Esportes

Vasco vence o Vitória no Barradão, Palmeiras segura o Santos na Vila

Cruzmaltino chega à semifinal pelo terceiro ano seguido com 2 a 0 em Salvador; Verdão empata sem gols com o Santos e avança com o 3 a 0 da ida. Jogos em novembro.

Vasco vence o Vitória no Barradão, Palmeiras segura o Santos na Vila

A noite de quarta-feira (2) definiu um dos confrontos das semifinais da Copa do Brasil: Vasco e Palmeiras. O Cruzmaltino derrotou o Vitória por 2 a 0 no Barradão, em Salvador, e o Verdão empatou sem gols com o Santos na Vila Belmiro, avançando graças ao triunfo por 3 a 0 no jogo de ida, no Nubank Parque. Os jogos da semifinal estão previstos para as duas primeiras semanas de novembro, em datas e horários que ainda serão definidos pela Confederação Brasileira de Futebol, segundo a Agência Brasil.

Para o Vasco, a classificação tem peso histórico: é a terceira vez seguida que o Gigante da Colina chega às semifinais da Copa do Brasil. Em 2025, a equipe carioca se classificou à final eliminando o rival Fluminense. No ano anterior, foi superada pelo Atlético-MG. Já o Palmeiras não chegava a essa fase desde a campanha de 2020, quando foi campeão — um intervalo longo para um clube que, no mesmo período, dominou o cenário nacional e continental em outras competições.

Barradão: pressão baiana, eficiência carioca

O Vitória entrou em campo precisando vencer após a derrota por 1 a 0 no jogo de ida, uma semana antes, em São Januário. E foi quem chegou primeiro. Aos sete minutos, na sobra de um cruzamento que o zagueiro Carlos Cuesta não conseguiu afastar, o atacante Renato Kayzer cabeceou com perigo e mandou perto da trave esquerda de Léo Jardim.

A resposta do Vasco foi ainda mais perigosa. Aos 29, o lateral Lucas Piton cruzou pela esquerda e o atacante Claudio Spinelli, de cabeça, carimbou a trave direita. Os donos da casa voltaram a assustar aos 42, em cobrança de falta do lateral Mateus Silva, da intermediária pela esquerda: a bola quicou na pequena área e o goleiro vascaíno fez a defesa no reflexo. No minuto seguinte, o Cruzmaltino ficou no quase com Ramon Rique, que apareceu na pequena área após cruzamento de Puma Rodríguez e cabeceou rente à trave.

Nos acréscimos do primeiro tempo, aos 46, o atacante equatoriano Andrés Gómez invadiu a área pela esquerda com liberdade, driblou o zagueiro Cacá, mas não pegou bem na finalização e mandou à direita da meta rubro-negra. O intervalo chegou com o 0 a 0 no placar e o Vitória ainda vivo no confronto.

Gol anulado, contra-ataque e o golpe final

As redes do Barradão até balançaram aos dez minutos do segundo tempo, mas o gol foi anulado. O zagueiro Luan Cândido, de cabeça, completou o cruzamento do atacante Diego Tarzia — mas o defensor teve a posição irregular detectada pela tecnologia do impedimento semiautomático. Foi o momento de virada psicológica da partida.

O Vitória se lançou com tudo ao ataque, e quem se deu bem foi o Vasco. Aos 35, Gómez disparou em contra-ataque, escapou da marcação do atacante Marinho e de Luan Cândido e bateu da entrada da área, no canto esquerdo do goleiro Lucas Arcanjo. O gol abateu o time da casa, e o Cruzmaltino aproveitou para criar mais oportunidades. Aos 51, veio o golpe de misericórdia: Puma Rodríguez tabelou com o atacante Facundo Colidio na área e chutou cruzado para anotar o segundo e definir o confronto por 3 a 0 no agregado.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o jogo em Salvador foi uma aula de mata-mata. "O Vasco soube sofrer. Deixou o Vitória se desgastar na pressão, escapou de um gol anulado por centímetros e, na primeira vez que o adversário se abriu de verdade, matou o jogo no contra-ataque. Três semifinais seguidas não acontecem por acaso: esse time aprendeu a jogar Copa do Brasil", avalia.

Vila Belmiro: Neymar, a falta e a lesão

Em Santos, o roteiro foi de administração. Precisando reverter o 3 a 0 sofrido no jogo de ida, o Santos se lançou ao ataque desde o início, mas não transformou a pressão em oportunidades claras. A melhor chance veio na bola parada, aos 12 minutos, com Neymar: o camisa 10 cobrou falta com força, da intermediária, e o goleiro Carlos Miguel se esticou no canto direito para defender.

