O Pisa 2025 avaliou pela primeira vez a capacidade dos estudantes de resolver problemas usando ferramentas computacionais. Macau, Singapura e China ocupam as três primeiras posições. O Japão aparece em quarto, com 557 pontos, seguido por Taiwan, com 551, e Hong Kong, com 545. Entre os dez primeiros também estão Estônia, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, o que evidencia a predominância de países e economias asiáticos entre os melhores resultados. As informações são da Folha de S.Paulo.
O Brasil ficou na 70ª posição, com média de 406 pontos. O desempenho brasileiro ficou abaixo do registrado por países latino-americanos como Chile, Uruguai, México, Costa Rica, Peru e Colômbia, mas à frente de Argentina, El Salvador, Paraguai e Guatemala. A prova analisa a capacidade do estudante de construir conhecimento e resolver problemas práticos utilizando ferramentas e linguagens computacionais, tais como lógica de programação e modelagem digital. O Pisa é uma avaliação internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências; em 2025, cerca de 760 mil alunos de 91 países e economias participaram do estudo, e no Brasil foram avaliados 30.140 estudantes.
O que exatamente a nova prova mediu
Diferentemente de um teste de informática básica, a avaliação não verificou se o estudante sabe usar editor de texto ou planilha. O foco foi o chamado pensamento computacional aplicado: decompor um problema em partes, identificar padrões, construir uma sequência lógica de instruções e testar soluções com apoio de ferramentas digitais, incluindo noções de programação e modelagem. É uma competência que se aproxima do raciocínio matemático estruturado e que vem sendo incorporada a currículos nacionais no mundo inteiro por ser considerada transversal — útil tanto para quem seguirá carreira em tecnologia quanto para quem precisará organizar informação em qualquer profissão. A escolha da OCDE por medi-la agora responde à percepção de que ela deixou de ser especialidade técnica e passou a ser condição de participação na economia.
O ranking e a predominância asiática
Macau, Singapura e China lideram; Japão é quarto, com 557 pontos, seguido por Taiwan, com 551, e Hong Kong, com 545. Estônia, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia completam os dez primeiros. A concentração asiática no topo repete o padrão observado nas demais áreas do Pisa nas últimas edições e reflete sistemas educacionais com forte ênfase em matemática, currículo padronizado e alta valorização social da carreira docente.
A posição do Brasil entre os vizinhos
Com 406 pontos e 70º lugar, o Brasil ficou atrás de Chile, Uruguai, México, Costa Rica, Peru e Colômbia — todos países latino-americanos com PIB per capita comparável ou inferior em alguns casos — e à frente de Argentina, El Salvador, Paraguai e Guatemala. A comparação regional é a mais útil, porque neutraliza parcialmente as diferenças de riqueza e permite avaliar a eficiência dos sistemas educacionais em contextos semelhantes.
O tamanho da amostra brasileira
Foram avaliados 30.140 estudantes no Brasil, dentro de um universo global de cerca de 760 mil alunos de 91 países e economias. A amostra brasileira é uma das maiores do estudo, o que confere robustez estatística ao resultado e permite desagregação por rede de ensino, região e nível socioeconômico nas análises subsequentes.
Por que a Estônia é a exceção europeia
Único país europeu entre os dez primeiros ao lado da Coreia do Sul e das economias asiáticas, a Estônia construiu ao longo de duas décadas um sistema de educação digital integrado, com infraestrutura pública de internet, currículo que inclui programação desde os primeiros anos e forte investimento em formação de professores. É a referência mais citada por gestores que buscam um modelo replicável fora do contexto cultural asiático.
Estudantes de 15 anos: por que essa idade
O Pisa avalia jovens de 15 anos porque, na maioria dos países participantes, é a idade próxima ao fim da escolaridade obrigatória. O objetivo declarado não é medir o domínio do currículo, e sim verificar se o estudante consegue aplicar o que aprendeu em situações da vida real — critério que explica por que o desempenho no Pisa nem sempre corresponde às notas obtidas em avaliações nacionais.
O que o resultado revela sobre infraestrutura
Avaliar resolução de problemas com ferramentas computacionais pressupõe que o estudante tenha tido contato prévio com essas ferramentas. Em um país onde parcela relevante das escolas públicas ainda enfrenta limitações de conectividade e de equipamentos, o resultado mede simultaneamente competência cognitiva e oportunidade de acesso — duas dimensões que a média isolada não separa.
