O técnico do Paysandu, Júnior Rocha, pode alcançar uma marca difícil de conquistar no futebol brasileiro: permanecer no mesmo clube do primeiro até o último jogo da temporada. Contratado ainda em novembro de 2025, ele participou da montagem do elenco bicolor; agora restam seis jogos, caso o time não avance à final da Série C — se garantir a vaga na decisão, serão até oito até o fim do ano. As informações são do ge.
Se ficar no cargo até a participação do Paysandu terminar na Série C, Júnior Rocha vai igualar o feito que apenas o lendário Givanildo Oliveira e Márcio Fernandes conquistaram neste século: o "Giva" assumiu o time em fevereiro de 2000 e só deixou o clube em setembro de 2002, e Márcio comandou o Papão em todos os jogos da temporada de 2022. Alguns treinadores ficaram por longo período — casos de Dado Cavalcanti e Hélio dos Anjos —, mas não do primeiro ao último jogo. A estreia de Júnior foi uma vitória por 2 a 0 sobre o São Raimundo, no Campeonato Paraense; após 40 jogos, ele disputa o quadrangular que pode definir o acesso à Série B. Entre a partida contra o São Raimundo, a primeira de 2026, e o duelo contra o Maringá, na última rodada da primeira fase da Série C, o treinador conquistou o Parazão, a Copa Norte e a Copa Verde; ao todo, são 41 jogos no comando, com 24 vitórias, cinco empates e 12 derrotas.
Um técnico o ano inteiro: por que a marca de Júnior Rocha é rara no Brasil — e o que o Paysandu ganha com ela
O futebol brasileiro troca de técnico como nenhum outro: as vinte equipes da Série A fizeram, em média, mais de duas trocas por temporada na última década, a B e a C repetem o padrão com menos dinheiro e mais pressa, e um treinador que começa e termina o ano no mesmo clube é exceção estatística — Abel Ferreira no Palmeiras, Filipe Luís no Flamengo, poucos mais —, o que torna o caso do Paysandu, clube de massa de Belém com torcida entre as maiores do Norte e histórico de demissões a cada tropeço, uma anomalia digna de registro: Givanildo Oliveira, o técnico que levou o Papão à Série A e à Libertadores em 2003, ficou de 2000 a 2002 em era de menos pressão; Márcio Fernandes sobreviveu a 2022 inteiro; e Júnior Rocha, contratado em novembro de 2025 para reconstruir um time recém-rebaixado da Série B, montou o elenco, venceu o Parazão contra o Remo, a Copa Norte e a Copa Verde — três títulos regionais num ano — e chega ao quadrangular da Série C com 24 vitórias em 41 jogos, aproveitamento de 63%, o suficiente para que a diretoria, pela primeira vez em anos, não tenha motivo para demitir. O que a marca mede é continuidade — de ideia de jogo, de elenco, de comissão —, o ativo mais escasso do futebol brasileiro e o mais correlacionado com acesso: dos últimos dez times que subiram da Série C, a maioria manteve o técnico a temporada inteira, enquanto os que trocaram no meio, como o próprio Paysandu em anos anteriores, ficaram pelo caminho. A Série C de 2026, com quadrangulares decididos em seis rodadas e quatro vagas para a B, é o teste final: se Júnior Rocha subir, iguala Giva e Márcio e recoloca o Papão na segunda divisão com três taças no armário; se não subir, a pergunta é se a diretoria manterá a lógica da continuidade ou voltará ao padrão. Para o futebol do Norte, que exporta técnicos para o Sudeste e importa demissões, é o exemplo que Remo, Manaus e Amazonas observam.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a marca de Júnior Rocha é a notícia mais importante do Paysandu em anos. "Não é o título do Parazão nem a Copa Verde — é ter um técnico do primeiro ao último jogo. No Brasil, isso é milagre; no Paysandu, que demite ao terceiro empate, é revolução. Giva fez em 2000 e levou o clube à Libertadores; Márcio fez em 2022; Júnior Rocha está a seis jogos de fazer, com três taças e 63% de aproveitamento. Se subir, prova o que a Ponte, o Guarani e metade da Série C não entendem: continuidade vale mais que contratação. O portal registra a estatística e torce — e lembra que Araras, na Copa Paulista, e o interior inteiro trocam de técnico como se fosse pneu. Belém está ensinando", avalia.
