A RugOne quer fugir do visual tradicional dos smartphones com um recurso inusitado no Xsnap 7 Pro: uma câmera magnética removível que se desprende do celular e funciona como action cam, ao estilo GoPro. O módulo tem formato quase cúbico, pesa 39 gramas e grava vídeos em até 2.7K a 30 quadros por segundo, com até 40 minutos de autonomia e 64 GB de armazenamento interno. Apresentado na IFA 2026, o aparelho aposta na câmera destacável como principal diferencial — ainda abaixo das câmeras de ação mais recentes em resolução e recursos, mas com a vantagem de estar integrada ao telefone e poder ser usada separadamente. As informações são do Canaltech.
O módulo transmite prévia da gravação ao aplicativo da marca a até 50 metros de distância, traz correção de distorção, bloqueio de horizonte e modo Freeframe — que usa toda a área do sensor para o usuário decidir depois se recorta o vídeo na vertical ou na horizontal — e resiste a água até cinco metros de profundidade sem capa adicional.
A ideia: câmera que sai do celular
A câmera destacável resolve um problema conhecido de quem filma esporte, trilha ou trabalho de campo: o celular é bom demais para arriscar numa queda e grande demais para prender no capacete. O módulo da RugOne se prende por ímã à traseira do aparelho, carrega com ele e, quando solto, vira câmera autônoma com bateria própria — que se comunica com o telefone por rádio. É conceito que fabricantes chineses testam desde os módulos magnéticos da Xiaomi e que a RugOne leva ao produto comercial.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o produto é nicho bem definido. "Ninguém vai trocar o iPhone por um RugOne. Mas o eletricista que sobe em poste, o guia de rafting, o inspetor de obra — gente que hoje carrega celular robusto e GoPro separados — tem aqui os dois num só, com a câmera de 39 gramas que prende no capacete e transmite para o celular no bolso. A resolução de 2.7K é de GoPro de três anos atrás; para documentar serviço, sobra. O preço de 799 euros no Kickstarter é o de um celular robusto mais uma action cam de entrada. Faz sentido para quem precisa", avalia.
Acessórios e compatibilidade
A RugOne pretende incluir um pingente magnético para prender o módulo ao corpo — no peito, para gravação em primeira pessoa — e oferecer compatibilidade com acessórios de terceiros que usem suportes universais, o padrão de encaixe das action cams. Isso abre o ecossistema de GoPro e similares — hastes, suportes de capacete, ventosas — ao módulo, o que amplia o uso sem depender de acessórios próprios.
As outras câmeras: 50 MP com OIS e visão noturna de 64 MP
A câmera removível não é o único recurso incomum. O Xsnap 7 Pro tem câmera principal de 50 MP com estabilização óptica e recursos de inteligência artificial, e, na traseira, sensor de 64 MP para visão noturna acompanhado de LEDs infravermelhos — proposta que permite gravações noturnas em preto e branco com mais detalhe, inclusive de vida selvagem. A visão noturna infravermelha é característica de celulares robustos voltados a segurança, caça e trabalho em campo, e aqui se soma ao módulo destacável.
Robusto de verdade: IP68, IP69K, 1,5 m
O aparelho tem tela de 6,67 polegadas com brilho máximo de 1.700 nits e taxa de atualização de até 120 Hz, processador MediaTek Dimensity 8400 e certificações IP68 e IP69K — pode ficar submerso a dois metros por 30 minutos e resiste a jatos de água quente sob pressão. Segundo a RugOne, suporta quedas de até 1,5 metro sobre concreto. É a ficha de um celular de trabalho, não de vitrine.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o mercado de robustos é maior do que parece. "Celular robusto é categoria que a Samsung e a Motorola abandonaram e que marcas chinesas — Ulefone, Doogee, Oukitel, agora RugOne — ocupam com produto cada vez mais capaz. O Dimensity 8400 é chip de intermediário premium; a tela de 120 Hz é de flagship. O que a RugOne adiciona é a câmera solta, e isso é o tipo de inovação que só vem de quem não tem medo de parecer estranho. No Brasil, onde o celular cai, molha e é usado em obra, o robusto tem público — o problema é sempre a importação", observa.
