Seis anos após conquistar a primeira vitória da carreira no Circuito de Monza, Pierre Gasly faturou, enfim, uma pole position inédita na classificação do GP da Itália neste sábado (5 de setembro). A volta de 1m21s786 do francês superou George Russell no soar do sino; Oscar Piastri ficou em terceiro. Gabriel Bortoleto ficou em 11º por apenas 0s001, mas larga em décimo graças à punição de Andrea Kimi Antonelli. As informações são do ge.
Gasly esperou 190 GPs pela pole inédita, obtida num fim de semana que começou dramático para o francês: a Federação Internacional do Automobilismo tirou pela segunda vez o pódio conquistado por ele no GP de Mônaco, e neste sábado contestou as acusações do chefe da equipe, Flavio Briatore. É também a primeira pole da história da Alpine, que assumiu em 2021 o espólio da Renault — sucessora, por sua vez, de Lotus, Renault e Benetton, com origem na Toleman da década de 1980. Bortoleto avançou ao Q2 com um modesto mas suficiente 12º lugar, mas foi eliminado no segmento intermediário por 0s001; apesar da chance perdida, larga à frente do colega de Audi, Nico Hülkenberg, 14º. Antonelli, da Mercedes, Alexander Albon, da Williams, e Liam Lawson, da Red Bull, largam do fundo do grid por substituições de componentes de motor além do limite de peças, o que altera as posições; Piastri será investigado por atrapalhar Lawson. O vácuo teve papel no Q3: pilotos tentam andar rápido à frente dos colegas de equipe para lhes dar velocidade nas retas — Mercedes e Red Bull usaram o recurso, mas a Alpine levou a melhor. O grid: Gasly (Alpine) 1m21s786; Russell (Mercedes) +0s060; Piastri (McLaren) +0s180; Charles Leclerc (Ferrari) +0s218; Lewis Hamilton (Ferrari) +0s225; Max Verstappen (Red Bull) +0s284; Franco Colapinto (Alpine) +0s434; Lando Norris (McLaren) +0s470; Arvid Lindblad (Racing Bulls) +0s500; Bortoleto (Audi), Oliver Bearman (Haas), Hülkenberg (Audi), Carlos Sainz (Williams), Esteban Ocon (Haas) e Yuki Tsunoda (Racing Bulls) eliminados no Q2; Valtteri Bottas e Sergio Pérez (Cadillac), Fernando Alonso e Lance Stroll (Aston Martin) eliminados no Q1; Antonelli, Albon e Lawson punidos.
Monza, o templo — e a Alpine que nunca tinha largado na frente
O Autódromo Nacional de Monza, o circuito mais rápido e mais antigo do calendário, é onde a Fórmula 1 celebra a Ferrari e onde, em 2020, Pierre Gasly venceu pela AlphaTauri numa corrida caótica — a única vitória de sua carreira até hoje e uma das maiores zebras do século; a pole de 2026, com 0s060 sobre Russell e uma Alpine que passou 2025 no fundo do grid, é surpresa da mesma ordem e diz muito sobre o regulamento novo: os motores híbridos de 2026, com metade da potência elétrica e combustível sustentável, e os carros menores e mais leves reembaralharam a hierarquia, e a Alpine — que abandonou o motor Renault próprio e passou a usar a unidade Mercedes — encontrou em Monza, onde a potência de reta e a eficiência do vácuo decidem, a combinação certa, com Colapinto em sétimo confirmando que não foi acaso. A equipe francesa, herdeira de Toleman, Benetton e Renault — títulos com Schumacher em 1994 e 1995, Alonso em 2005 e 2006 —, nunca tinha feito uma pole sob o nome Alpine, e a conquista chega no fim de semana em que Briatore, seu chefe, acusou a FIA de perseguição após a federação retirar pela segunda vez o pódio de Mônaco por irregularidade técnica. Para Bortoleto, a classificação foi de sabor amargo: um milésimo — a menor unidade que a F1 mede — separou o brasileiro da Audi do Q3, e a punição de Antonelli o colocou em décimo, na zona de pontos, com Hülkenberg quatro posições atrás; para a Ferrari, em casa, quarto e quinto são decepção; e para as novatas Cadillac, com Bottas e Pérez, a eliminação no Q1 é o retrato do primeiro ano.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a pole de Gasly é a Fórmula 1 no seu melhor. "Um piloto que esperou 190 corridas, numa equipe que passou o ano passado na lanterna, no circuito onde fez a única vitória da vida, na semana em que a federação tirou seu pódio pela segunda vez — e ele crava a volta mais rápida por seis centésimos. É roteiro de cinema, e é o regulamento novo funcionando: em 2026, quem acerta o pacote surpreende, e Monza, com reta longa e vácuo, é onde a Alpine com motor Mercedes acertou. Bortoleto perdeu o Q3 por um milésimo — a diferença de um piscar — e vai largar em décimo pela punição de outro; é a F1 dando com uma mão o que tirou com a outra. O portal torce pelo brasileiro amanhã e registra: a primeira pole da Alpine é também a primeira de Briatore desde que voltou — e ele vai lembrar a FIA disso", avalia.
