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Vasco vira sobre o Palmeiras com dois gols de Andrey

Cruz-Maltino perdeu a ida por 1 a 0 e reverteu desvantagem em todas as fases do mata-mata; Andrey chega a 13 gols, e Palmeiras perde o tri.

Vasco vira sobre o Palmeiras com dois gols de Andrey

O Vasco é campeão brasileiro sub-20 pela primeira vez na história. Na noite desta sexta-feira (4), no Nubank Parque, em São Paulo, o Cruz-Maltino venceu o Palmeiras por 2 a 0, com dois gols de Andrey Fernandes e grandes defesas de Phillipe Gabriel, e reverteu a derrota por 1 a 0 sofrida no jogo de ida, em São Januário. O título impediu o tricampeonato consecutivo do Palmeiras — maior vencedor da competição, com quatro conquistas — e foi decidido diante de 29.327 torcedores, recorde de público do clube paulista em jogos de categorias de base no estádio. As informações são do ge.

Com a conquista, o Vasco se iguala a Cruzeiro, Botafogo, Atlético-MG, Fluminense e Internacional, todos com um título do Brasileiro Sub-20 na era organizada pela CBF, a partir de 2015. O Flamengo tem dois; o Palmeiras, quatro — 2018, 2022, 2024 e 2025. Antes disso, entre 2006 e 2014, a competição teve nove edições organizadas pela Federação Gaúcha, com reconhecimento da CBF, vencidas por Internacional, Cruzeiro, Grêmio, América-MG e Corinthians.

Andrey: o nome do título

O camisa 9 de 18 anos marcou os dois gols da final e chegou a 13 na competição, artilheiro do Vasco. Ainda no gramado, em meio à comemoração, já olhou para o próximo passo — a chance no time principal, comandado por Pedro Emanuel. "Estou preparado. Se a oportunidade vier, estou preparado. Se ele me subir, vou dar o meu máximo. Nunca vai faltar entrega", disse. Antes, agradeceu: "Só tenho que agradecer a Deus e a toda a minha família, que veio aqui me acompanhar. Esse grupo aqui é maravilhoso. Desde o começo do ano, a gente estava meio desacreditado, fez uma tabela meio abaixo, mas todo mundo sabe o quanto a gente passou, o quanto o time lutou. Isso aqui é só o fruto do que a gente trabalhou muito esse ano."

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o atacante fez o que artilheiro de decisão faz. "Quatro gols nos dois jogos em que o Vasco precisava reverter desvantagem — dois na semifinal contra o Santos, dois na final contra o Palmeiras. Não é artilheiro de goleada; é artilheiro de jogo grande, fora de casa, com o time atrás no placar. Aos 18 anos, com contrato até 2030 e multa de 60 milhões de euros, Andrey já é o ativo mais valioso da base vascaína. O 'estou pronto' dele é convite ao Pedro Emanuel — e o Vasco, brigando no Brasileiro, tem motivo para aceitar", avalia.

A campanha das viradas

A capacidade de reagir foi a marca do Vasco na competição: o time entrou em desvantagem para o jogo de volta em todas as fases do mata-mata. Nas quartas, perdeu por 1 a 0 para o Cruzeiro fora e venceu por 2 a 0 em São Januário. Na semifinal, perdeu por 2 a 0 para o Santos na Vila Belmiro, devolveu o placar no Rio — com dois gols de Andrey — e avançou nos pênaltis. Na decisão, perdeu a ida por 1 a 0 em casa e foi a São Paulo obrigado a vencer; fez 2 a 0 e não precisou das penalidades.

Do vexame na Copinha ao título

A temporada começou mal. A equipe comandada por Matheus Curopos foi eliminada ainda na segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, pelo Botafogo-SP — resultado que levou comissão técnica e departamento de base a se reunirem para identificar problemas e reorganizar o trabalho. A resposta veio ao longo do ano: o Vasco conquistou a Copa Rio, chegou a liderar o Brasileiro e terminou a primeira fase em segundo lugar, com 36 pontos e a melhor defesa da competição, com 19 gols sofridos. "A gente estava meio desacreditado", lembrou Andrey — e a desconfiança virou combustível.

Phillipe Gabriel: o outro herói

Se Andrey fez os gols, o goleiro Phillipe Gabriel garantiu que o Palmeiras não fizesse os seus. As "grandes defesas" registradas pelo ge foram decisivas num jogo em que o time da casa, empurrado por 29 mil torcedores e precisando apenas de um gol para levar a decisão aos pênaltis, pressionou. A melhor defesa da primeira fase se confirmou na final — e é o tipo de dado que explica por que o Vasco venceu todas as voltas: o time sabia sofrer.

