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NVIDIA promete DLSS 5 para as placas RTX 40, mas sem data

Representante da empresa disse em fórum que o upscaling não ficará "preso" às RTX 50; testes oficiais usaram Ryzen 9 9800X3D e 64 GB de RAM, e usuários já forçaram o recurso em GPUs antigas.

NVIDIA promete DLSS 5 para as placas RTX 40, mas sem data

Um representante da NVIDIA afirmou na quinta-feira (3), no fórum oficial da fabricante, que o DLSS 5 — a nova geração da tecnologia de upscaling por inteligência artificial da empresa — não ficará "preso" às placas de vídeo GeForce RTX 50 e está previsto também para a linha RTX 40. A promessa, porém, veio sem data. Segundo a mensagem, a equipe continua aprimorando o software, que já estaria em patamar superior ao apresentado no início de 2026, mas não há cronograma para a implementação nos hardwares mais antigos. As informações são do Canaltech.

O anúncio tenta conter os danos à reputação de um recurso que dividiu opiniões desde a apresentação, causou comoção em estúdios de jogos e, até agora, só funciona em um título — NBA 2K27 — com custo de desempenho que chega a 60% em PCs e notebooks. Criadores de um emulador de PlayStation 3 chegaram a classificar a tecnologia como "lixo de IA".

O que o DLSS faz — e o que o 5 mudou

O DLSS, sigla para Deep Learning Super Sampling, é a tecnologia da NVIDIA que usa redes neurais para renderizar jogos em resolução menor e ampliá-los com qualidade, ganhando desempenho; versões posteriores acrescentaram geração de quadros intermediários por IA. Desde 2018, tornou-se argumento central de venda das placas GeForce RTX, e cada geração da tecnologia costuma estrear exclusiva na linha de GPUs mais recente.

O DLSS 5 muda a abordagem. Seu recurso principal, chamado 3D-Guided Neural Rendering, opera sobre pixels já renderizados — em vez de criá-los, como se esperava — calculando como a luz afeta o ambiente digital: roupas, pele, superfícies. Em NBA 2K27, as mudanças nos gráficos são perceptíveis, com mais realismo. Mas o custo é alto: nos testes, a tecnologia comprometeu o desempenho com quedas de até 60%.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o DLSS 5 inverteu a proposta original. "DLSS sempre foi 'mais quadros por segundo com IA'. O 5 virou 'gráfico mais bonito com menos quadros'. Para o jogador com placa cara e monitor de 240 Hz, isso é regressão. A NVIDIA vendeu a ideia certa na hora errada: quem compra RTX 50 quer desempenho, não render neural que corta o frame rate pela metade. A comoção dos estúdios e o 'lixo de IA' vêm daí", avalia.

De DLSS 1 a DLSS 5: a linha do tempo

A tecnologia nasceu em 2018 com as placas RTX 20, como forma de compensar o custo do ray tracing: a primeira versão ampliava imagens com qualidade irregular e foi mal recebida. O DLSS 2, de 2020, corrigiu os artefatos e virou padrão da indústria. O DLSS 3, em 2022, trouxe a geração de quadros por IA — exclusiva das RTX 40 — e o DLSS 4, em 2025, a geração de múltiplos quadros, exclusiva das RTX 50. Cada geração chegou primeiro, ou apenas, à linha de placas mais nova, e foi usada como argumento de venda. O DLSS 5 repete o padrão, mas com uma diferença: em vez de acelerar, ele embeleza — e cobra em desempenho.

Exclusividade por geração: a estratégia

Restringir recursos de software às placas mais recentes é prática antiga da NVIDIA, justificada pela empresa como dependência de hardware específico — núcleos de IA mais potentes, unidades dedicadas — e criticada por usuários como obsolescência programada. O caso do DLSS 5 é ambíguo: a própria empresa admite que o recurso chegará às RTX 40, o que sugere que a limitação era de otimização, e não de capacidade física; ao mesmo tempo, os testes caseiros em RTX 20 e 30 indicam que "rodar" e "rodar bem" são coisas diferentes.

Concorrência: FSR e XeSS

A AMD, com o FSR, e a Intel, com o XeSS, oferecem tecnologias de upscaling que funcionam em placas de qualquer fabricante e geração, com abordagem aberta — argumento que ganha força a cada vez que a NVIDIA limita um recurso. A qualidade do DLSS ainda é considerada superior pela maioria das análises, mas a diferença diminuiu, e o desgaste de reputação do DLSS 5 abre espaço para que estúdios priorizem soluções que atendam a mais jogadores.

