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Douglas Luiz celebra bom início na Juventus após dois empréstimos na Inglaterra

Titular nas duas primeiras rodadas do Italiano, volante de 28 anos está entre os líderes do elenco em passes certos e distância percorrida; Juve pega o Milan no domingo.

Douglas Luiz celebra bom início na Juventus após dois empréstimos na Inglaterra

Titular da Juventus nas duas primeiras rodadas do Campeonato Italiano, Douglas Luiz está empolgado com o começo de temporada. O volante de 28 anos, que voltou ao clube italiano após dois empréstimos ao futebol inglês, reiterou que disputar a Série A com a camisa da Juve foi seu desejo para a carreira — e que o técnico Luciano Spalletti lhe deu o aval. "Fico feliz por esse bom início de temporada, porque o retorno à Itália foi uma vontade minha. Falei com meu estafe e com o pessoal do clube que faria o necessário para buscar meu espaço aqui. Quero vencer com a camisa da Juventus e retribuir todo carinho e investimento que eles fizeram", disse. As informações são do ge.

O brasileiro está entre os líderes do elenco em passes certos e distância percorrida nos primeiros jogos — dois indicadores que descrevem exatamente o que se espera de um volante moderno: controle da bola e cobertura de campo. A Juventus enfrenta o Milan neste domingo, às 15h45 de Brasília, pela terceira rodada, no primeiro grande teste da temporada.

O caminho de volta

Douglas Luiz foi comprado pela Juventus no meio de 2024, vindo do Aston Villa, em negócio de cerca de 50 milhões de euros — uma das maiores contratações da história recente do clube para o meio-campo. A temporada 2024/25, porém, foi decepcionante: lesões, poucos minutos e adaptação difícil ao esquema de Thiago Motta, técnico então no comando. Em 2025/26, o clube o emprestou ao Nottingham Forest e, depois, de volta ao Aston Villa, também em caráter temporário. Ao fim do empréstimo, o brasileiro retornou a Turim, integrou-se à pré-temporada e deixou claro que queria ficar.

"O Spalletti sempre disse que jogaria quem estivesse bem, que confiava no meu futebol e sabia que eu teria bom desempenho quando estivesse preparado. Temos um elenco muito qualificado, com muitos jogadores de qualidade e todos temos que estar prontos para ajudar quando necessário", afirmou Douglas.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a história é a de um jogador que recusou o rótulo de contratação errada. "Cinquenta milhões de euros, um ano ruim, dois empréstimos: no futebol de hoje, isso é sentença — o clube vende com prejuízo e o jogador vira 'aposta que não deu certo'. Douglas Luiz fez o contrário: voltou, fez pré-temporada, convenceu o técnico e é titular. Não por contrato, mas por desempenho. É raro. E é o tipo de virada que a torcida da Juventus, que já o tinha descartado, aprende a respeitar", avalia.

Spalletti: o técnico que confia

Luciano Spalletti assumiu a Juventus na temporada passada, depois de comandar a seleção italiana e de conquistar o título da Série A com o Napoli em 2023, após 33 anos de espera. É um treinador conhecido pelo futebol de posse e pela exigência tática sobre os volantes — os jogadores que, no seu sistema, iniciam a construção e sustentam a pressão. Para Douglas Luiz, o encaixe é natural: no Aston Villa, sob Unai Emery, ele se consolidou exatamente nesse papel, com passe longo, chegada à área e leitura defensiva, e chegou à seleção brasileira.

Quem é Douglas Luiz

Revelado pelo Vasco, onde estreou em 2016 aos 18 anos, Douglas Luiz foi vendido ao Manchester City em 2017, mas nunca atuou pelo clube inglês: sem autorização de trabalho, foi emprestado ao Girona, na Espanha, por duas temporadas. Em 2019, o Aston Villa o comprou, e foi em Birmingham que se tornou o jogador que a Europa passou a disputar: cinco temporadas, mais de 200 jogos, gols de falta e de bola parada, e a convocação para a seleção brasileira, com a qual conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021. A transferência para a Juventus, em 2024, foi o auge de mercado — e o início do período mais difícil.

Tóquio 2021: o ouro olímpico

O ponto alto da carreira de Douglas Luiz com a camisa do Brasil foi a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio, disputados em 2021, quando foi titular do meio-campo da seleção olímpica comandada por André Jardine, ao lado de Bruno Guimarães — que hoje é peça central da seleção principal. O bicampeonato olímpico consecutivo, após o ouro do Rio 2016, consolidou a geração que Ancelotti e seus antecessores vêm aproveitando. A dupla com Bruno Guimarães, que funcionou em Tóquio, é o argumento que Douglas Luiz carrega toda vez que seu nome volta a ser discutido para a seleção.