Palmeiras: o recorde de público e o tri perdido

Para o Palmeiras, a noite foi ambígua. O clube bateu seu recorde de público em jogos de base no Nubank Parque — 29.327 pessoas, superando os 24.016 da semifinal da Copinha de 2023 contra o Goiás — e perdeu a chance do tricampeonato consecutivo, que consolidaria a hegemonia recente. Desde 2022, o Verdão disputou 56 torneios oficiais de base e chegou a 37 finais; a base palmeirense é a mais vitoriosa do país na década, e a derrota para o Vasco é exceção em uma sequência de títulos.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o público é o dado que fica. "Vinte e nove mil pessoas num jogo sub-20, numa sexta à noite, em São Paulo. Isso não existia há cinco anos. O Palmeiras transformou a base em produto — Endrick, Estêvão, Vitor Reis venderam a ideia de que o garoto de hoje é o craque de amanhã, e a torcida passou a ir ver. O Vasco ganhou o título; o Palmeiras ganhou a prova de que base lota estádio. As duas coisas importam para o futebol brasileiro", observa.

Andrey e o profissional

Andrey já conhece o time de cima. Primeiro jogador nascido em 2008 a atuar pelo profissional do Vasco, estreou em janeiro de 2025 e, nesta temporada, ganhou minutos no Campeonato Brasileiro. Em maio, renovou contrato até dezembro de 2030, com multa rescisória de 60 milhões de euros — cláusula que sinaliza a expectativa de venda à Europa. Na véspera da final, ao ge, já havia demonstrado confiança: "Esse é o nosso sonho, o sonho de todos os moleques e da nossa comissão também. A gente está trabalhando muito para poder sair com esse título, título inédito para o Vasco."

São Januário: a derrota na ida

A final começou mal para o Vasco: derrota por 1 a 0 em São Januário, em casa, com a torcida cruz-maltina presente e o Palmeiras administrando o resultado com a experiência de quem disputava a quarta final consecutiva. Perder a ida em casa, num confronto de dois jogos, é o pior cenário — obriga a vencer fora, contra o maior campeão, diante de público recorde. Foi exatamente o roteiro que o time de Curopos já havia enfrentado contra Cruzeiro e Santos, e a repetição transformou o que seria desvantagem em rotina: o Vasco de 2026 aprendeu a jogar a volta como quem não tem nada a perder.

Base vascaína: a fábrica que voltou

A base do Vasco foi, por décadas, uma das mais produtivas do país — Romário, Edmundo, Juninho Pernambucano, Philippe Coutinho e Allan saíram de São Januário. Os anos de crise financeira e administrativa desorganizaram a formação, e o clube passou a vender promessas cedo, sem colher títulos. O Brasileiro Sub-20 de 2026, somado à Copa Rio, é o primeiro resultado coletivo relevante da geração formada sob a nova gestão do clube, e Andrey — com contrato longo e multa alta — é o sinal de que o Vasco pretende segurar seus melhores garotos até que valham o preço. É o modelo do Palmeiras, aplicado com atraso e, agora, com um troféu para mostrar.

O Brasileiro Sub-20: o que é

Organizado pela CBF desde 2015, o Campeonato Brasileiro Sub-20 reúne os principais clubes do país em fase de grupos e mata-mata ao longo do segundo semestre. É, ao lado da Copinha, a principal vitrine da base brasileira — o torneio em que os clubes testam os garotos que pretendem lançar no profissional e que os observadores europeus acompanham. A lista de campeões da era CBF — Fluminense (2015), Botafogo (2016), Cruzeiro (2017), Palmeiras (2018, 2022, 2024, 2025), Flamengo (2019, 2023), Atlético-MG (2020), Internacional (2021) e agora Vasco (2026) — reproduz o mapa dos clubes que mais investem em formação.

Matheus Curopos: o técnico da reconstrução

O treinador que sobreviveu à eliminação na Copinha e entregou o título inédito é Matheus Curopos, técnico da base vascaína. A reunião pós-Copinha com o departamento de base — em vez da demissão, comum no futebol brasileiro após vexame — deu ao trabalho continuidade, e o resultado veio em três competições: Copa Rio, liderança do Brasileiro e o título. É o argumento a favor de projetos de base com tempo, e não com troca de técnico a cada revés.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o título tem valor além do troféu. "O Vasco vive há anos de promessa de reconstrução. Um título brasileiro inédito na base, com um artilheiro de 18 anos e um goleiro que segura o Palmeiras em casa, é a primeira entrega concreta dessa promessa. Não resolve o profissional, mas mostra que o clube voltou a formar. E o torcedor vascaíno, que não vê o time de cima ganhar nada relevante há muito tempo, teve uma sexta-feira para comemorar. É pouco? É o começo", analisa.

O elenco campeão do Vasco no Brasileiro Sub-20 retorna ao Rio de Janeiro neste sábado. A eventual promoção de Andrey ao time principal depende de decisão do técnico Pedro Emanuel para os próximos jogos do Campeonato Brasileiro.

Foto: U.S. Army photo by Spc. Dean Johnson (Public domain) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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