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Maurício Barbieri se reencontra no Juventude, líder da Série B

Revelado como interino do Flamengo em 2018, Barbieri comandou o Bragantino em mais de 150 jogos e na primeira Libertadores do clube, e passou por Vasco, Juárez e Athletico.

Maurício Barbieri se reencontra no Juventude, líder da Série B

A ponta da tabela e os números do Juventude na Série B colocaram o trabalho do técnico Maurício Barbieri de novo na vitrine. Há dez meses em Caxias do Sul, ele vive a maior sequência em um clube no país desde a histórica campanha pelo Bragantino, em 2022. Em entrevista ao ge, o treinador disse-se feliz com o momento da carreira e com a oportunidade de se destacar em cenário nacional, e comentou a possibilidade de título — a "cereja do bolo" de uma temporada que tem o acesso como objetivo. As informações são do ge.

"Vi o movimento de vir para cá com muita naturalidade, muito em função do que o clube tem feito e se organizado. Para mim, era importante voltar para uma equipe que me desse condições de mostrar o meu trabalho no cenário nacional. Em 2024, fiquei fora do país em uma oportunidade no México", contou Barbieri, em sua primeira passagem pelo futebol gaúcho. Ele ganhou notoriedade no Flamengo, em 2018: interino de Carpegiani, assumiu com a demissão do treinador e somou 38 partidas; teve passagem de maior destaque pelo Bragantino, com mais de 150 jogos e a disputa da primeira Libertadores do clube; treinou Vasco e Juárez, do México, antes de assumir o Athletico por cinco meses, em 2025, também na Série B. "Acho que em algum momento, quando os resultados não aparecem, as pessoas acabam não olhando para o que de bom foi feito. Voltar para cá é a possibilidade de construir novas histórias, resgatar tudo isso. E não com intuito para fora, estou muito feliz aqui. Meu foco está em continuar trilhando um bom caminho, atingir os objetivos e depois o resto vem com naturalidade", completou. No horizonte há perspectiva de renovação: o presidente Fábio Pizzamiglio já manifestou o desejo de estender o vínculo, e a tendência é que o clube espere a definição do acesso para negociar; diante da possibilidade de outros convites, o técnico deixou o futuro aberto, mas ressaltou não haver motivos para negar. "Não tenho nada pensado, por estar seguindo esse mantra de viver cada dia de uma vez. Não cheguei a conversar com o presidente, nem com ninguém. A possibilidade está 100% em aberto. Me sinto muito feliz dentro do clube, na cidade e com o momento", disse. "Vejo muito mais fatores para o sim do que para o não. Preciso entender qual é o projeto para o ano que vem no momento oportuno. Mas não vejo nenhum senão. Na hora certa e com os resultados vamos ter essa conversa e espero que seja um desfecho positivo para todos."

De interino do Flamengo a líder da Série B: a carreira de um técnico de método

Barbieri pertence à geração de treinadores brasileiros formados fora do campo — não foi jogador profissional, estudou educação física e análise de desempenho, trabalhou nas categorias de base e no Audax de Fernando Diniz antes de chegar ao Flamengo como auxiliar — e sua trajetória é o retrato das oportunidades e das armadilhas dessa geração: efetivado no Flamengo aos 36 anos, em 2018, após a saída de Carpegiani, fez 38 jogos com aproveitamento razoável, foi demitido sob pressão da torcida e viu Abel Braga e depois Jorge Jesus colherem o que o elenco prometia; no Bragantino, com o projeto da Red Bull, teve tempo e estrutura — mais de 150 jogos, uma final de Sul-Americana em 2021, a primeira Libertadores do clube em 2022 e o reconhecimento de um futebol de posse e pressão que serviu de referência —, e a demissão em 2023 quando os resultados caíram; no Vasco, meses; no Juárez, no México, um ano de experiência fora; no Athletico, cinco meses de Série B em 2025 sem acesso. O Juventude, clube pequeno de Caxias do Sul que oscila entre a Série A e a B com orçamento modesto e organização elogiada, é onde Barbieri encontrou, aos 44 anos, o que pedia: dez meses de trabalho, elenco montado com sua participação e um time que lidera a Série B com o melhor ataque e uma das melhores defesas, a caminho do acesso e com chance real de título — o que seria o primeiro troféu nacional da carreira. A frase sobre "resgatar o que de bom foi feito" é a de um técnico que se sente subavaliado pelas demissões e que vê em Caxias a chance de reescrever a narrativa; e a renovação "100% em aberto" é a linguagem de quem sabe que um acesso com título atrai propostas de Série A — e que o Juventude, com Pizzamiglio, quer segurá-lo.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a entrevista é a de um técnico que aprendeu com as quedas. "Barbieri foi jogado no Flamengo cedo demais, teve no Bragantino o melhor trabalho de sua vida e foi demitido mesmo assim, passou por Vasco, México e Athletico sem tempo — e agora, num clube pequeno com projeto, lidera a Série B por dez meses. É a história de muito técnico brasileiro bom: falta paciência de dirigente, sobra cobrança de torcida. O Juventude deu tempo, e o tempo virou liderança. O portal registra a frase mais honesta — 'quando o resultado não vem, ninguém olha o que foi feito' — e torce para que o acesso venha com título, a cereja que ele merece. E que Pizzamiglio renove antes que a Série A o leve, como levou tantos", avalia.