Nos contra-ataques, o Palmeiras teve as chances mais perigosas da primeira etapa. Aos 17, Maurício recebeu de Flaco López quase na pequena área, mas a batida de primeira foi por cima. Dez minutos depois, após finalização do lateral Agustín Giay pela direita, salva pelo goleiro Gabriel Brazão, Maurício pegou o rebote — e, apesar do gol vazio, chutou novamente para fora.

A missão santista ficou ainda mais difícil pouco antes do intervalo, quando Neymar sentiu dores no posterior da coxa direita. Ele seguiu em campo até o fim do primeiro tempo, mas deu lugar ao atacante Rony na volta para a segunda etapa. Sem seu principal jogador e sem repetir o ímpeto inicial, o clássico ficou morno. O único susto da etapa final ocorreu aos 11 minutos, em cabeçada perigosa de Vitor Roque após cruzamento de Khellven pela direita — a bola saiu à esquerda do gol.

Confortável com a vantagem da ida, o Palmeiras apenas controlou o empate e festejou a classificação. Pela terceira vez em três confrontos, o Verdão levou a melhor sobre o Santos na Copa do Brasil.

A lesão de Neymar e o que ela significa para o Santos

A saída de Neymar com dores na coxa direita adiciona preocupação a um Santos que já vinha de eliminação. Lesões musculares posteriores costumam exigir semanas de recuperação, e o clube, fora da Copa do Brasil, passa a depender exclusivamente do Campeonato Brasileiro para salvar a temporada — sem a certeza de contar com seu principal atleta nas próximas rodadas.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a eliminação expõe um problema de elenco. "O Santos jogou a Vila Belmiro inteira em cima de uma cobrança de falta do Neymar. Quando ele saiu, o time não teve plano B. Não é culpa do jogador, é falta de alternativa. O Palmeiras, ao contrário, ganhou o confronto no jogo de ida com três gols e depois só gerenciou. É a diferença entre depender de um craque e ter um elenco", observa.

Retrospecto recente dos dois clubes na competição

A trajetória do Vasco nas últimas três edições explica por que o clube passou a ser tratado como especialista em Copa do Brasil. Em 2024, o Cruzmaltino chegou às semifinais e foi eliminado pelo Atlético-MG. Em 2025, foi além: eliminou o Fluminense na semifinal e disputou a decisão, ficando com o vice-campeonato. Em 2026, está novamente entre os quatro — a única equipe a repetir a presença nas semifinais nos três anos consecutivos.

O Palmeiras percorre o caminho inverso. Campeão em 2020, o clube passou cinco edições sem alcançar as semifinais, apesar de ter dominado outras competições no período. A campanha de 2026 tem, portanto, o peso de uma retomada — e o confronto com o Santos reforçou uma tendência: pela terceira vez em três encontros na Copa do Brasil, o Verdão eliminou o rival alvinegro.

Vasco x Palmeiras: o que esperar da semifinal

O confronto entre Vasco e Palmeiras reúne dois times em momentos distintos, mas com ambições convergentes. O Cruzmaltino, que perdeu a final de 2025, busca o título que lhe escapou por pouco e chega embalado por uma sequência de classificações que consolidou sua identidade em mata-matas. O Verdão, campeão em 2020, volta às semifinais após cinco anos e tem no elenco e na estrutura o favoritismo natural — mas enfrenta um adversário que já provou saber jogar esse tipo de decisão.

Os dois jogos, em novembro, terão mando alternado, e a definição de quem decide em casa dependerá de sorteio ou de critério da CBF. Até lá, ambos os clubes seguem em disputa no Campeonato Brasileiro, o que exigirá gestão de elenco para chegar à semifinal com força máxima.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o duelo é a semifinal mais equilibrada que a Copa do Brasil poderia produzir. "De um lado, o time que mais entendeu a competição nos últimos três anos. Do outro, o clube mais vencedor do país no período recente, que vem faminto depois de ficar cinco anos sem chegar tão longe. O Vasco tem a experiência de mata-mata; o Palmeiras tem a profundidade. Novembro vai dizer o que pesa mais", analisa.

A outra semifinal da Copa do Brasil será definida nos demais confrontos das quartas de final, também com datas a serem confirmadas pela CBF. A final está prevista para dezembro.

Foto: AGilhooley (CC BY-SA 3.0) via Wikimedia Commons.

JM
Escrito por

Jaime Fernando Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

Develop by Cliki