A tenista brasileira Luisa Stefani venceu com tranquilidade sua estreia nas duplas femininas do US Open, em Nova York, ao lado da canadense Gabriela Dabrowski. Nesta quinta-feira (3), a parceria derrotou a russa Irina Khromacheva e a tcheca-moldava Anastasia Detiuc por 2 sets a 0, com parciais de 6/1 e 6/3, e avançou à segunda rodada do último Grand Slam da temporada. Antes mesmo de entrar em quadra, Stefani e Dabrowski já comemoravam outra conquista: a classificação antecipada para o WTA Finals, torneio que reúne as oito melhores duplas do ano, em novembro, em Indian Wells, na Califórnia. As informações são da Agência Brasil.
As adversárias da próxima rodada sairão do confronto entre a italiana Sara Errani com a austríaca Lilli Tagger e as norte-americanas Anicka e Kristina Penickova, marcado para esta sexta-feira (4). A partida de Stefani e Dabrowski na segunda rodada ainda não tem horário definido.
Segunda melhor dupla do ano
A vaga no WTA Finals coroa a temporada mais consistente da parceria Brasil-Canadá. Stefani e Dabrowski formam a segunda melhor dupla de 2026, com três títulos — o WTA 1000 de Dubai, o WTA 500 de Estrasburgo e o WTA 250 de Eastbourne — e campanhas profundas nos Grand Slams: final de Wimbledon e semifinais do Aberto da Austrália e de Roland Garros. O anúncio oficial da classificação foi feito pela WTA nas redes sociais antes do início do US Open.
O torneio de fim de temporada, de 8 a 15 de novembro, é a disputa mais restrita do circuito: só as oito duplas de melhor ranking anual participam. Stefani conhece o palco — no ano passado, foi vice-campeã do WTA Finals, então disputado na Arábia Saudita, quando jogava com a húngara Timea Babos. A parceria com Dabrowski, formada para 2026, elevou o patamar: de finalista do Finals a segunda colocada do ranking anual com meses de antecedência.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a classificação antecipada diz mais do que o resultado da estreia. "Garantir vaga no Finals antes do último Grand Slam significa que a dupla foi a segunda mais regular do ano inteiro — Dubai, Estrasburgo, Eastbourne, final em Wimbledon, semifinal na Austrália e em Paris. Não é uma sequência de sorte; é uma parceria que funciona em piso duro, saibro e grama. Stefani está no melhor momento da carreira, e o US Open é o lugar para provar isso", avalia.
A trajetória de Stefani
Luisa Stefani, paulistana de 29 anos, é a tenista brasileira de maior sucesso nas duplas na história recente. Conquistou o bronze olímpico em Tóquio 2020, ao lado de Laura Pigossi, na primeira medalha do tênis brasileiro em Jogos Olímpicos. Semanas depois, no US Open de 2021, sofreu grave lesão no joelho durante uma semifinal — e passou quase um ano fora das quadras, em recuperação. O retorno foi gradual, com parcerias variadas, até a consolidação com Babos em 2025 e, agora, com Dabrowski.
A canadense, por sua vez, é uma das duplistas mais experientes do circuito, com títulos de Grand Slam em duplas mistas e presença constante no topo do ranking. A combinação de sua experiência com a agressividade de rede de Stefani explica a regularidade da temporada.
Dabrowski: a parceira que fechou o quebra-cabeça
Gabriela Dabrowski, de 34 anos, é a duplista mais bem-sucedida da história do tênis canadense. Foi campeã do US Open de 2023 em duplas femininas, ao lado da neozelandesa Erin Routliffe, tem títulos de Grand Slam em duplas mistas — Roland Garros e Aberto da Austrália — e conquistou o bronze olímpico em Paris 2024 nas mistas, com o compatriota Félix Auger-Aliassime. É uma jogadora de fundo sólido e devolução precisa, que se encaixa com o estilo agressivo de rede de Stefani.
A parceria foi formada para a temporada de 2026 depois que Stefani encerrou o ciclo com Timea Babos, e os resultados vieram rápido: título no WTA 1000 de Dubai ainda no primeiro trimestre, final em Wimbledon em julho. Para Dabrowski, o US Open tem peso especial — é o Grand Slam que ela já venceu e onde conhece cada detalhe das quadras de Flushing Meadows.
