Tecnologia

Magalu Cloud reúne Luiza Helena e Frederico Trajano

Evento de 9 de setembro trata de multicloud e FinOps; Globo Technologies volta para mostrar a evolução da parceria de nuvem fechada em 2025.

Magalu Cloud reúne Luiza Helena e Frederico Trajano

Soberania de dados e os rumos da computação em nuvem no Brasil serão alguns dos temas da quarta edição do Cloud Futures, evento promovido pela Magalu Cloud na próxima quarta-feira (9 de setembro), na Arena Magalu, na zona norte de São Paulo. O encontro reúne executivos e especialistas de tecnologia para tratar de inteligência artificial, multicloud e FinOps, além de apresentar novidades sobre a nuvem pública do grupo varejista; os ingressos seguem à venda, com vagas limitadas. As informações são do Canaltech.

Entre os destaques da programação estão nomes do Magalu como Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração, Frederico Trajano, CEO, André Fatala, vice-presidente de plataformas, e Talita Paschoini, diretora de tecnologia; a Magalu Cloud leva ao palco suas lideranças — Rodrigo Schiavini, CRO, André Ceron, CISO, Thiago Caserta, head de parcerias, e André Fior, CFO. A Globo Technologies, que fechou parceria com a Magalu Cloud na edição de 2025 — acordo de infraestrutura de nuvem para as plataformas de distribuição de conteúdo da emissora —, retorna para apresentar a evolução da colaboração. Os debates sobre soberania tecnológica contam com Lúcio Cordeiro, CEO da Samax, Carolina Duca, diretora de infraestrutura e telecom da Globo, e Fabiano Sabatini, diretor da Intel; a lista soma ainda Anderson Diehl, fundador do Founders Club, Alexandre Souza, do Sebrae/SC, Rodrigo Terron, do NewHack.vc, e Lisiane Ramos, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, além de Ana Cabral, CEO da Baruk, Queit Zunino, da Craft Multimodal, Alessandro Faria, cofundador da MultiCortex, e Marcelo Basanella, da Spivit Global Technologies. A Magalu Cloud é a primeira nuvem pública desenvolvida no Brasil, com infraestrutura de computação, armazenamento e rede para empresas de diferentes portes; a proposta é garantir faturamento em reais e suporte dedicado local como diferencial diante das estrangeiras, e a nuvem soma mais de 1.500 clientes, entre eles Globo, 99Jobs e CarBigData.

Soberania de dados: por que uma nuvem brasileira virou pauta de Estado

Mais de 90% da computação em nuvem contratada por empresas e governos brasileiros roda em três provedores americanos — Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud —, com dados frequentemente armazenados em data centers fora do país e sempre sujeitos ao Cloud Act, a lei americana de 2018 que obriga empresas dos Estados Unidos a entregar dados sob sua custódia a autoridades americanas, onde quer que estejam; a questão, técnica por anos, virou geopolítica em 2025 e 2026 com a guerra tarifária de Trump contra o Brasil, a revogação de vistos de autoridades brasileiras, as sanções da Lei Magnitsky a um ministro do Supremo e o temor, expresso pelo próprio governo, de que serviços digitais essenciais pudessem ser suspensos por decisão de Washington. O governo federal respondeu com a política de data centers — o Redata, com incentivos fiscais para instalação no país, discutido no Congresso com os "jabutis" que o portal já registrou — e com a exigência de que dados de governo fiquem em território nacional; o setor privado respondeu com o que o Magalu tenta ser: uma alternativa nacional, com faturamento em reais — que elimina a exposição cambial que fez a conta de nuvem das empresas subir 30% em dois anos —, suporte em português e dados em data centers brasileiros. A Magalu Cloud, lançada em 2023 a partir da infraestrutura que o varejista construiu para si, tem 1.500 clientes e a Globo como âncora — pouco diante da AWS, mas suficiente para colocar o tema na mesa. O Cloud Futures, com a presidente do conselho e o CEO no palco e uma secretária de Estado na plateia, é a tentativa de transformar a alternativa em política.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o evento importa mais pelo contexto do que pela agenda. "Em 2024, 'soberania de dados' era conversa de acadêmico; em 2026, com Trump revogando visto de ministro e ameaçando sanção, é pergunta de CEO: se Washington mandar desligar, o que acontece com meu sistema? A resposta da AWS é 'confie'; a do Magalu é 'fatura em real e o dado fica aqui'. É pequeno, é caro em escala, mas é a única opção nacional de verdade — e ter a Globo como cliente prova que funciona para carga pesada. O portal, que roda em infraestrutura própria por escolha, acompanha porque a pergunta chega a toda empresa de Araras que depende de sistema na nuvem: quem é dono do seu dado quando o país do provedor briga com o seu?", avalia.

