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Alcaraz vence Wu Yibing por 3 sets a 0 no US Open e explica a segunda camiseta

Número 3 do mundo adotou camiseta branca justa sob o uniforme depois que vídeos de seu físico viralizaram e o distraíram na segunda rodada; ele nega orientação da patrocinadora.

Alcaraz vence Wu Yibing por 3 sets a 0 no US Open e explica a segunda camiseta

Carlos Alcaraz venceu a terceira rodada do US Open nesta sexta-feira (4) por 3 sets a 0 — parciais de 6/3, 6/4 e 6/1 — sobre o chinês Wu Yibing, com um traje diferente das duas partidas anteriores: uma camiseta branca justa por baixo do kit oficial, mesmo no calor de Nova York. Na entrevista coletiva, o espanhol, terceiro do ranking da ATP, explicou o motivo com humor: "Eu acho que vi meus mamilos em excesso ultimamente. Eu senti que poderia esconder isso pelo menos por um jogo". Alcaraz acumula 90% de aproveitamento no Grand Slam americano. As informações são do ge.

A fala responde a publicações de grande repercussão nas redes sociais que destacaram o efeito do uniforme mais curto e leve das primeiras rodadas sobre o físico do jogador. Em um dos vídeos que viralizaram, é possível ouvir o público reagindo quando ele troca de camisa no banco, com dezenas de celulares apontados. Alcaraz admitiu que a exposição chegou a distraí-lo durante a segunda rodada.

A pergunta sobre os 38 graus

Questionado pelo jornalista americano Ben Rothenberg se os mamilos poderiam "voltar", diante da previsão de temperaturas de até 38 °C em Nova York nos próximos dias, o espanhol foi direto: "Eu não sei. Acho que não. Me sinto muito confortável com outra camiseta. Então, acho que permanecerei com ela". Alcaraz também negou que a decisão tenha vindo de orientação de sua fornecedora de material esportivo. "Foi minha decisão. Eu não teria problema nenhum em jogar daquele jeito novamente, mas se posso fazer algo sobre isso, acho que está bom assim."

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o episódio diz mais sobre o público do que sobre o tenista. "Um atleta de 23 anos troca de camisa no banco, como todo tenista faz há cem anos, e o estádio reage como se fosse show. Ele resolveu com uma camiseta por baixo e uma piada. O que chama atenção é que a distração foi real — ele admitiu que atrapalhou na segunda rodada. Num esporte de concentração absoluta, celular apontado na troca de camisa é interferência. Alcaraz tratou com leveza, mas o problema é do torneio", avalia.

A partida: domínio sem sustos

Em quadra, a segunda camiseta não atrapalhou. Alcaraz controlou Wu Yibing do início ao fim — 6/3 no primeiro set, 6/4 no segundo, 6/1 no terceiro —, em pouco mais de uma hora e meia de jogo, sem ceder set nem enfrentar situação de risco. O chinês, que já foi o tenista mais bem ranqueado de seu país, não encontrou resposta para a variação de golpes e a velocidade do espanhol. Foi a terceira vitória em três jogos no torneio, todas sem perder set.

Wu Yibing: o adversário

O chinês Wu Yibing tem lugar na história do tênis de seu país: foi o primeiro homem da China a vencer um torneio da ATP, em Dallas, em 2023, e chegou a figurar entre os 60 melhores do ranking. Lesões interromperam a ascensão, e ele chegou à terceira rodada do US Open como azarão — posição que o placar confirmou. Contra Alcaraz, teve poucos momentos: o 6/1 do terceiro set mostra um adversário que já não encontrava forças físicas nem táticas para prolongar a partida.

Seis Grand Slams antes dos 24

Alcaraz chega ao US Open de 2026 com seis títulos de Grand Slam: o US Open de 2022, Wimbledon em 2023 e 2024, Roland Garros em 2024 e 2025 e novamente o US Open em 2025 — conquistas em três pisos diferentes que fazem dele o jogador mais completo de sua geração. A rivalidade com o italiano Jannik Sinner, com quem divide as decisões dos grandes torneios desde 2024, é o eixo do tênis masculino atual, e um eventual encontro dos dois na final de Nova York é o cenário que o torneio e o público esperam.

