Neymar deve desfalcar o Santos por pelo menos dez jogos nesta reta final de temporada, por causa de uma lesão de grau 2 na coxa direita com prazo de recuperação de até dois meses. O número pode subir para 13 se o clube avançar na Copa Sul-Americana e tiver o clássico atrasado contra o São Paulo remarcado para setembro ou outubro. A lesão é considerada moderada — ruptura parcial de fibras, edema e dores intensas no reto femoral, uma das principais estruturas do quadríceps, fundamental para erguer a perna, flexionar o quadril e estender o joelho. As informações são do ge.
Para evitar recaídas, o estafe do jogador descarta acelerar a reabilitação: Neymar tem histórico de lesões, inclusive no mesmo local, no ano passado. A estimativa de retorno é de seis a oito semanas — e, em todos os casos desde a volta ao Santos, ele nunca conseguiu antecipar o retorno, sempre precisando do tempo máximo previsto ou mais.
O calendário sem Neymar
Nas próximas oito semanas, de 6 de setembro a 28 de outubro, o Santos disputa oito partidas pelo Brasileirão, sem contar o clássico atrasado contra o São Paulo, ainda sem data. Pela Sul-Americana, decide vaga nas semifinais contra o Atlético-MG nas próximas duas semanas — ida na Vila Belmiro, volta na Arena MRV —, e Neymar está fora de ambos. Se o time avançar, as semifinais ocorrem entre 13 e 21 de outubro, muito provavelmente também sem ele. No cenário otimista para o clube e pessimista para o jogador, são 12 ausências, 13 com o clássico.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a lesão chega no pior momento possível. "O Santos briga contra o rebaixamento e por uma vaga na semifinal da Sul-Americana ao mesmo tempo — e perde o único jogador que decide sozinho. Dez jogos é um quarto do que resta na temporada. Cuca foi honesto: vai se virar sem ele. O problema é que o elenco foi montado para orbitar Neymar, e sem ele o time é o mesmo que quase caiu em 2023. A lesão de grau 2 no reto femoral, pela segunda vez no mesmo lugar, é sinal de músculo que não aguenta a carga. Aos 34 anos, o corpo está dizendo o que a carreira já sabia", avalia.
Reto femoral: a lesão e o prazo
O reto femoral é o músculo central do quadríceps, o único que cruza duas articulações — quadril e joelho —, o que o torna especialmente exigido em chutes, arrancadas e frenagens. Lesões de grau 2 envolvem ruptura parcial das fibras com edema e dor intensa, e o prazo médio de retorno em atletas de elite é de quatro a oito semanas, com risco alto de recidiva se a reabilitação for encurtada. O histórico de Neymar — lesão no mesmo músculo em 2025 — justifica a cautela do estafe.
Retorno em novembro: o que sobra
A partir de 4 de novembro, quando completa nove semanas de tratamento, o Santos tem mais uma rodada do Brasileirão. Se recuperado, Neymar pode disputar as últimas cinco ou seis partidas do campeonato nacional e uma eventual final da Sul-Americana, marcada para 21 de novembro. É o cenário em que o camisa 10 volta para decidir o que o time terá conseguido segurar sem ele — a permanência na Série A e, no melhor caso, um título continental.
O histórico desde a volta
Neymar enfrenta lesões desde o retorno ao Santos, em janeiro de 2025: problemas na coxa esquerda, no reto femoral da coxa direita — a região atual —, no menisco do joelho esquerdo e na panturrilha direita, esta antes e durante a Copa do Mundo. Em nenhum caso conseguiu antecipar a volta. A sequência é a de um atleta cujo corpo, após a ruptura do ligamento cruzado em 2023 e anos de lesões musculares, não sustenta mais a rotina de jogo a cada três dias.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Santos precisa decidir o que Neymar é. "Cinco lesões em vinte meses, nenhuma antecipada. Neymar não é mais um jogador de 50 jogos por ano; é um jogador de 25. O Santos pode aceitar isso e montar um time que funcione sem ele — com ele como reforço nos jogos grandes — ou continuar planejando a temporada em torno de alguém que passa metade dela no departamento médico. Cuca já entendeu: 'vamos nos virar sem ele'. A diretoria precisa entender na renovação de contrato. É o dilema do ídolo: o Santos precisa dele na Vila Belmiro, mas não pode depender dele em campo", observa.