Como ler um ranking do Pisa sem distorcer o dado
Posições em ranking impressionam, mas dizem menos do que a distância em pontos. A escala do Pisa é construída de modo que cerca de 40 pontos equivalham, aproximadamente, a um ano de escolaridade. A diferença entre os 406 pontos do Brasil e os 557 do Japão, portanto, corresponde a algo próximo de quatro anos de aprendizagem — número que dimensiona o desafio com muito mais precisão do que a distância entre o 70º e o 4º lugar. Da mesma forma, países separados por poucas posições costumam estar estatisticamente empatados, o que torna arriscado comemorar ou lamentar variações pequenas entre edições. Ler o Pisa corretamente significa observar a tendência ao longo de várias aplicações e os recortes internos de cada país, e não a manchete do ranking isolado.
A relação com o desempenho em matemática
Pesquisas sobre pensamento computacional mostram correlação forte com proficiência matemática, porque ambos dependem de abstração, sequenciamento lógico e verificação de hipóteses. O histórico brasileiro de resultados baixos em matemática no Pisa, portanto, antecipava desempenho fraco na nova área, e sugere que qualquer estratégia de melhoria precisa passar pela base matemática, não apenas pela oferta de aulas de programação.
O que já existe no currículo brasileiro
A Base Nacional Comum Curricular incorporou competências relacionadas à cultura digital e ao pensamento computacional, e diretrizes complementares detalharam sua aplicação nas diferentes etapas da escolaridade. A distância entre a previsão normativa e a implementação em sala de aula — que depende de formação docente, equipamento e tempo de aula — é o principal desafio apontado por especialistas.
Nem tudo se resolve com equipamento
A experiência internacional mostra que a simples distribuição de dispositivos não produz ganho de aprendizagem e, em alguns contextos, associa-se a resultados piores quando o uso não é pedagogicamente orientado. Os países no topo do ranking combinam tecnologia com currículo estruturado, professores preparados e tempo de aula suficiente — combinação mais difícil de executar do que a compra de computadores.
O que o dado significa para o mercado de trabalho
A competência avaliada é a mesma exigida em funções que vão além da programação: análise de dados, automação de processos, uso de ferramentas de inteligência artificial e organização de informação. Um desempenho na 70ª posição sinaliza dificuldade estrutural para formar, na escala necessária, os profissionais que o próprio país busca atrair com incentivos ao setor de tecnologia.
O que o Brasil já tentou e o que faltou
Programas de inclusão digital nas escolas brasileiras existem desde os anos 1990, com iniciativas sucessivas de distribuição de computadores, instalação de laboratórios de informática e, mais recentemente, ampliação de conectividade. O padrão que se repete é conhecido: o equipamento chega, a formação de professores não acompanha, o suporte técnico é insuficiente e, em poucos anos, o laboratório se torna sala trancada. Avaliações independentes do próprio Ministério da Educação já apontaram que a variável mais associada ao uso pedagógico efetivo da tecnologia não é a quantidade de máquinas, e sim a existência de um profissional dedicado a apoiar os docentes. É uma conclusão barata de implementar e cara de sustentar, porque exige contratação permanente — e é exatamente o tipo de despesa que os orçamentos municipais de educação cortam primeiro.
O que acompanhar nas próximas divulgações
Os relatórios detalhados do Pisa costumam trazer, meses depois do ranking inicial, os recortes que realmente orientam política pública: diferença entre rede pública e privada, entre regiões, entre meninos e meninas e por nível socioeconômico. São esses dados que permitirão avaliar se os 406 pontos refletem um problema homogêneo ou a média de realidades educacionais muito distintas dentro do mesmo país.
Os resultados do Pisa 2025 na avaliação de resolução de problemas com ferramentas computacionais foram divulgados e noticiados pela Folha de S.Paulo em 9 de setembro de 2026. O Brasil ficou na 70ª posição, com 406 pontos, entre 91 países e economias participantes; foram avaliados 30.140 estudantes brasileiros, num universo global de cerca de 760 mil alunos de 15 anos.
Foto: Saintfevrier (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.