Hardware de ponta como pré-requisito

Os testes divulgados pela NVIDIA usaram configurações de topo — processador AMD Ryzen 9 9800X3D e 64 GB de memória RAM, componentes que, como observa o Canaltech, custam hoje o preço de uma moto seminova. É um sinal de que o DLSS 5, em seu estado atual, mira o PC high-end, e de que a otimização para hardware comum ainda está distante. Levar o recurso às RTX 40, mais antigas e menos potentes, sem que ele derrube o desempenho a níveis injogáveis, é o desafio técnico que a promessa do fórum não detalha.

Quando chega às RTX 40

A espera exigirá paciência. Levou um semestre para a versão inicial chegar ao público, com NBA 2K27. Na hipótese mais otimista, segundo a análise do Canaltech, a equipe começaria a trabalhar nas versões para placas anteriores no fim do ano — sem sinal de quanto tempo levaria para o projeto ficar funcional, e com o risco de erros e problemas obrigarem o time a voltar às RTX 50 no meio do caminho. Antes disso, a NVIDIA precisa entregar uma otimização que satisfaça a ela própria e aos jogadores com as placas mais modernas.

O vazamento e os testes caseiros

A situação se complicou com um vazamento recente. Apesar de o suporte oficial ser restrito às RTX 50, usuários levaram a ferramenta ao limite e testaram o upscaling em GPUs das séries RTX 40, 30 e até 20 — o que inundou a internet com imagens e comparações e pode confundir o público sobre o que recebeu tratamento oficial e o que foi experimento doméstico. Para a NVIDIA, é um problema duplo: mostra que a tecnologia roda, tecnicamente, em placas antigas — enfraquecendo o argumento de exclusividade — e expõe resultados sem otimização que prejudicam a percepção do recurso.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o vazamento forçou a mão da empresa. "Se a comunidade já fez o DLSS 5 rodar numa RTX 20, a NVIDIA não podia continuar dizendo que era só para RTX 50. A promessa para as RTX 40 é reação, não plano. E veio sem data porque a empresa não sabe se consegue fazer funcionar direito. O jogador com placa de dois anos ouviu 'vai chegar' — e vai esperar um ano para descobrir se era verdade", observa.

Um jogo só

Por ser compatível, por enquanto, apenas com NBA 2K27, o DLSS 5 ainda não mostrou como se comporta em experiências de outros gêneros e escalas — um mundo aberto, um jogo de tiro competitivo, uma simulação. Um título de basquete, com ambientes fechados e iluminação controlada, é o cenário mais favorável para renderização neural de luz sobre pele e roupas; o teste real virá quando a tecnologia chegar a jogos mais complexos, se chegar.

"Lixo de IA": a crítica dos desenvolvedores

A reação mais dura veio de fora do mercado de jogos AAA: os criadores de um emulador de PS3, comunidade técnica que conhece renderização a fundo, classificaram o DLSS 5 como "lixo de IA". A crítica reflete uma tensão crescente na indústria entre soluções de IA que "inventam" pixels e iluminação e a renderização tradicional, calculada — com parte dos desenvolvedores e jogadores rejeitando artefatos, imprecisões e a dependência de hardware proprietário que as técnicas neurais trazem.

O que o jogador brasileiro deve fazer

No Brasil, onde placas de vídeo custam múltiplos do preço internacional e a RTX 40 é, para muitos, o topo acessível, a promessa da NVIDIA interessa — mas não justifica decisão de compra. Quem tem RTX 40 não deve esperar o DLSS 5 tão cedo; quem pensa em RTX 50 por causa dele deve considerar que o recurso, hoje, funciona em um jogo e reduz desempenho. O DLSS 4, maduro e amplamente suportado, segue sendo o argumento real das placas atuais.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o episódio é lição de comunicação. "A NVIDIA lançou um recurso que ninguém pediu, num jogo só, com queda de desempenho, exclusivo para a placa mais cara — e ficou surpresa com a rejeição. Agora promete para as placas antigas, sem data, depois que a comunidade provou que roda. Tecnologia boa se vende sozinha; tecnologia que precisa de fórum para acalmar cliente ainda não está pronta. O DLSS 5 pode virar algo em 2027. Em 2026, é promessa", analisa.

A NVIDIA não divulgou cronograma para o DLSS 5 nas placas GeForce RTX 40 nem lista de novos jogos compatíveis. NBA 2K27 segue como único título com suporte oficial.

Foto: Coolcaesar (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.

JM
Escrito por

Jaime Fernando Reis Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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