Marcelo Melo: 40 anos e ainda em quadra
Entre os brasileiros das duplas masculinas, o caso de Marcelo Melo merece registro. O mineiro, de 40 anos, foi número 1 do mundo em duplas e conquistou Roland Garros em 2015 e Wimbledon em 2017 — os dois maiores títulos da história do tênis brasileiro na modalidade. Segue competindo em Grand Slams com parceiros variados, agora o australiano John Peers, e enfrenta em Nova York uma dupla difícil, formada por Kecmanovic e Duckworth, dois jogadores de simples que se juntam para o torneio.
A longevidade de Melo ilustra uma particularidade das duplas: a exigência física menor permite carreiras que se estendem além dos 35 anos, idade em que a maioria dos tenistas de simples já se aposentou. Ele e Rafael Matos, seu ex-parceiro, representam duas gerações do tênis brasileiro no mesmo torneio.
O US Open dos brasileiros
A estreia de Stefani foi a nota positiva de um dia misto para o Brasil em Nova York. A primeira brasileira a entrar em quadra na quinta-feira foi Laura Pigossi, em parceria com a húngara Panna Udvardy — mas a dupla se despediu precocemente, superada por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/0.
Nas duplas masculinas, cinco brasileiros entram em quadra nesta sexta-feira (4) pela primeira rodada, em horários ainda indefinidos. O gaúcho Marcelo Demoliner, ao lado do taiwanês Ray Ho, encara os norte-americanos Jackson Withrow e Nathaniel Lammons. A dupla 100% brasileira formada por Rafael Matos e Orlando Luz enfrenta os norte-americanos Nikita Samuel Filin e Brandon Carpico. O mineiro Marcelo Melo, ex-parceiro de Matos, joga com o australiano John Peers contra o sérvio Miomir Kecmanovic e o australiano James Duckworth. E o carioca Fernando Romboli, com o francês Térence Atmane, pega os alemães Kevin Krawietz e Tim Puetz — uma das duplas mais fortes do circuito.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a presença brasileira nas duplas é um fenômeno que merece ser entendido. "O Brasil não tem hoje um jogador de simples entre os 30 melhores, mas tem seis, sete duplistas de elite circulando em Grand Slam ao mesmo tempo. Stefani no topo, Melo com 40 anos ainda competitivo, Matos, Demoliner, Romboli, Luz. É uma escola: o tenista brasileiro que não chega ao topo das simples migra para as duplas e prospera. Não é o cenário ideal, mas é resultado — e medalha olímpica veio daí", observa.
Duplas: o outro tênis
O tênis de duplas vive à sombra das simples em audiência e premiação, mas tem características próprias que o tornam disputa de alto nível técnico: pontos mais curtos, jogo de rede intenso, comunicação constante entre parceiros e uma estratégia de posicionamento que não existe no jogo individual. Duplistas especializados, como Stefani, Dabrowski, Melo e Errani, construíram carreiras longas exatamente porque a modalidade exige menos do físico e mais da leitura de jogo.
O WTA Finals de duplas, com apenas oito equipes, é o reconhecimento anual desse circuito paralelo — e chegar lá pela segunda vez consecutiva coloca Stefani em um grupo restrito.
O que vem pela frente
No US Open, Stefani e Dabrowski entram como uma das cabeças de chave e favoritas ao título — o único Grand Slam que faltou à parceria nesta temporada, em que já fizeram final em Wimbledon e semifinais na Austrália e em Paris. O caminho passa pela segunda rodada contra Errani/Tagger ou Penickova/Penickova e, depois, por confrontos progressivamente mais difíceis até a final, prevista para o último fim de semana do torneio.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o calendário favorece. "A dupla já garantiu o Finals. Isso tira a pressão de ranking e permite jogar o US Open pelo título, não pelos pontos. É a melhor condição possível: chegar a Nova York como segunda do mundo, com vaga em Indian Wells no bolso, e só ter que pensar na próxima partida. Se Stefani ganhar um Grand Slam neste ano, será a temporada mais completa de uma brasileira na história do tênis", analisa.
A segunda rodada das duplas femininas do US Open será disputada no fim de semana. O WTA Finals de 2026 acontece de 8 a 15 de novembro em Indian Wells, nos Estados Unidos.
Foto: Timothy Akolamazima (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.