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Banco do Brasil adota a Origem Verificada para autenticar ligações e combater golpes

Em 2025, o BB recebeu 2,3 milhões de chamadas por mês e fez 1,5 milhão; 4004-0001 e 0800 729 0001 são apenas receptivos — ligações vindas deles são suspeitas, e funcionários nunca pedem.

Banco do Brasil adota a Origem Verificada para autenticar ligações e combater golpes

O Banco do Brasil adotou a Origem Verificada, serviço que usa um protocolo internacional para autenticar chamadas telefônicas e mostrar ao cliente que o contato vem, de fato, do banco. O BB informou em primeira mão ao Tecnoblog que a TIM é a operadora responsável pela infraestrutura usada na iniciativa, que utiliza o protocolo STIR/Shaken, criado para verificar a origem de ligações. As informações são do Tecnoblog.

Por enquanto, a novidade vale para ligações feitas pelo número 4003-3001, usado pelo BB em contatos que partem de agências, escritórios, Serviços de Atendimento ao Consumidor e centrais de relacionamento; ao receber uma chamada autenticada, o cliente verá na tela a identificação visual do banco. O STIR/Shaken também prevê que o chamador declare o motivo da chamada, de modo que o Android ou o iOS exiba essa informação na tela — o Tecnoblog tenta confirmar com o banco se a função será utilizada. Dados do Cetic.br/NIC.br apontam que golpes online e desvios de dados já atingiram 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais. Em nota, a instituição afirma que, em 2025, recebeu média mensal de 2,3 milhões de chamadas e fez 1,5 milhão de ligações, e que registrou aumento de 30% na taxa de atendimento durante os testes da Origem Verificada. O processo funciona assim: quando o Banco do Brasil faz uma chamada, a ligação recebe uma assinatura digital que comprova a origem daquele número; a Anatel adota o protocolo desde 2024, e as fabricantes de smartphones passaram a integrá-lo aos sistemas operacionais no Brasil desde então; a Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações, a ABR Telecom, é responsável pelo gerenciamento, e a operadora que recebe a chamada verifica a assinatura antes de encaminhá-la ao cliente. A identificação não substitui cuidados básicos: o BB reforça que seus funcionários não pedem senhas, códigos de autenticação ou instalação de aplicativos de acesso remoto durante ligações, nem solicitam que o cliente clique em links enviados durante o contato; e é importante saber quais números são usados para chamadas ativas — segundo o banco, 4004-0001 e 0800 729 0001 são canais exclusivamente receptivos, portanto ligações recebidas por esses números devem ser tratadas com desconfiança.

O golpe da falsa central e a assinatura na ligação: como o STIR/Shaken chega ao Brasil e por que 45 milhões de vítimas exigiam isso há anos

O "golpe da falsa central" — o criminoso liga, apresenta-se como funcionário do banco, cita dados reais vazados, alerta para uma "compra suspeita" e conduz a vítima a transferir dinheiro, informar senha ou instalar um aplicativo de acesso remoto — é a fraude mais lucrativa do Brasil, responsável, segundo a Febraban, por bilhões de reais em perdas anuais e pela maioria dos casos de idosos lesados, e sua eficácia depende de uma vulnerabilidade técnica antiga: a telefonia permite "spoofing", isto é, falsificar o número que aparece na tela, de modo que a ligação do golpista exibe o 4004 ou o 0800 do banco verdadeiro; o STIR/Shaken — sigla de "Secure Telephone Identity Revisited / Signature-based Handling of Asserted information using toKENs", padrão criado nos Estados Unidos e obrigatório lá desde 2021 — resolve isso com criptografia: a operadora de origem assina digitalmente a chamada atestando que aquele número é de fato de quem diz ser, a operadora de destino verifica a assinatura e o celular exibe a confirmação, e uma chamada sem assinatura válida pode ser marcada como suspeita ou bloqueada. A Anatel adotou o protocolo em 2024, a ABR Telecom — a entidade das operadoras que já gerencia a portabilidade — assumiu a gestão dos certificados, Apple e Google integraram a exibição aos sistemas, e o Banco do Brasil é o primeiro grande banco a colocar a assinatura em produção, ainda que num único número e sem confirmar se usará a função de "motivo da chamada", que exibiria na tela, por exemplo, "confirmação de transação" — a parte do protocolo que mais reduz a ansiedade que os golpistas exploram; o dado de 30% a mais de atendimento nos testes mostra o outro lado da fraude: os clientes deixaram de atender o banco verdadeiro por medo do falso, e a autenticação recupera o canal. A limitação é a que o próprio banco reconhece: a Origem Verificada prova que a ligação vem do BB — não prova que a ligação que não tem selo é golpe, porque outros bancos e empresas ainda não assinam, e o golpista pode simplesmente ligar de um número comum, sem spoofing, e contar com a pressa da vítima; por isso a regra continua sendo a de sempre — o banco nunca pede senha, código, instalação de aplicativo ou clique em link, e ligações que chegam de números receptivos como 4004-0001 e 0800 729 0001 são, por definição, falsas. Para o cliente do interior — Araras tem agências do BB e uma população idosa que é o alvo preferido da falsa central —, a novidade é bem-vinda e insuficiente até que Caixa, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank adotem o mesmo selo e a Anatel torne obrigatória a marcação de chamadas não autenticadas; enquanto isso, a orientação mais eficaz continua sendo desligar e ligar de volta para o número do cartão.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Banco do Brasil deu o primeiro passo que todo o sistema deveria ter dado em 2024. "O golpe da falsa central só funciona porque o número do banco aparece na tela e é falso. O STIR/Shaken resolve tecnicamente — a ligação vem assinada, o celular confirma. A Anatel adotou há dois anos; o BB é o primeiro a usar de verdade, num número só. Trinta por cento a mais de atendimento diz tudo: o cliente estava fugindo do banco verdadeiro por causa do falso. O portal registra e cobra: Caixa, Itaú, Bradesco, Santander, Nubank — cadê o selo? Quarenta e cinco milhões de vítimas não esperam por fase de testes. E a regra que salva continua sendo a mais simples: desligue e ligue de volta", avalia.

