O Campeonato Brasileiro Feminino A1 chega ao fim de semana decisivo das quartas de final. Entre sexta-feira (4) e segunda-feira (7), quatro confrontos de volta definem quem avança às semifinais da edição de 2026 — e o cenário, após os jogos de ida, promete disputas equilibradas em três dos quatro duelos. A TV Brasil transmite dois deles: Palmeiras x Bahia, nesta sexta, às 21h30, na Arena Barueri, e Ferroviária x Flamengo, no sábado (5), às 16h30, na Fonte Luminosa, em Araraquara. As informações são da Agência Brasil.
O pano de fundo da fase é histórico. O Flamengo tenta interromper uma sequência de nove títulos consecutivos de equipes paulistas na principal competição do futebol feminino brasileiro — o último clube de fora do estado a ser campeão foi justamente o Rubro-Negro, em 2016. Do outro lado, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Ferroviária representam a hegemonia que São Paulo construiu na última década.
Palmeiras x Bahia: empate leva aos pênaltis
O primeiro confronto da rodada de volta coloca as Palestrinas diante do Bahia na Arena Barueri. Depois do empate por 1 a 1 no jogo de ida, na segunda-feira (31), em Salvador, nova igualdade no placar leva a decisão aos pênaltis; quem vencer se classifica. O Palmeiras tem a seu favor um retrospecto em casa impecável no campeonato: em nove jogos, sete vitórias, dois empates e nenhuma derrota.
"A técnica Rosana Augusto, do Palmeiras, deve fazer algumas modificações para esse jogo de volta, que deve ser muito disputado, mas com leve favoritismo para o Palmeiras por jogar em casa", projetou Rachel Motta, comentarista da TV Brasil.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o Bahia chega com mais a ganhar. "Um time nordestino que empata em casa com o Palmeiras e vai a Barueri com a vaga em aberto já quebrou a lógica do campeonato. As Palestrinas são favoritas, invictas em casa, com elenco mais caro. Mas quartas de final de ida e volta com empate na ida são o cenário em que o azarão mais surpreende. É o jogo mais imprevisível da rodada", avalia.
Ferroviária x Flamengo: o Rubro-Negro joga pelo empate
Em Araraquara, o Flamengo chega em vantagem. A equipe carioca foi a única mandante a vencer nos jogos de ida — 1 a 0, com gol de Mariana logo no início da partida — e agora joga por um empate para se classificar. As Guerreiras Grenás precisam vencer por pelo menos dois gols de diferença para avançar nos 90 minutos; vitória por um gol leva a decisão aos pênaltis.
A Ferroviária tem histórico de goleadas em casa no campeonato: 4 a 1 sobre o América-MG, 3 a 0 sobre o Mixto e 2 a 0 sobre o Vitória, todas na Fonte Luminosa. Mas o Flamengo mostrou organização defensiva no jogo de ida. "A Ferroviária dentro de casa é muito forte, mas acredito que se o Flamengo repetir a organização e a forma como jogou no jogo de ida conseguirá se classificar", afirmou Rachel Motta.
O simbolismo do confronto vai além da vaga. Se o Flamengo avançar, mantém viva a possibilidade de o título deixar São Paulo pela primeira vez em uma década — e de o próprio clube repetir a conquista de 2016, a última de um time não paulista.
São Paulo x Grêmio: a melhor campanha contra a última vaga
No mesmo sábado, às 16h30, São Paulo e Grêmio se enfrentam no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas, após empate por 0 a 0 no jogo de ida, no Rio Grande do Sul. A situação é idêntica à de Palmeiras e Bahia: empate significa pênaltis, vitória classifica. O contraste de campanhas é o maior da fase — o Tricolor paulista foi dono da melhor campanha da primeira fase, enquanto o Grêmio passou na oitava e última vaga.
O histórico recente favorece as Soberanas: na sétima rodada, em abril, o São Paulo venceu o Grêmio por 3 a 1, resultado que ajudou a levar o time à liderança da fase de classificação. Mas o 0 a 0 em Porto Alegre mostrou que as gaúchas conseguiram neutralizar o ataque tricolor ao menos uma vez.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o confronto expõe o abismo entre elite e resto. "Melhor campanha contra oitavo colocado, e o oitavo segurou o 0 a 0 fora de casa. Isso mostra duas coisas: que o Grêmio tem organização, e que o São Paulo ainda não encontrou como decidir jogos de mata-mata. Campanha boa na primeira fase não classifica ninguém nas quartas. O Tricolor precisa provar isso em Campinas", observa.