90% no US Open: a relação com Nova York

O aproveitamento de 90% no Grand Slam americano reflete a história de Alcaraz com o torneio: foi ali que conquistou seu primeiro título de Grand Slam, em 2022, aos 19 anos, tornando-se o número 1 mais jovem da história — e foi ali que venceu novamente em 2025. As quadras duras de Flushing Meadows, rápidas e com quique alto, favorecem seu jogo agressivo, e o público nova-iorquino, barulhento e adepto de espetáculo, adotou o espanhol como favorito. O calor, frequente na segunda semana do torneio, é o adversário que ele diz não temer.

O calor e as regras do torneio

Com previsão de 38 °C, o US Open aplica sua política de calor extremo: pausas obrigatórias entre sets, fechamento parcial dos tetos retráteis das quadras principais e monitoramento de atletas. Tenistas costumam reduzir roupa ao mínimo — daí o uniforme curto das primeiras rodadas. Jogar com uma camiseta a mais, sob esse clima, é escolha que custa conforto; Alcaraz decidiu que o custo vale a tranquilidade. Outros jogadores, como Alexander Zverev, enfrentaram na mesma semana o que o ge chamou de "prova de resistência" para chegar à terceira rodada.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a decisão é de quem está confortável com o próprio jogo. "Alcaraz venceu três jogos sem perder set, tem 90% no torneio e está tão tranquilo que pode se dar ao luxo de jogar com camiseta a mais a 38 graus para não virar meme. Isso é confiança. O tenista que está mal não pensa em camisa; pensa em sobreviver ao jogo. Ele pensa em como aparece no vídeo. É o número 3 do mundo com margem de sobra na terceira rodada", observa.

Calor e desempenho: o custo da segunda camiseta

Jogar tênis a 38 °C é esforço no limite da fisiologia: o corpo produz calor com o exercício e precisa dissipá-lo pela pele, e cada camada de roupa a mais dificulta a evaporação do suor. Partidas longas sob esse clima causam cãibras, tontura e, nos casos graves, insolação — razão pela qual a ATP e os Grand Slams adotaram regras de pausa e monitoramento. A escolha de Alcaraz por uma camiseta justa adicional aumenta, em tese, a carga térmica; na prática, o espanhol compensou com partidas curtas e domínio que reduzem o tempo em quadra. Se chegar a jogos de cinco sets na segunda semana, a decisão poderá ser revista — como ele mesmo admitiu.

Redes sociais e o corpo do atleta

O caso reabre uma discussão que o esporte enfrenta há anos: até onde o corpo do atleta é público. Mulheres do tênis lidam com isso há décadas — comentários sobre roupa, físico e aparência acompanham cada partida —, e a viralização de Alcaraz mostra que a exposição chegou aos homens com a mesma intensidade. A diferença é o tom: no caso do espanhol, a reação foi de admiração e piada, e ele respondeu no mesmo registro. Mas a distração que admitiu é real, e a invasão de influenciadores no US Open, que irrita tenistas — Aryna Sabalenka reclamou até de cheiro de maconha na quadra —, é parte do mesmo fenômeno.

Os brasileiros no torneio

Enquanto Alcaraz avança nas simples, o Brasil tem presença forte nas duplas: Luisa Stefani e Gabriela Dabrowski, segunda melhor dupla do mundo, garantiram vaga no WTA Finals e venceram a estreia em Nova York; Marcelo Melo, Rafael Matos, Orlando Luz, Marcelo Demoliner e Fernando Romboli disputam as duplas masculinas. Bia Haddad Maia, principal tenista brasileira, anunciou casamento nesta semana e falou sobre "o preço que paguei pelo tênis".

O que vem para Alcaraz

Com três vitórias sem perder set, o espanhol chega à segunda semana como um dos favoritos ao título. O caminho até a final passa por adversários de ranking crescente e pelo calor previsto, que tende a ser fator nas partidas de cinco sets. Se mantiver o aproveitamento, disputa em Nova York seu terceiro título do US Open.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a história da camiseta vai durar menos do que o torneio. "Daqui a uma semana ninguém vai lembrar da camiseta; vão lembrar do resultado. Alcaraz sabe disso e por isso resolveu rápido, com bom humor, sem transformar em polêmica. É a maturidade de quem já ganhou vários Grand Slams antes dos 25. O tênis precisa de menos celular na arquibancada e mais gente assistindo ao jogo — e ele acabou de dizer isso sem dizer", analisa.

Carlos Alcaraz enfrenta na próxima rodada o vencedor do confronto de sua chave, em data a ser definida pela organização do US Open. O torneio segue até o segundo fim de semana de setembro em Flushing Meadows.

Foto: Timothy Akolamazima (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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