Gasly: 190 GPs de espera
Estreante em 2017 pela Toro Rosso, promovido e rebaixado pela Red Bull em 2019, vencedor em Monza em 2020, na Alpine desde 2023 — Gasly construiu reputação de piloto rápido em carro mediano; a pole de sábado, na 191ª largada, é a confirmação tardia e o melhor resultado de classificação da carreira.
Alpine: da lanterna à pole
Última do campeonato de construtores em 2025, a equipe de Enstone trocou o motor Renault pelo Mercedes para 2026, reorganizou a direção sob Briatore e chegou a Monza com o carro mais eficiente em reta; a pole é a primeira da marca Alpine e a primeira da estrutura desde a Renault de 2012.
Bortoleto: 0s001 e o décimo lugar
O paulista, em seu segundo ano na F1 e primeiro pela Audi, ficou a um milésimo de Tsunoda no Q2 e herdou a décima posição com a punição de Antonelli; é a segunda vez no ano que larga entre os dez, e o objetivo no domingo é pontuar num circuito em que a Audi tem motor próprio e novo.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o resultado é também um retrato do grid de 2026. "Cadillac nova nos dois últimos, Aston Martin com Alonso fora no Q1 apesar do motor Honda e do Newey, Ferrari em casa em quarto e quinto, Verstappen em sexto com uma Red Bull que não é mais a de antes, e Alpine na pole. O regulamento embaralhou tudo, e é bom para o espetáculo. Para o Brasil, o dado é Bortoleto: um milésimo do Q3, décimo no grid, à frente do companheiro experiente — ele está entregando o que a Audi esperava. O portal registra o grid e o lembrete: em Monza, largar na frente é meio caminho; o outro meio é o vácuo na reta principal, onde Russell e Piastri vão tentar", observa.
Briatore x FIA: o pano de fundo
A federação retirou o pódio de Gasly em Mônaco por irregularidade técnica, restituiu após recurso e retirou de novo nesta semana; Briatore acusou a FIA de perseguição, e a entidade respondeu no sábado negando parcialidade — a pole, horas depois, deu ao chefe italiano o argumento que faltava.
Punições: Antonelli, Albon e Lawson no fundo
Os três excederam o limite anual de componentes de motor e largam das últimas posições; o italiano da Mercedes, que tinha classificação para o Q3, perde o GP de casa; a reorganização do grid promove Bortoleto e outros, e a investigação sobre Piastri por atrapalhar Lawson pode alterar mais.
A tática do vácuo: por que Monza é diferente
Nas retas de mais de um quilômetro, o carro que anda atrás ganha velocidade com a resistência do ar reduzida; equipes coordenam os dois pilotos para que um "puxe" o outro na volta rápida — Mercedes e Red Bull fizeram isso no Q3 —, e o cronômetro do sábado premiou a Alpine, que sincronizou Colapinto e Gasly.
A corrida de domingo: o que esperar
Gasly larga na frente com Russell e Piastri ao lado, Ferrari em casa atrás, Verstappen em sexto e Antonelli vindo do fundo; DRS, vácuo e a primeira chicane decidem; a Alpine precisa provar ritmo de corrida, e Bortoleto, segurar o décimo — o ponto que a Audi busca em seu primeiro ano.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a classificação é lembrete de que a F1 ainda surpreende. "Depois de anos de Red Bull e McLaren dominando, um sábado com Alpine na pole, Ferrari fora da primeira fila em casa e Cadillac aprendendo é o esporte respirando. Gasly mereceu; Briatore vai comemorar contra a FIA; Bortoleto larga em décimo por um milésimo e uma punição alheia. O portal registra Monza 2026 e marca o domingo: se a Alpine segurar, é a maior zebra desde — bem, desde Gasly em 2020, no mesmo lugar", analisa.
A classificação do GP da Itália de Fórmula 1, em Monza, com a primeira pole position da carreira de Pierre Gasly e da história da Alpine e Gabriel Bortoleto em 11º por 0s001 — promovido a 10º pela punição de Antonelli —, ocorreu em 5 de setembro de 2026 e foi noticiada pelo ge; a corrida é no domingo, 6 de setembro.
Foto: David Merrett from Daventry, England (CC BY 2.0) via Wikimedia Commons.