Corinthians x Cruzeiro: as Brabas em vantagem
O confronto que fecha a fase, na segunda-feira (7), às 17h, no Canindé, tem o mandante em situação mais confortável. O Corinthians foi a única equipe a vencer fora de casa no jogo de ida: 1 a 0 em Belo Horizonte, com um golaço de Vic Albuquerque aos 50 minutos do segundo tempo. As Brabas podem empatar que avançam. Uma vitória do Cruzeiro por um gol de diferença leva a decisão aos pênaltis; para classificar nos 90 minutos, as Cabulosas precisam vencer por dois ou mais gols — e, fora de casa, o time mineiro venceu apenas duas vezes no campeonato.
O Corinthians é o clube mais vitorioso da era recente do futebol feminino brasileiro, e a vantagem construída em Belo Horizonte reforça o favoritismo. Mas o gol de Vic Albuquerque nos acréscimos mostra que o jogo de ida foi mais equilibrado do que o placar sugere.
Nove anos de hegemonia paulista, título por título
A sequência que o Flamengo tenta interromper começou em 2017, com o Santos. Em 2018, o Corinthians conquistou o primeiro de seus títulos na era profissional; a Ferroviária quebrou a série corintiana em 2019; e, de 2020 a 2025, as Brabas venceram seis edições consecutivas, consolidando-se como a maior potência do futebol feminino do país. Nove títulos, quatro clubes, todos paulistas — um domínio que reflete o investimento mais antigo e mais consistente dos clubes do estado na modalidade.
O último campeão de fora de São Paulo foi o próprio Flamengo, em 2016, então em parceria com a Marinha. Desde então, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia produziram semifinalistas e finalistas, mas nenhum campeão. É esse ciclo que as quartas de 2026 podem, enfim, encerrar.
O formato: 16 clubes, turno único, mata-mata em ida e volta
O Brasileirão Feminino A1 reúne 16 clubes em uma primeira fase de pontos corridos em turno único, com 15 rodadas. Os oito melhores avançam ao mata-mata, disputado em jogos de ida e volta desde as quartas de final, com o mando do segundo jogo para a equipe de melhor campanha — é por isso que Palmeiras, Ferroviária, São Paulo e Corinthians decidem em casa. Não há gol qualificado fora de casa: empate no placar agregado leva a decisão aos pênaltis.
O formato premia a regularidade da primeira fase com a vantagem do mando, mas não com vantagem de resultado, o que mantém o mata-mata aberto — como mostram os empates nos jogos de ida de três dos quatro confrontos. A final, também em ida e volta, costuma ser disputada entre setembro e outubro, encerrando o calendário nacional antes da Data Fifa de fim de ano.
O que está em jogo
As quatro vagas nas semifinais definem o desenho da reta final de uma competição que cresceu em visibilidade, público e investimento nos últimos anos. A transmissão em TV aberta de dois jogos das quartas pela TV Brasil é parte desse movimento — e o interesse em torno da possibilidade de um campeão não paulista adiciona narrativa a uma fase que, nos últimos anos, costumava ser previsível.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o fim de semana pode marcar uma virada. "Nove títulos paulistas seguidos é hegemonia, e hegemonia esvazia campeonato. Se o Flamengo passar pela Ferroviária e o Bahia surpreender o Palmeiras, teremos duas semifinais com times de fora de São Paulo — e um Brasileirão Feminino mais nacional do que em qualquer ano da última década. Isso é bom para o futebol feminino inteiro, inclusive para os paulistas, que precisam de rival à altura", analisa.
Os confrontos das semifinais serão definidos ao fim da rodada de segunda-feira, com datas e locais a serem anunciados pela CBF. Pelo regulamento, o cruzamento segue a classificação da primeira fase: o melhor colocado entre os classificados enfrenta o pior, e o segundo melhor enfrenta o terceiro — o que significa que, se São Paulo e Corinthians avançarem, as duas equipes só poderão se encontrar na final.
Foto: U.S. Army photo by Spc. Dean Johnson (Public domain) via Wikimedia Commons.