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FIA rebate Briatore e defende a independência dos juízes que tiraram de Gasly o pódio de Mônaco

Corte de Apelação restaurou em 25 de agosto a punição de 10 segundos por velocidade nos boxes; Hadjar recupera o terceiro lugar. Alpine "aceita o resultado", mas questiona o painel.

FIA rebate Briatore e defende a independência dos juízes que tiraram de Gasly o pódio de Mônaco

A FIA rebateu neste sábado, por comunicado, as acusações de Flavio Briatore sobre a independência dos juízes no caso que culminou com a perda do pódio de Pierre Gasly no GP de Mônaco. A entidade defendeu a condução do processo e afirmou que nenhuma das partes apresentou objeção à composição do painel durante a audiência. Na sexta, na coletiva dos chefes de equipe em Monza, o chefe da Alpine questionou a independência de um dos quatro juízes, afirmando que ele tem relação com a McLaren — equipe que, com a Red Bull, pediu a revisão que restaurou as punições ao francês. As informações são do ge.

"Os Tribunais da FIA esclarecem que a nomeação e a participação dos juízes nesse caso seguiram os procedimentos judiciais aplicáveis e a prática habitual, baseados nos mais altos padrões, como as Diretrizes da IBA sobre conflitos de interesse em arbitragem internacional", diz a nota. "Tanto no início quanto no fim da audiência, as partes foram convidadas a levantar qualquer questão relacionada ao procedimento ou à composição do Tribunal. Nenhuma o fez."

O caso: 10 segundos em Mônaco

Gasly e outros pilotos foram punidos no GP de Mônaco, em 7 de junho, por exceder o limite de velocidade nos boxes. O francês cruzou a linha em terceiro, mas a penalidade de dez segundos o derrubou a sétimo. A Alpine pediu anulação, alegando problema de medição que gerou punições inconsistentes, e foi atendida num primeiro momento — o pódio foi devolvido. McLaren e Red Bull apelaram, e a Corte Internacional de Apelação, em audiência em Paris em 25 de agosto, restaurou a punição. Isack Hadjar, da Red Bull, recuperou o terceiro lugar na prova vencida por Kimi Antonelli.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, Briatore fez o que sempre fez. "Perdeu na corte, aceitou o resultado e atacou o juiz — na coletiva de Monza, em casa, com a imprensa italiana inteira. É o método Briatore desde os anos 1990: transformar derrota jurídica em polêmica pública. Pode ter razão sobre o juiz? Talvez. Mas a FIA tem o argumento definitivo: a Alpine foi convidada duas vezes a objetar à composição do painel e não objetou. Descobrir a 'foto com a McLaren em 2018' depois da sentença é tática, não denúncia. Stella respondeu com a palavra certa: ofensivo. E Gasly perdeu o pódio duas vezes — na pista e na coletiva", avalia.

A acusação: "ele era um promotor"

"Desculpe, mas isso é muito injusto. Aceitamos a decisão, mas o que é muito estranho é que, dos quatro juízes do painel, um deles age como um promotor; ele tem uma ligação muito forte com a McLaren, pois temos uma bela foto desse cara no discurso para a McLaren em 2018, na McLaren Special Operations, em Beverly Hills. Ele tem uma fundação chamada One Drop Foundation, e a McLaren doou um carro para ele", disse Briatore. "Esse juiz foi muito desagradável durante a audiência. Depois, descobrimos o motivo. Nossa grande dúvida é esta: por que alguém ligado à McLaren fazia parte do painel neste caso?"

A resposta da FIA: declarações de independência

A FIA detalhou o mecanismo: todos os juízes são eleitos pelas Assembleias Gerais, sujeitos a exigências de independência e confidencialidade, fazem declarações anuais de interesses ao responsável de compliance e assinam declaração específica de independência para cada caso, considerando as questões e as partes. "Uma decisão pode gerar diferentes interpretações e comentários sobre seus méritos jurídicos; isso é legítimo e aceito pelos juízes. O Tribunal está confiante na solidez do processo e na integridade dos juízes." A entidade destacou ainda a diversidade cultural e geográfica dos painéis como fator de imparcialidade.