A parceria com a Globo: a prova de escala

Fechada no Cloud Futures de 2025, a parceria coloca parte da distribuição de conteúdo da Globo — streaming, plataformas digitais — na infraestrutura da Magalu Cloud, com Carolina Duca, diretora de infraestrutura da emissora, entre as palestrantes; para uma nuvem nova, ter o maior grupo de mídia do país como cliente é a credencial que abre outras portas.

Faturamento em reais: o argumento financeiro

Contratos das nuvens estrangeiras são dolarizados; a alta do câmbio de 2024 e 2025 encareceu a nuvem em reais e tornou FinOps — a disciplina de controlar gastos em nuvem — prioridade das áreas de tecnologia; a Magalu Cloud vende previsibilidade em moeda local como diferencial, tema de um dos painéis.

Multicloud e FinOps: a agenda técnica

Empresas distribuem cargas entre provedores para reduzir dependência e custo — o "multicloud" —, e o Magalu se posiciona como segundo provedor, não como substituto total; o evento traz cases de migração parcial e ferramentas de gestão de custo.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a presença do governo gaúcho e da Intel sinaliza o próximo passo. "Lisiane Ramos, secretária do Rio Grande do Sul, no palco de uma nuvem privada é o Estado dizendo que quer alternativa — e o RS, depois da enchente de 2024 que derrubou data centers, sabe o valor de infraestrutura distribuída. A Intel, fornecedora de chip, é quem ganha se houver data center nacional. O Magalu costura os dois: cliente público e fornecedor de hardware. É o começo de um ecossistema, ainda pequeno diante dos gigantes. O portal registra: 1.500 clientes contra milhões da AWS, mas a pergunta certa no ano certo", observa.

Magalu Cloud: origem e proposta

Nascida da infraestrutura interna do Magazine Luiza — que processa Black Friday e milhões de pedidos —, a nuvem foi aberta ao mercado em 2023 com computação, armazenamento e rede, data centers no Brasil e suporte local; não compete em amplitude de serviços com AWS ou Azure, mas em custo, moeda e jurisdição.

O Cloud Act e a jurisdição dos dados

A lei americana de 2018 permite que autoridades dos Estados Unidos exijam dados de empresas americanas independentemente de onde estejam armazenados; a LGPD brasileira e a política de dados de governo tentam contrapor, mas só uma empresa sob jurisdição brasileira escapa do alcance — o argumento central da soberania.

Data centers no Brasil: a política pública

O Redata, programa de incentivo à instalação de data centers, e a exigência de localização de dados públicos são as respostas do governo; a discussão no Congresso incluiu emendas estranhas ao tema — os "jabutis" — e a disputa por energia, já que data centers de IA consomem o equivalente a cidades.

Quem estará no palco

Além dos Trajano e das lideranças da Magalu Cloud, o evento reúne Samax, Globo, Intel, Founders Club, Sebrae/SC, NewHack.vc, governo do RS, Baruk, Craft Multimodal, MultiCortex e Spivit — mistura de clientes, fornecedores, investidores e Estado que define o público-alvo: gestores, arquitetos, desenvolvedores e startups.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Cloud Futures é aposta de longo prazo de uma família que já apostou certo antes. "Luiza Trajano transformou loja de Franca em gigante digital quando ninguém acreditava em e-commerce no interior; Frederico fez o Magalu virar plataforma. A nuvem é a terceira aposta: infraestrutura nacional num mundo em que o dado é ativo estratégico. Vai demorar, vai custar, e a AWS continuará dominante — mas a Globo já migrou parte, o governo gaúcho quer, e Trump ajuda cada vez que ameaça. O portal registra o evento e o número: 1.500 clientes, um deles a maior emissora do país. Para uma nuvem de três anos, do interior paulista, é um começo", analisa.

A quarta edição do Cloud Futures, evento da Magalu Cloud sobre soberania de dados, inteligência artificial e segurança em nuvem, será realizada em 9 de setembro de 2026 na Arena Magalu, em São Paulo, e foi anunciada pelo Canaltech em 5 de setembro; a nuvem pública do grupo soma mais de 1.500 clientes, entre eles a Globo, parceira desde 2025.

Foto: Magazine Luiza - Magalu (CC BY 2.0) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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