A Motorola apresentou o Moto Watch Ultra na quinta-feira (3 de setembro), durante a feira de tecnologia IFA 2026, em Berlim. O novo smartwatch marca a entrada da linha no Wear OS, o sistema do Google para relógios inteligentes, e combina recursos de saúde em parceria com a Polar e conexão móvel 4G. Ele chega ao mercado internacional em 10 de setembro por US$ 349,99 — cerca de R$ 1.780 em conversão direta — e deve ser lançado em mercados selecionados da América Latina, segundo a Motorola, que não revelou preço nem data para o Brasil. As informações são do Tecnoblog.
Além do relógio, a fabricante apresentou o Moto Snap Wireless Charger, carregador magnético compatível com Qi2.2 capaz de entregar até 30 W em aparelhos da Motorola. O topo de linha tem design semelhante ao Moto Watch básico, lançado em janeiro na CES 2026, mas com tela levemente maior — 1,5 polegada em corpo circular de 46 mm, menor que o da versão básica —, e mantém proteção Gorilla Glass 3, certificação IP68 e resistência de 5 ATM, suficiente para águas rasas. A principal mudança é a adoção do Wear OS, que permite instalar apps e acessar serviços do Google — Maps, YouTube Music, pagamentos pelo Google Wallet —, além de suporte ao Gemini e à assistente de IA Qira, da Lenovo. O hardware é baseado no Snapdragon W5+ Gen 1, da Qualcomm, chip de quatro núcleos Cortex-A53 fabricado em 4 nanômetros e lançado em 2022, que também permite a conexão 4G LTE via eSIM. A mudança para o sistema mais completo do Google, porém, parece ter impactado a bateria: segundo a Motorola, o Moto Watch Ultra oferece cerca de 50 horas de uso sem a tela sempre ativa — contra até 13 dias do Moto Watch básico.
Do Moto 360 ao Ultra: a volta da Motorola aos relógios do Google
A Motorola foi pioneira do Wear OS — em 2014, o Moto 360, o primeiro smartwatch redondo com Android Wear, era o relógio mais desejado do sistema —, mas abandonou a categoria em 2017, quando a plataforma do Google patinava, e voltou anos depois com modelos de sistema próprio, baratos e de bateria longa, como o Moto Watch 100 e o Moto Watch básico de janeiro de 2026, feitos para competir com Xiaomi e Amazfit. O Ultra é o retorno ao Google: Wear OS, Gemini, Wallet, apps — o pacote que Samsung e Pixel Watch oferecem e que os relógios de sistema próprio não conseguem —, com o custo conhecido da plataforma, a bateria de dois dias, e um chip de 2022, o Snapdragon W5+ Gen 1, que a Qualcomm ainda não substituiu por geração nova. A parceria com a Polar, referência finlandesa em monitores esportivos, dá ao relógio algoritmos de treino, sono e recuperação que a Motorola não tem; a Qira, assistente da Lenovo, é a aposta em IA própria ao lado do Gemini. Para o Brasil, onde a Motorola é a segunda marca de smartphones e tem fábrica em Jaguariúna — a 40 minutos de Araras —, o Ultra seria o primeiro relógio premium da marca, se e quando chegar.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Moto Watch Ultra é decisão de plataforma, não de produto. "A Motorola tinha relógio de 13 dias de bateria com sistema próprio e ninguém comprava porque não rodava app; agora lança um com Wear OS, Gemini, Wallet e 50 horas de bateria — porque é isso que o comprador de smartwatch de 350 dólares quer: o ecossistema do Google no pulso. O chip é de 2022, e não é culpa da Motorola: a Qualcomm não lançou sucessor. A Polar entra para dar credibilidade em saúde, área em que a marca não tinha nada. O Brasil não tem data, e é uma pena: a Motorola vende mais celular aqui do que em quase qualquer lugar e fabrica em Jaguariúna. Um Moto Watch feito no Brasil, sem imposto de importação, seria o único Wear OS competitivo abaixo de 2 mil reais", avalia.
Wear OS: o que muda em relação ao Moto Watch básico
Com o sistema do Google, o relógio instala aplicativos da Play Store — Spotify, WhatsApp, apps bancários —, usa o Google Maps com navegação no pulso, paga com o Wallet por aproximação e responde ao Gemini por voz; o Moto Watch básico, de sistema fechado, faz notificações, monitoramento e pouco mais. A troca custa bateria: 50 horas contra 13 dias.
