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Bandai transforma o Tamagotchi em anel

Tamagotchi Ring mede 28 x 23 x 35 milímetros, vem nos tamanhos 10 e 14 e acompanha a corrente de bolinhas para uso como colar ou pendurado em bolsas.

Bandai transforma o Tamagotchi em anel

Historicamente carregado dentro do bolso, o animal de estimação digital agora passa a ocupar um espaço mais integrado ao corpo do usuário: a Bandai apresentou o Tamagotchi Ring, que descreve como "o menor dispositivo Tamagotchi do mundo" — o produto mede cerca de 28 milímetros de largura, 23 milímetros de espessura e 35 milímetros de altura. Apesar da redução extrema, o aparelho incorpora uma tela LCD colorida com informações visuais do bichinho, status de saúde e todas as opções de interação. As informações são do Tecnoblog.

A empresa disponibilizou o produto em três cores no mercado asiático — rosa e branco pérola, azul claro e dourado metálico, e preto e prateado metálico — e nos tamanhos 10 e 14, com espaçador adicional na caixa; o pacote acompanha a clássica corrente de bolinhas que adapta o objeto para uso como colar ou pendurado do lado de fora de bolsas e mochilas. Mesmo compacto, a Bandai garante que as mecânicas clássicas e a experiência seguem intactas: os proprietários continuam com as mesmas obrigações das décadas passadas — alimentar o mascote virtual, cuidar de suas necessidades de higiene e interagir com a criatura. O ciclo de desenvolvimento também permanece: a criatura evolui com o tempo e pode se transformar em mais de 30 personagens diferentes, com resultado que depende do nível de cuidado e atenção dedicados, e o sistema programa o surgimento aleatório de personagens secretos como recompensa. Uma atualização relevante é a bateria recarregável de polímero de lítio, que dispensa as baterias tipo moeda das gerações passadas — cada unidade vem com carregador USB. A febre dos anos 1990 no Brasil ainda não tem previsão de chegada ao mercado nacional.

1996, o ovo que conquistou o mundo — e o Brasil

Criado pela Bandai em 1996, no Japão, o Tamagotchi — "ovo" mais "relógio", em japonês — foi o primeiro bichinho virtual de massa: um ovo de plástico com tela de cristal líquido em que uma criatura nascia, comia, dormia, adoecia e morria conforme os cuidados do dono, com bipes que tocavam em sala de aula e no meio da noite. Em dois anos vendeu dezenas de milhões de unidades, foi proibido em escolas de vários países — inclusive no Brasil, onde chegou em 1997 e virou febre entre crianças e adolescentes, com filas, falsificações e professores confiscando —, gerou desenhos, jogos e um vocabulário próprio, e desapareceu tão rápido quanto surgiu, vítima da saturação e dos bichinhos genéricos. A Bandai o manteve vivo no Japão com dezenas de versões e o relançou globalmente na década de 2010 para o público nostálgico, com modelos coloridos, conectados e com câmera; o anel é a etapa seguinte da mesma estratégia: transformar o objeto de bolso em acessório vestível, num momento em que anéis inteligentes — Oura, Samsung Galaxy Ring — viraram categoria de tecnologia. A diferença é que o Tamagotchi Ring não mede batimentos: mede se você alimentou o bicho.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o anel é a nostalgia mais bem calculada do ano. "Quem tinha dez anos em 1997 tem quase quarenta hoje, dinheiro no bolso e saudade de um ovo que bipava. A Bandai sabe disso há uma década e vende Tamagotchi para adultos com a mesma mecânica de antes — agora num anel de 28 milímetros, com tela colorida e bateria que carrega no USB. Não é tecnologia; é afeto embalado. E funciona: o mercado de anéis inteligentes existe, e um anel que exige que você cuide de um bichinho é mais divertido que um que conta seus passos. Sem previsão para o Brasil, vai chegar por importação e revenda a preço de ouro — como em 1997, quando o Tamagotchi custava o que uma família gastava no mês. A geração que foi proibida de levá-lo à escola vai levá-lo ao escritório", avalia.

28 x 23 x 35 milímetros: a engenharia da miniaturização

Colocar tela LCD colorida, processador, bateria de polímero de lítio, botões e alto-falante num anel do tamanho de uma aliança larga exigiu redesenho completo do hardware — a tela é a menor já usada num Tamagotchi, e a bateria recarregável substitui as pilhas de moeda por espaço e sustentabilidade; os tamanhos 10 e 14, com espaçador, cobrem a maioria dos dedos, e a corrente de bolinhas mantém a opção de pendurar, para quem não quer usar no dedo.

