Agustín Giay, de 22 anos, levou quase cem jogos para marcar seu primeiro gol com a camisa do Palmeiras. Na partida de número 98, o lateral argentino enfim desencantou nesta quarta-feira, 9 de setembro, e definiu o placar da vitória no primeiro duelo contra a LDU, do Equador, pelas quartas de final da Libertadores. Diante da torcida, os donos da casa garantiram a vantagem mínima, com o triunfo por 1 a 0. As informações são da Folha de S.Paulo.
O resultado permite à equipe de Abel Ferreira jogar por um empate no jogo de volta, na próxima quarta-feira, 16, em Quito, para avançar à semifinal do torneio. A lembrança da última visita ao estádio Rodrigo Paz Delgado, na capital equatoriana, no entanto, não é das melhores para os palmeirenses: no ano passado, em confronto justamente pela penúltima fase da competição, a equipe alviverde perdeu por 3 a 0. Ao menos o desfecho daquele embate foi favorável — em casa, o time da Barra Funda tornou-se a única equipe brasileira a reverter uma desvantagem de três gols numa semifinal, vencendo por 4 a 0. No duelo desta quarta, o Palmeiras completou 200 jogos contra adversários sul-americanos pela Libertadores e ampliou seu bom retrospecto: são agora 130 vitórias, 34 empates e 36 derrotas, com 429 gols marcados e 176 sofridos, segundo números divulgados pelo próprio clube. Desde 2016, quando iniciou a atual série de onze participações consecutivas no torneio, o aproveitamento é de 71,84%, com 75 vitórias, 25 empates e 16 derrotas.
Um gol que saiu depois da pausa para hidratação
A atuação diante da LDU acalmou a torcida alviverde em meio a um momento de oscilação do time. A equipe de Abel dominou as ações, sobretudo no primeiro tempo, quando abriu o placar. O gol saiu aos 25 minutos, logo após a pausa para hidratação: Vitor Roque ganhou da marcação e soltou um chute forte; o goleiro Gonzalo Valle deu rebote, e Giay, de cabeça, mandou para a rede. Além de marcar seu primeiro gol pelo clube, o argentino teve atuação segura, sendo importante sobretudo na defesa, com desarmes decisivos. No segundo tempo, o Palmeiras continuou no campo de ataque, rondando a área de Valle, mas empilhou oportunidades sem conversão — repetição de um padrão que vem custando pontos ao time e que, num mata-mata, transfere a decisão para o jogo de volta em condições mais adversas.
Quem é Agustín Giay
Lateral-direito argentino formado no San Lorenzo, Giay chegou ao Palmeiras como aposta de longo prazo e construiu presença regular no elenco pela consistência defensiva, não pela produção ofensiva. Chegar ao gol na partida 98 diz menos sobre inexpressividade e mais sobre a função que exerce: marcação, cobertura e apoio, com pouca presença na área adversária. O gol de cabeça, num rebote, é a exceção que confirma o papel.
A vantagem mínima e o que ela significa
Vencer por 1 a 0 em casa dá ao Palmeiras o direito de empatar em Quito para avançar, mas mantém a série aberta: um único gol equatoriano no jogo de volta recoloca o confronto no zero, e dois eliminam o time brasileiro. Em confrontos de mata-mata, a vantagem mínima é a mais frágil de administrar, porque obriga a equipe visitante a escolher entre recuar e sofrer pressão ou avançar e expor espaços.
A LDU e o peso de jogar em casa
A Liga Deportiva Universitaria de Quito é um dos clubes mais tradicionais do Equador e o único do país a conquistar a Libertadores, título obtido em 2008 justamente diante de um adversário brasileiro. A equipe construiu sua reputação continental sobre a combinação entre solidez defensiva e o efeito acumulado da altitude sobre visitantes, estratégia que costuma se traduzir em pressão constante a partir do segundo tempo, quando o desgaste físico do adversário se torna visível. Perder por 1 a 0 fora de casa, sem sofrer goleada, é um resultado que o clube equatoriano administra bem historicamente: preserva a possibilidade de reverter com um único gol de vantagem em dois jogos e transfere para o Palmeiras a obrigação de suportar noventa minutos de pressão a 2.800 metros de altitude.