Cuca: "se virar sem ele"
Ciente dos recorrentes problemas físicos do capitão, o técnico Cuca se adiantou: o Santos vai precisar "se virar sem ele" na reta final do Brasileirão. É a declaração de um treinador que já montou times sem estrela e que sabe que a dependência de Neymar era, também, uma dependência tática — o time atacava pelo lado dele, cobrava faltas com ele, respirava com ele. Sem o camisa 10, Cuca terá de redistribuir a criação entre Rollheiser, Gabigol e os meias.
Lesão muscular: por que recidiva
Lesões musculares respondem por cerca de um terço das ausências no futebol de elite, e a recidiva — nova lesão no mesmo local em poucos meses — é o maior risco: estudos com clubes europeus mostram taxa de 15% a 30% quando o retorno é antecipado. O reto femoral é particularmente sujeito porque atua nas duas articulações e recebe carga máxima no chute. O protocolo moderno exige recuperação da força simétrica entre as pernas e teste em campo antes da liberação — o que o estafe de Neymar diz que vai cumprir, ainda que custe jogos.
Quem assume a camisa 10 em campo
Sem Neymar, a criação do Santos passa a depender de Benjamín Rollheiser, meia argentino contratado em 2025, e de Gabigol como referência ofensiva, com Cuca podendo recuar a linha e apostar em transição — o modelo que usou no Atlético-MG campeão de 2021. As bolas paradas, área em que Neymar decidiu jogos na Vila, perdem o cobrador; a liderança em campo passa ao capitão substituto. É um Santos menos brilhante e, na leitura do técnico, obrigado a ser mais coletivo.
Vila Belmiro: o fator casa
A Vila Belmiro tem sido o refúgio do Santos na temporada: o time faz em casa a maior parte dos pontos e é lá que recebe o Atlético-MG na ida das quartas. Sem Neymar, o estádio ganha peso — a torcida, que lotou a Vila em cada jogo do camisa 10, terá de empurrar um time sem ele. O histórico recente mostra que o Santos rende em casa mesmo sem estrelas; a pergunta é se rende fora, onde as próximas semanas concentram jogos decisivos.
A luta contra o rebaixamento
O Santos vive temporada de dupla pressão: na Sul-Americana, é candidato ao título; no Brasileirão, briga para não repetir 2023, quando caiu pela primeira vez na história. Com Neymar, o time vinha oscilando; sem ele, o risco cresce. Os oito jogos até o fim de outubro incluem confrontos diretos com adversários da parte de baixo da tabela — jogos que definem a permanência e nos quais um gol de Neymar costumava fazer a diferença.
Sul-Americana: Atlético-MG nas quartas
O duelo contra o Atlético-MG, ida na Vila e volta na Arena MRV, é o mata-mata mais importante do Santos no ano — e o Galo, com elenco mais profundo, é favorito mesmo com Neymar. Sem ele, a vaga depende de uma Vila Belmiro decisiva no jogo de ida. Se o Santos avançar, as semifinais em outubro e a final em novembro seriam o objetivo que justificaria a temporada — e o cenário em que o retorno do camisa 10 faria diferença.
Neymar aos 34: o que vem
O contrato de Neymar com o Santos e a Copa do Mundo já disputada colocam a questão do futuro: o jogador tem falado em seguir no Santos, mas a sequência de lesões alimenta especulação sobre aposentadoria ou redução de ritmo. O clube, que o trouxe como projeto esportivo e comercial, colhe o segundo com força — camisas, sócios, audiência — e o primeiro com intermitência. A decisão sobre 2027 passará por um exame honesto do corpo.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia tem um lado que o Santos não controla. "Neymar lesionado é o Santos sem seu maior ativo, mas é também o futebol brasileiro sem sua maior atração — audiência, transmissão, patrocínio. Dez jogos sem ele são dez jogos com menos gente vendo. O Santos sabe disso e a Globo sabe disso. É por isso que ninguém vai apressar a volta: o Neymar de novembro, inteiro, vale mais que o Neymar de outubro, mancando. Se o Santos segurar a Série A até lá, a temporada pode terminar bem. Se não segurar, nem Neymar salva", analisa.
Neymar sofreu lesão de grau 2 no reto femoral da coxa direita e tem retorno previsto para novembro de 2026. O Santos enfrenta o Atlético-MG pelas quartas de final da Copa Sul-Americana nas próximas duas semanas.
Foto: Tyka17 (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.