As mesmas obrigações de 1997: como se joga

Alimentar quando tem fome, limpar quando suja, brincar quando está triste, dar remédio quando adoece, apagar a luz para dormir — as ações clássicas seguem, com o bichinho evoluindo de ovo a bebê, criança, adolescente e adulto conforme o cuidado; negligência leva a formas menos desejáveis e, no limite, à morte, com a possibilidade de recomeçar. Mais de 30 personagens possíveis e secretos aleatórios mantêm o fator surpresa.

Bateria recarregável: o adeus às pilhas de moeda

Gerações anteriores usavam baterias LR44 ou CR2032, que acabavam em semanas e eram difíceis de trocar; o polímero de lítio com carregador USB é a mudança prática mais relevante — e a que aproxima o Tamagotchi de um gadget moderno. A Bandai não informou a autonomia, mas dispositivos do gênero duram dias entre cargas.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Tamagotchi ensina algo sobre tecnologia de consumo. "Trinta anos depois, o produto é o mesmo: um bicho que depende de você. Mudou o formato — ovo, chaveiro, relógio, anel —, mudou a tela, mudou a bateria; a mecânica de cuidado é idêntica, porque é ela que vende. A indústria gasta bilhões em IA para criar companheiros virtuais que conversam; a Bandai vende um que só precisa ser alimentado e tem fila. Talvez o segredo seja a simplicidade: responsabilidade sem sofisticação. O anel vai custar caro e vai vender, porque é o brinquedo que fez uma geração aprender a cuidar de algo. Os pais de 1997 confiscavam; os filhos de 2026 vão herdar", observa.

Anéis inteligentes: a categoria em que o Tamagotchi entra

Oura, Samsung Galaxy Ring, RingConn e outros medem sono, batimentos e atividade em anéis de titânio a preços de smartwatch; o Tamagotchi Ring pega carona no formato sem a função de saúde — é brinquedo, não monitor —, mas ocupa o mesmo dedo e a mesma prateleira. É o encontro do gadget de 1996 com o de 2024.

Bandai Namco: a empresa por trás

Fusão da Bandai, de brinquedos, com a Namco, de jogos, em 2005, a Bandai Namco é uma das maiores empresas de entretenimento do Japão — dona de Gundam, Dragon Ball em licenciamento, Pac-Man e Tekken —, e o Tamagotchi é uma de suas franquias mais rentáveis, com mais de 100 milhões de unidades vendidas desde 1996 e relançamentos anuais.

Brasil: a febre de 1997 e a espera de 2026

No Brasil, o Tamagotchi chegou em 1997 e virou mania — proibido em escolas, disputado em lojas, copiado por genéricos —; os relançamentos recentes chegaram por importação e por lojas especializadas, com preços altos. A Bandai não tem previsão para o anel no país, e o caminho provável é o mesmo: importadores e revenda on-line.

Preço e disponibilidade: o que se sabe

Lançado no mercado asiático em três cores, o Tamagotchi Ring ainda não teve preço divulgado em dólar; modelos recentes da linha custam entre US$ 30 e US$ 60, e o anel, pela miniaturização, deve ficar acima. Sem data para as Américas, a importação por sites asiáticos é a alternativa para os fãs brasileiros.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia é leve e reveladora. "Numa semana de GPT-6, kill switch e óculos que filmam, a Bandai lança um anel que pede para você alimentar um bichinho de pixel — e o Tecnoblog dá a notícia com o mesmo espaço. Está certo. O Tamagotchi é a prova de que tecnologia não precisa ser inteligente para ser querida; precisa ser sua. O portal registra o lançamento com a nostalgia de quem confiscou ou foi confiscado em 1997, e aguarda a chegada ao Brasil — de preferência antes que o bichinho morra de fome no dedo de alguém em Tóquio", analisa.

O Tamagotchi Ring, descrito pela Bandai como o menor dispositivo da franquia, foi lançado no mercado asiático em três cores e noticiado pelo Tecnoblog em 3 de setembro de 2026; não há previsão de chegada ao Brasil.

Foto: ys-energy (Public domain) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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