O fator altitude em Quito
O estádio Rodrigo Paz Delgado fica a cerca de 2.800 metros acima do nível do mar, condição que reduz o rendimento físico de equipes não adaptadas, sobretudo no segundo tempo. É um dos ambientes mais difíceis do continente para visitantes, e o histórico recente do próprio Palmeiras no local — derrota por 3 a 0 no ano passado — reforça o peso do dado.
A virada histórica do ano passado
Depois de perder por 3 a 0 em Quito, o Palmeiras venceu por 4 a 0 em casa e tornou-se a única equipe brasileira a reverter uma desvantagem de três gols numa semifinal de Libertadores. O precedente funciona como reserva psicológica para o elenco, mas é justamente o tipo de façanha que não se planeja: serve de lembrança de que a série não está decidida, para nenhum dos lados.
Duzentos jogos contra sul-americanos
A partida marcou o jogo de número 200 do clube contra adversários sul-americanos na Libertadores, com 130 vitórias, 34 empates e 36 derrotas, além de 429 gols marcados e 176 sofridos. O aproveitamento é dos melhores entre os clubes brasileiros no torneio e ajuda a explicar por que o Palmeiras se tornou presença recorrente nas fases finais da competição na última década.
Onze participações consecutivas desde 2016
A série ininterrupta que começou em 2016 acumula 75 vitórias, 25 empates e 16 derrotas, aproveitamento de 71,84%. A regularidade é o dado mais expressivo do ciclo recente: mais do que os títulos isolados, é a presença constante nas fases decisivas que consolidou o clube como referência continental e sustentou a valorização do elenco.
A disputa paralela pelo Brasileiro
A vitória alivia a frustração da torcida após a perda da liderança do Campeonato Brasileiro no domingo, 6. O Flamengo assumiu a ponta ao vencer o Remo por 1 a 0 e contar com o empate sem gols do Palmeiras diante do Botafogo. A diferença entre os dois permanece em um ponto, 54 a 53, o que mantém a disputa aberta na reta final da competição.
O calendário que pressiona os dois líderes
O rubro-negro também divide atenções entre o Nacional e a Libertadores: nesta quinta-feira, 10, enfrenta o Independiente del Valle no Equador, às 21h30 de Brasília, pelo jogo de ida. A coincidência de compromissos continentais entre os dois primeiros colocados do Brasileiro torna a gestão de elenco tão decisiva quanto o desempenho em campo.
O aproveitamento das chances como ponto de atenção
Dominar as ações e não ampliar o placar tem sido a marca recente do Palmeiras, e foi assim novamente no segundo tempo, com sucessivas aproximações à área defendida por Gonzalo Valle sem conversão. Num confronto que será decidido na altitude, cada gol não marcado em casa se transforma em margem de erro reduzida fora.
Abel Ferreira e a gestão de um elenco em duas frentes
O técnico português chegou ao clube no fim de 2020 e construiu o ciclo mais vitorioso da história recente do Palmeiras, com títulos continentais e nacionais, sustentado por uma leitura pragmática de jogo e por forte rotação de peças em temporadas de calendário congestionado. É essa mesma competência que está sendo cobrada agora: com o time a um ponto do líder do Brasileiro e diante de um mata-mata continental decidido na altitude, cada escalação envolve escolher qual competição recebe a versão mais forte da equipe. A oscilação recente, marcada por empates que custaram a liderança, é o sintoma clássico dessa disputa interna de prioridades — e a vitória diante da LDU, ainda que magra no placar, funciona como argumento de que a estrutura defensiva segue confiável mesmo quando o ataque não converte.
O que está em jogo na próxima quarta
O vencedor do confronto avança à semifinal da Libertadores. Para o Palmeiras, o empate basta; para a LDU, é preciso vencer por qualquer placar para levar a decisão aos pênaltis, ou por dois gols de diferença para avançar direto. A partida está marcada para o dia 16, no estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito.
A vitória do Palmeiras por 1 a 0 sobre a LDU, com gol de Agustín Giay, ocorreu em 9 de setembro de 2026, pelo jogo de ida das quartas de final da Libertadores, e foi noticiada pela Folha de S.Paulo. A partida de volta será em 16 de setembro, em Quito.
Foto: Leonef (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.