Nal
A derrota por 3 a 1 para o Grêmio na Arena, nas quartas da Copa do Brasil, foi o golpe mais duro da temporada: eliminação para o rival, em clássico, com o lateral gremista Diego Caito jogando com ombro luxado e virando símbolo de entrega — o oposto do que a torcida colorada viu no próprio time. A turbulência no Beira-Rio cresceu desde então; o Santos é a primeira chance de resposta.
Suspensão: o motivo e o efeito
Pezzolano cumpre suspensão automática por cartão — o terceiro amarelo ou uma expulsão na sequência de reclamações à arbitragem —, o que o afasta da área técnica, do vestiário no intervalo e da comunicação direta com os jogadores durante os 90 minutos. Ele pode assistir da tribuna e orientar por rádio até o início do jogo; a partir do apito, o comando é de Conde. Em times em crise, a ausência do técnico costuma pesar mais do que em times estáveis — e o histórico de três derrotas com o auxiliar sugere que o Inter é o primeiro caso.
O elenco: caro e sem resposta
O Inter montou elenco de investimento alto para 2026, com reforços de peso e folha de clube grande, e o rendimento não acompanhou. A crise é de resultado, não de recurso — o que aumenta a pressão sobre técnico e diretoria, e reduz a paciência da torcida, que já cobra mudanças. O Beira-Rio no domingo será termômetro.
O que acontece se perder
Uma derrota para o Santos mantém o Inter no Z-4, amplia a seca para dez jogos e, na leitura do mercado, encerra o ciclo de Pezzolano — com a diretoria buscando substituto para a reta final. Uma vitória tira o time da zona e dá sobrevida ao uruguaio. É jogo de definição, com o técnico assistindo da arquibancada.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o Inter chegou ao ponto de decisão. "Barcellos mudou o tom: de 'confiamos no trabalho' para 'precisamos pontuar para ficar na Série A'. É o discurso de presidente que já aceitou que pode precisar trocar. Domingo, com auxiliar no banco e Santos sem Neymar, é a última chance de Pezzolano — e talvez a última de o Inter reagir sem trauma. Se cair para o Santos em casa, a temporada vira luta contra o rebaixamento com técnico novo em outubro. O Inter de 2026 está a um jogo de virar o Inter de 2016. A torcida sabe. O Beira-Rio vai mostrar", analisa.
O Internacional enfrenta o Santos em 6 de setembro de 2026, no Beira-Rio, pela 26ª rodada do Brasileirão, com o auxiliar Esteban Conde no comando devido à suspensão de Paulo Pezzolano. O Inter é 18º colocado, com 25 pontos.
Foto: Quintin Soloviev (CC BY 4.0) via Wikimedia Commons.