O Juventude de 2026: líder com método

Rebaixado em 2025, o clube reorganizou-se com orçamento controlado, manteve base do elenco, contratou Barbieri em novembro e lidera a Série B com folga, com futebol de posse e pressão alta que o técnico consolidou no Bragantino; o acesso está próximo, e o título — que o clube conquistou em 1994 — é objetivo declarado.

Bragantino 2022: a referência

Mais de 150 jogos, final da Sul-Americana em 2021, Libertadores em 2022, um futebol reconhecido como um dos mais organizados do país; a demissão em 2023 encerrou o ciclo que Barbieri chama de "histórico" — e que ele busca repetir, em escala menor, em Caxias.

Flamengo 2018: os 38 jogos

Interino após Carpegiani, efetivado sob pressão, Barbieri comandou o Flamengo por meio ano com aproveitamento decente, mas sem títulos, e saiu sob críticas; o elenco que ele deixou ganhou tudo com Jorge Jesus em 2019 — o que alimentou a percepção, que ele contesta, de que não estava pronto.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a renovação é o teste do modelo do Juventude. "Clube pequeno que faz bom trabalho perde técnico para clube grande — é a regra. Barbieri diz que há mais fatores para o sim e que quer conhecer o projeto de 2027; Pizzamiglio espera o acesso para negociar. Se o Juventude subir e o técnico ficar, o clube prova que projeto segura gente; se ele for para uma Série A, o clube recomeça. O portal registra a entrevista e a lição para o futebol do interior — inclusive o paulista, de Ponte, Guarani e Ferroviária: dar tempo é o que faz técnico bom, e segurá-lo é o que faz clube grande", observa.

Vasco, Juárez, Athletico: as passagens curtas

No Vasco, meses de 2023 sem tempo; no Juárez, em 2024, um ano no México que Barbieri descreve como oportunidade fora do país; no Athletico, cinco meses de Série B em 2025 sem acesso — passagens que ele trata como aprendizado e que reforçam a importância dos dez meses em Caxias.

Pizzamiglio e o projeto 2027

O presidente do Juventude declarou desejo de renovar e deve abrir negociação após o acesso; o projeto para 2027 — orçamento de Série A, reforços, estrutura — é o que Barbieri quer conhecer antes de decidir; o clube, historicamente, perde técnicos e jogadores para times maiores, e tenta mudar o padrão.

Título da Série B: a "cereja"

O Juventude nunca venceu a Segunda Divisão nacional — foi campeão da Série B em 1994 sob outro formato —; o título de 2026, com a liderança consolidada, seria o primeiro troféu nacional de Barbieri e um marco para o clube, que prioriza o acesso mas não esconde a ambição.

Técnicos de método no Brasil: a geração de Barbieri

Diniz, Barbieri, Mano Menezes em outra geração, Zubeldía e estrangeiros de formação acadêmica — o futebol brasileiro aprendeu a valorizar treinadores que não foram jogadores, mas ainda os demite rápido; a trajetória de Barbieri, com sucesso onde teve tempo, é argumento pela paciência.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o "mantra de viver um dia de cada vez" é sabedoria de sobrevivente. "Técnico brasileiro dura em média seis meses; Barbieri está há dez no Juventude e chama isso de maior sequência em anos. É triste e é verdade. Ele lidera, quer o título e deixa a renovação aberta porque sabe que amanhã pode ser demitido ou contratado — os dois acontecem com a mesma facilidade. O portal registra a entrevista e deseja o acesso com título, para que, pelo menos uma vez, alguém olhe o que de bom foi feito", analisa.

A entrevista de Maurício Barbieri ao ge sobre o momento do Juventude, líder da Série B, e a possibilidade de renovação para 2027 foi publicada em 5 de setembro de 2026; o técnico está há dez meses no clube de Caxias do Sul, sua maior sequência desde a passagem pelo Bragantino, encerrada em 2023.

Foto: AddedUpdatePoster (CC0) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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