Como funciona: assinatura, verificação, selo na tela

O BB liga pelo 4003-3001; a TIM assina digitalmente a chamada com o certificado gerido pela ABR Telecom; a operadora do cliente verifica a assinatura; o Android ou o iOS exibe a identificação visual do banco — e, se a função for ativada, o motivo da ligação; sem assinatura válida, a chamada pode ser marcada como suspeita.

Os números do BB: 2,3 milhões recebidas, 1,5 milhão feitas

Médias mensais de 2025; nos testes da Origem Verificada, a taxa de atendimento subiu 30% — sinal de que clientes deixavam de atender o banco por medo de golpe; a autenticação recupera o canal telefônico como meio legítimo de contato, sobretudo em confirmação de transações.

45 milhões de vítimas: o tamanho do problema

Segundo o Cetic.br/NIC.br, golpes online e desvios de dados já atingiram 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais; a falsa central telefônica é a modalidade mais lucrativa, com idosos como alvo preferencial e perdas de bilhões por ano estimadas pela Febraban.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a limitação do selo é o que o cliente precisa entender. "O selo prova que a ligação é do BB. Não prova que a ligação sem selo é golpe — porque os outros bancos não assinam ainda, e porque o golpista pode ligar de um número qualquer. Então a Origem Verificada ajuda quem sabe o que ela é e não ajuda quem não sabe. O portal registra e sugere ao banco que use a função de motivo da chamada e faça campanha nas agências do interior, onde o idoso de Araras é quem mais recebe a falsa central; tecnologia sem explicação vira mais uma tela que ninguém entende", observa.

STIR/Shaken: o padrão americano que chegou ao Brasil

Obrigatório nos Estados Unidos desde 2021 para conter o "spoofing" de números, o protocolo assina criptograficamente a origem das chamadas; a Anatel o adotou em 2024, a ABR Telecom gerencia os certificados e as fabricantes de celulares integraram a exibição — a infraestrutura estava pronta; faltavam os bancos usarem.

O que o banco nunca pede

Senha, código de autenticação, instalação de aplicativo de acesso remoto, clique em link enviado durante a ligação ou transferência para "conta segura" — qualquer pedido desses, com ou sem selo, é golpe; a orientação do BB e de todos os bancos é desligar e ligar para o número impresso no cartão.

Números receptivos: 4004-0001 e 0800 729 0001

São canais que apenas recebem ligações; se uma chamada chega de um deles, é falsificação de número — o sinal mais simples de golpe; o 4003-3001, ao contrário, é o número ativo autenticado, usado por agências, escritórios, SAC e centrais.

O que falta: os outros bancos e a obrigatoriedade

Caixa, Itaú, Bradesco, Santander, Nubank e Inter ainda não assinam chamadas em produção; a Anatel pode tornar obrigatória a marcação de ligações não autenticadas, como nos Estados Unidos — a medida que transformaria o selo em regra e reduziria de fato a falsa central em todo o sistema.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia é boa e chega atrasada. "Dois anos depois de a Anatel adotar o protocolo, um banco autentica um número. Enquanto isso, 45 milhões de brasileiros foram atingidos por golpes, e a falsa central levou a aposentadoria de muita gente do interior. O portal registra a Origem Verificada do BB como o padrão que todos deveriam seguir amanhã — e lembra que, até lá, a regra que protege a mãe de qualquer leitor de Araras é a que não depende de tecnologia: o banco não liga pedindo senha. Nunca. Desligue", analisa.

A adoção da Origem Verificada pelo Banco do Brasil, com autenticação de chamadas pelo protocolo STIR/Shaken e infraestrutura da TIM no número 4003-3001, foi noticiada pelo Tecnoblog em 2 de setembro de 2026; o banco registrou aumento de 30% na taxa de atendimento nos testes, num contexto em que, segundo o Cetic.br/NIC.br, golpes online e desvios de dados já atingiram 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais.

Foto: Victorgrigas (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.

JM
Escrito por

Jaime Fernando Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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