Visão noturna infravermelha: para que serve
A câmera de 64 MP com LEDs infravermelhos capta luz invisível ao olho humano e produz imagem em preto e branco em escuridão total — tecnologia de câmeras de segurança e de equipamentos de caça, incomum em celulares. Os usos vão de vigilância de propriedade rural e observação de animais noturnos a inspeção de dutos e forros sem iluminação. Não substitui o modo noturno colorido da câmera principal, que amplifica luz existente; é ferramenta para quando não há luz nenhuma.
Dimensity 8400 e a tela de 120 Hz
O MediaTek Dimensity 8400 é chip de faixa intermediária-alta, com desempenho comparável a Snapdragon da série 7 e eficiência para bateria de longa duração; num robusto, garante que o aparelho não seja lento — defeito histórico da categoria. A tela de 6,67 polegadas com 1.700 nits e 120 Hz é de flagship: legível ao sol, fluida na rolagem. A RugOne montou um robusto que não pede desculpas pela ficha técnica.
IP69K: o que significa
A certificação IP68 cobre imersão em água doce; a IP69K, mais rara, cobre jatos de água quente sob alta pressão — o teste usado em equipamentos industriais e agrícolas que passam por lavagem com hidrojato. Um celular IP69K sobrevive a ser lavado com o trator. Somada à resistência a quedas de 1,5 m sobre concreto, é a especificação de quem trabalha em ambiente que destrói celular comum em semanas.
Freeframe: filmar sem escolher formato
O modo Freeframe grava usando toda a área do sensor, em proporção quadrada, para que o usuário recorte depois em 16:9 para YouTube ou 9:16 para redes verticais — sem perder resolução na escolha. É recurso que a DJI popularizou nas Osmo Action e que resolve o dilema de quem filma uma vez e publica em duas plataformas. Combinado com o bloqueio de horizonte, que mantém a imagem nivelada mesmo com a câmera girando, entrega estabilidade de action cam num módulo de 39 gramas.
Kickstarter: 7 de setembro, 799 euros
O Xsnap 7 Pro abre vendas antecipadas no Kickstarter em 7 de setembro, com preço promocional de 799 euros, cerca de R$ 4.759. A previsão é venda global a partir do mês seguinte, pela Amazon e pela loja online da RugOne, ao preço regular de US$ 999 — aproximadamente R$ 5,3 mil em conversão direta, sem impostos e custos de importação. As cores são Sand Dune e Classic Black. O Kickstarter é o canal habitual de marcas chinesas de nicho para financiar a primeira produção e medir demanda.
Chegada ao Brasil: o custo
Sem distribuição oficial, o Xsnap 7 Pro chegaria ao Brasil por importação direta — com imposto de 60% mais ICMS sobre o valor, o que levaria o preço a R$ 9 mil ou mais — ou pelo mercado cinza. É a barreira que mantém celulares robustos chineses como produto de importador especializado no país, apesar da demanda de segmentos como construção, agro e segurança.
Action cam x celular: a convergência
GoPro, DJI e Insta360 dominam o mercado de action cams com produtos de 4K e 5.3K, estabilização por software e módulos intercambiáveis; o celular, por outro lado, absorveu a câmera compacta e ameaça a action cam de entrada. O RugOne tenta o caminho do meio: uma action cam simples que vive dentro do celular. Se o conceito pegar, é possível que fabricantes maiores o copiem — a Xiaomi já brincou com módulos magnéticos em protótipos.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o produto vale pela ideia mais que pela ficha. "Dois em um sempre foi promessa que decepciona — o celular-câmera da Samsung em 2013, o celular-projetor da Motorola. O RugOne tem chance porque não tenta ser o melhor em nada: é um robusto decente com uma action cam decente, para quem precisa das duas coisas e não quer carregar as duas. Se vender 20 mil no Kickstarter, é sucesso. E se a GoPro aparecer em 2027 com um módulo magnético para iPhone, a RugOne terá sido quem mostrou o caminho", analisa.
O RugOne Xsnap 7 Pro foi apresentado na IFA 2026, em Berlim. A pré-venda no Kickstarter começa em 7 de setembro de 2026, a 799 euros; o preço regular será de US$ 999.
Foto: Mliu92 (CC BY-SA 3.0) via Wikimedia Commons.