Stella: "ofensivo para a McLaren"

Andrea Stella, chefe da McLaren, classificou as acusações como ofensivas e disse que Briatore deve assumir a responsabilidade: "Considero que essa conversa, ao seguir nessa direção, seja bastante ofensiva para a McLaren, para a reputação de uma equipe que merece muito respeito. E se alguém fizer esse tipo de alegação, que parece bastante grave, terá que assumir a responsabilidade pelo que está dizendo em um fórum público. A audiência e todo o processo no Tribunal Internacional de Apelação foram conduzidos de acordo com os mais altos padrões."

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o episódio expõe a fragilidade do sistema de justiça da F1. "A FIA é federação, regulador, promotor e tribunal ao mesmo tempo — os juízes são eleitos pela assembleia da própria FIA. Briatore explora essa ambiguidade: se o juiz tem fundação que recebeu carro da McLaren, o conflito é plausível, mesmo que declarado. O que a FIA responde é procedimento — declaração assinada, convite a objetar. É resposta correta e insuficiente: a percepção de parcialidade, na F1, vale tanto quanto a parcialidade. A solução seria tribunal arbitral externo, como o CAS. Enquanto a FIA julgar a si mesma, Briatore terá palco", observa.

A nota da Alpine

A equipe expressou "decepção e frustração" com o resultado e manteve "integralmente a posição de que o carro #10 não excedeu o limite de velocidade do pit lane em nenhum momento durante a corrida", mas reconheceu a decisão. "Embora o resultado não seja o que esperávamos, já que consideramos ter sido punidos injustamente, a equipe está totalmente focada em continuar melhorando seu desempenho na pista e permanece na disputa pelo Campeonato." Briatore, por sua vez, disse que "vamos pensar no que podemos fazer a seguir" — sem descartar novas medidas.

O problema de medição: a origem

O protesto original da Alpine se baseou em falha de medição de velocidade no pit lane de Mônaco, que teria gerado punições inconsistentes entre pilotos — uns penalizados, outros não, por leituras semelhantes. A FIA reconheceu o problema ao anular as punições em junho; McLaren e Red Bull argumentaram que a anulação seletiva alterava o resultado de forma indevida, e a Corte de Apelação concordou. O mérito técnico segue controverso; o processual, encerrado.

Hadjar e Antonelli: os beneficiados

Com a restauração da punição, Isack Hadjar, da Red Bull, recupera o terceiro lugar em Mônaco — seu primeiro pódio na categoria, obtido na pista e perdido por dois meses. Kimi Antonelli, vencedor da prova pela Mercedes, não é afetado. Para a Red Bull, são pontos importantes no Mundial de Construtores; para a Alpine, a perda de quatro posições de Gasly pesa numa briga apertada no meio do grid.

Briatore na Alpine: o retorno

Flavio Briatore voltou à F1 em 2024 como consultor executivo da Alpine, após o banimento pelo caso do GP de Singapura de 2008 — o "Crashgate" — ter sido revertido na Justiça francesa. Assumiu o comando de fato da equipe e traz o estilo combativo que o marcou na Benetton e na Renault. A coletiva de Monza é o Briatore de sempre: aceita a decisão e ataca a instituição.

O que vem: Monza e além

O GP da Itália segue neste fim de semana com a polêmica no paddock; a FIA não indicou medidas contra Briatore, e a Alpine não formalizou nova ação. O caso Gasly encerra-se juridicamente com a decisão da Corte de Apelação, mas a discussão sobre a independência dos tribunais da FIA — antiga na categoria — ganha novo capítulo.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a briga é maior que o pódio. "Dez segundos em Mônaco valem um terceiro lugar para Gasly e um primeiro pódio para Hadjar — importa, mas não é o ponto. O ponto é Briatore dizer, em Monza, que um juiz da FIA era promotor da McLaren. Se for verdade, a FIA tem problema de governança; se for mentira, Briatore tem problema de conduta. A FIA respondeu com procedimento; Stella, com indignação; a Alpine, com nota resignada. Nenhum dos três resolve a pergunta que o paddock faz há décadas: quem julga a FIA? Enquanto a resposta for 'a FIA', casos assim vão se repetir", analisa.

A Corte Internacional de Apelação da FIA restaurou em 25 de agosto de 2026 a punição de dez segundos a Pierre Gasly no GP de Mônaco, retirando-lhe o terceiro lugar. A FIA divulgou nota em 5 de setembro defendendo a independência dos juízes após críticas de Flavio Briatore.

Foto: Mitja at w:Picasa (CC BY 3.0) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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