Os números: 41 jogos, 24 vitórias, três títulos
Estreia com 2 a 0 sobre o São Raimundo no Parazão; títulos do Campeonato Paraense, da Copa Norte e da Copa Verde; primeira fase da Série C encerrada contra o Maringá; 24 vitórias, cinco empates, 12 derrotas em 41 partidas — aproveitamento próximo de 63%, o melhor de um técnico do Papão em uma temporada completa desde Giva.
Givanildo Oliveira: 2000 a 2002
O "Giva", ídolo do Paysandu, comandou o clube por dois anos e meio, com títulos estaduais e o acesso que culminou na Série A e na Libertadores de 2003 — a era de ouro bicolor; sua permanência é a referência de continuidade que o clube nunca mais repetiu por tanto tempo.
Márcio Fernandes: 2022 inteiro
Comandou o Papão em todos os jogos daquela temporada, com título estadual e campanha na Série C que não terminou em acesso; foi a última vez que um técnico cruzou o ano inteiro em Belém — até Júnior Rocha, quatro anos depois.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a continuidade é a variável que o futebol brasileiro se recusa a medir. "Todo dirigente sabe que trocar técnico no meio do ano piora o time — a estatística é clara —, e todos trocam, porque a torcida cobra e a demissão é a única decisão visível que o cartola pode tomar. O Paysandu, este ano, resistiu: perdeu 12 jogos, manteve Júnior Rocha, ganhou três taças e está no quadrangular. É simples e ninguém faz. O portal registra e sugere aos clubes do interior paulista que copiem o Papão antes de copiar o elenco: a Ponte trocou de técnico e de meio time; está na lanterna. O Paysandu não trocou; está brigando pelo acesso", observa.
Dado Cavalcanti e Hélio dos Anjos: as passagens longas que não fecharam o ano
Os dois treinadores tiveram períodos extensos no comando bicolor — Hélio, em mais de uma passagem —, mas foram contratados ou demitidos no meio da temporada; a marca de Júnior Rocha exige começar e terminar, o que separa longevidade de continuidade completa.
O quadrangular: seis ou oito jogos para o acesso
A segunda fase da Série C reúne oito times em dois grupos; os dois primeiros de cada sobem à Série B, e os líderes disputam a final; o Paysandu tem seis rodadas — e mais duas, se chegar à decisão — para confirmar o retorno à segunda divisão de onde caiu em 2025.
Parazão, Copa Norte, Copa Verde: os três títulos
O estadual sobre o Remo, a competição regional do Norte e a Copa Verde — que dá vaga na Copa do Brasil — compõem a melhor temporada regional do clube em anos; para a torcida, o acesso é o que falta para transformar um ano bom em histórico.
A rotatividade de técnicos no Brasil: o contexto
Mais de duas trocas por clube por temporada na Série A, e padrão semelhante nas divisões inferiores; estudos de desempenho mostram que a troca raramente melhora os resultados de forma sustentada; clubes que mantêm o técnico por temporadas completas — Palmeiras, Flamengo, Bragantino em seus melhores anos — são os que mais vencem.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a estatística do ge deveria ser lida em toda diretoria. "'Pode igualar Giva e Márcio Fernandes' — o feito é ficar no emprego o ano todo. Diz tudo sobre o futebol brasileiro que isso seja manchete. Júnior Rocha ganhou três títulos, tem 63% de aproveitamento e está a seis jogos do acesso; em muitos clubes, teria sido demitido na terceira derrota da Série C. O portal registra e torce pelo Papão no quadrangular, não só pelo acesso, mas pelo precedente: técnico que fica, time que sobe. Que Belém prove ao país", analisa.
A possibilidade de o técnico Júnior Rocha comandar o Paysandu em todos os jogos da temporada de 2026 — feito que apenas Givanildo Oliveira, entre 2000 e 2002, e Márcio Fernandes, em 2022, alcançaram neste século — foi destacada pelo ge em 5 de setembro de 2026; o treinador soma 41 jogos, 24 vitórias e os títulos do Parazão, da Copa Norte e da Copa Verde, e disputa o quadrangular de acesso da Série C.
Foto: Sancos (CC BY 4.0) via Wikimedia Commons.