Polar: os recursos de saúde
A parceria traz os algoritmos da fabricante finlandesa para frequência cardíaca, zonas de treino, carga, sono e recuperação — os mesmos dos relógios esportivos Polar —, integrados ao app da Motorola; é o diferencial contra o Galaxy Watch, que usa a Samsung Health, e o Pixel Watch, que usa o Fitbit.
4G via eSIM: o relógio sem celular
Com chip virtual, o Ultra faz ligações, recebe mensagens e usa dados sem o telefone por perto — útil em corridas e para quem quer deixar o celular em casa —; no Brasil, o recurso depende de operadoras que ofereçam eSIM para relógio, disponível em Claro, Vivo e TIM para modelos Samsung e Apple.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o chip é o ponto fraco que a indústria inteira compartilha. "Snapdragon W5+ Gen 1, de 2022, quatro núcleos A53 — é o mesmo processador de todos os Wear OS que não são Samsung ou Google, porque a Qualcomm não lançou outro. A Motorola faz o que pode: otimiza, coloca a Polar, promete 50 horas. O consumidor deve saber que está comprando hardware de quatro anos com software de 2026. Ainda assim, a 350 dólares, com 4G e Gemini, o Ultra compete com Galaxy Watch e Pixel Watch em preço; se chegar ao Brasil por menos de 2.500 reais, tem espaço. Se chegar a 3.500, como os importados costumam chegar, fica na prateleira", observa.
Jaguariúna e a Motorola no Brasil
A fábrica de Jaguariúna, no interior paulista, é a maior unidade da Motorola fora da Ásia e produz a quase totalidade dos celulares que a marca vende no país — onde é a segunda colocada em participação, atrás da Samsung —, com linhas de montagem, centro de pesquisa e a vantagem tributária da Lei de Informática; relógios e fones, porém, chegam importados, sujeitos a imposto que dobra o preço americano. Um Moto Watch Ultra montado em Jaguariúna, como já ocorre com alguns acessórios, seria o caminho para vendê-lo abaixo de R$ 2 mil — a faixa em que o Galaxy Watch da Samsung, fabricado em Manaus, domina. A Motorola não anunciou planos, e o portal, a 40 quilômetros da fábrica, registra a oportunidade.
Snapdragon W5+ Gen 1: o chip de 2022
Lançado pela Qualcomm em 2022 em processo de 4 nanômetros, o W5+ equipa a maioria dos Wear OS não fabricados por Samsung e Google — TicWatch, OnePlus, agora Motorola —; é eficiente, mas envelheceu, e a ausência de sucessor limita autonomia e desempenho. A Motorola compensa com software e com o coprocessador de baixo consumo do chip.
Qira e Gemini: duas assistentes no pulso
O Gemini, do Google, responde a perguntas e comandos; a Qira, assistente da Lenovo lançada em 2026 nos celulares Motorola, cuida de funções do ecossistema da marca — integração com o telefone, atalhos, personalização. É a primeira vez que a Motorola coloca sua IA num relógio.
Moto Snap Wireless Charger: o acessório
Carregador magnético no padrão Qi2.2, com até 30 W em aparelhos Motorola compatíveis — velocidade rara em carregadores sem fio —, que se encaixa na traseira do celular; segue a tendência iniciada pelo MagSafe da Apple e adotada pelo padrão aberto Qi2.
IFA 2026: o que mais a Motorola mostrou
A feira de Berlim, a maior de eletrônicos da Europa, reúne lançamentos de setembro; a Motorola usou o evento para o relógio e o carregador, e concorrentes apresentaram fones, TVs e eletrodomésticos com IA. O Brasil costuma receber os produtos da IFA entre outubro e dezembro.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o lançamento é sobre a Motorola querer ser marca completa. "Celular a marca já tem; fone tem; agora relógio com Google dentro e IA própria. É o caminho de Samsung e Apple: prender o cliente no ecossistema. A Motorola tem no Brasil o que não tem em nenhum outro lugar — fábrica, rede, segundo lugar em vendas —, e o Ultra deveria ser lançado aqui junto com o mundo, não em 'mercados selecionados'. O portal registra a estreia no Wear OS e cobra a Motorola de Jaguariúna: tragam o relógio para o Brasil com preço de quem fabrica aqui", analisa.
O Moto Watch Ultra, primeiro relógio da Motorola com Wear OS, foi apresentado na IFA 2026, em Berlim, em 3 de setembro de 2026, e noticiado pelo Tecnoblog; o lançamento internacional ocorre em 10 de setembro por US$ 349,99, sem preço ou data para o Brasil.
Foto: Swtpc6800 en:User:Swtpc6800 Michael Holley (Public domain) via Wikimedia Commons.