Os empréstimos na Inglaterra

No Nottingham Forest, na primeira metade de 2025/26, o volante teve sequência irregular, em um time que brigava por posições europeias; o retorno ao Aston Villa, na segunda metade, foi mais produtivo — ambiente conhecido, técnico que o valoriza, posição definida. Os dois empréstimos, porém, tinham o objetivo de recuperar ritmo e valor de mercado, e não de definir o futuro. A decisão de voltar a Turim e disputar posição foi, segundo o jogador, dele: "Falei com meu estafe e com o pessoal do clube que faria o necessário para buscar meu espaço aqui."

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a insistência do jogador é também estratégia de carreira. "Douglas tem 28 anos. Se aceitasse ser vendido para um clube médio, entraria na fase de declínio de mercado sem ter jogado numa grande potência. A Juventus é a chance de disputar Champions e de voltar à seleção — o Ancelotti olha para quem joga nos grandes. Ele apostou que conseguiria a posição, e conseguiu nas duas primeiras rodadas. Agora precisa segurar no Milan, no Inter, na Champions. A temporada dele se decide nos clássicos", observa.

O que os números dizem

Estar entre os líderes do elenco em passes certos e em distância percorrida, nas duas primeiras rodadas, descreve um volante que participa de tudo: recebe do zagueiro, distribui para os lados, avança para pressionar e volta para cobrir. No futebol de posse de Spalletti, o número de passes certos mede a confiança que o time deposita no jogador como ponto de passagem da bola; a distância percorrida mede a disposição para fazer o trabalho sem bola — fechar linhas de passe, acompanhar o meia adversário, chegar à área. Douglas Luiz sempre teve o primeiro atributo; o segundo é o que a temporada ruim de 2024/25 colocou em dúvida e o que os primeiros jogos de 2026/27 recuperam.

A Juventus de 2026/27

A Juventus não vence o Campeonato Italiano desde 2020, quando encerrou uma sequência de nove títulos consecutivos — jejum inédito para o clube mais vitorioso da Itália. As temporadas seguintes tiveram punições por irregularidades contábeis, troca de técnicos e reconstrução de elenco. Spalletti chegou para devolver ao time uma identidade de jogo e a ambição de disputar o título com Inter, Milan e Napoli, e a diretoria manteve o núcleo que investiu pesado em 2024 — Douglas Luiz incluído. O início com duas vitórias e a volta à Liga dos Campeões colocam o clube na disputa; o clássico contra o Milan é a primeira medição real.

A concorrência no meio-campo

O elenco "muito qualificado" a que Douglas se refere é literal: a Juventus tem no meio-campo jogadores de seleção italiana, francesa e sul-americana disputando duas ou três vagas, e a rotação de Spalletti é conhecida — quem está bem joga, quem cai de rendimento senta. A titularidade nas duas primeiras rodadas, portanto, não é garantia; é ponto de partida. O brasileiro sabe disso, e a frase "todos temos que estar prontos para ajudar quando necessário" é a de quem entendeu a regra do técnico.

A seleção no horizonte

Douglas Luiz foi presença frequente nas convocações da seleção entre 2021 e 2024, mas a temporada ruim na Juventus o tirou das listas de Carlo Ancelotti, e ele não disputou a Copa do Mundo de 2026. O meio-campo brasileiro é setor em renovação, e um volante titular da Juventus, com números de passe e de deslocamento entre os melhores do elenco, volta a ser candidato natural. O jogador não fala em seleção na entrevista — o foco declarado é o clube —, mas o caminho é evidente.

Juventus x Milan: o teste

O jogo de domingo contra o Milan, em Turim, é o primeiro clássico da temporada e a medida real do início da Juventus. Vitórias nas duas primeiras rodadas contra adversários menores valem três pontos cada; a partida contra o rival histórico vale a confirmação — ou não — de que o time de Spalletti é candidato ao título, algo que a Juventus não conquista desde 2020. Para Douglas Luiz, é a oportunidade de mostrar, em jogo grande, que a titularidade não é circunstância.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o caso serve de lição para quem julga cedo demais. "Em 2024, Douglas Luiz era 'o volante de 50 milhões que não joga'. Em 2026, é titular do Spalletti. O que mudou não foi o jogador; foi o técnico, a preparação e a paciência. O futebol descarta rápido e raramente revisita. Quando um jogador força a revisão — voltando, treinando, esperando a chance —, merece que a narrativa seja corrigida. A dele está sendo", analisa.

Juventus e Milan se enfrentam neste domingo, às 15h45 de Brasília, em Turim, pela terceira rodada do Campeonato Italiano 2026/27.

Foto: W.carter (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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