Tecnologia

Disney+ volta a funcionar em TVs da Samsung cerca de 24 horas depois

A enxurrada de reclamações tomou redes e Reclame Aqui na quarta; sem relatos equivalentes em outras marcas ou serviços, a suspeita de falha se confirmou na quinta, quando o app voltou a abrir.

Disney+ volta a funcionar em TVs da Samsung cerca de 24 horas depois

O drama dos usuários do Disney+ acabou: o serviço de streaming voltou a funcionar nas TVs da Samsung cerca de 24 horas após uma enxurrada de reclamações. A Disney confirmou a normalização ao Tecnoblog, que também fez testes nos quais o Disney+ funcionou normalmente; com isso, o aviso "Este aplicativo não é compatível com a sua TV" não aparece mais quando os clientes tentam abrir a plataforma. As informações são do Tecnoblog.

Ainda não se sabe o motivo da falha; o Tecnoblog apurou com pessoas com conhecimento do mercado que ela se deu na ponta da Disney, não da Samsung. A falha ganhou as redes sociais e gerou numerosas queixas no Reclame Aqui no decorrer da quarta-feira (2 de setembro): em todos os casos, usuários de televisores como Samsung RU7100, QLED Q60, OLED S90C e Q70T, entre outros modelos, relataram que, repentinamente, não conseguiam mais acessar o app Disney+ no aparelho. Não houve aviso prévio sobre o fim do suporte ao aplicativo em TVs da Samsung, tampouco relatos em volume equivalente de problemas relacionados a televisores de outras marcas ou a serviços de streaming concorrentes — tudo isso levantou a suspeita de falha, o que parece ter sido o caso: na quarta, o Tecnoblog conseguiu reproduzir o erro numa TV Samsung RU7100; na quinta, o problema não existia mais, com a ressalva de que o aplicativo foi removido e instalado novamente — se o usuário ainda estiver com problemas, a solução pode ser reinstalar o app. Ainda na quarta, o Tecnoblog pediu esclarecimentos ao Disney+ e não obteve resposta; após insistência, a Disney informou que o problema foi solucionado, sem fornecer explicação ou nota à imprensa. Mesmo assim, ainda havia usuários relatando o problema em plataformas como X e Reclame Aqui, mas, como outros tantos revelaram ter resolvido, o recado é reinstalar o app. Em nota enviada em 4 de setembro, a Samsung afirmou: "Devido a um problema técnico temporário, o aplicativo Disney+ ficou brevemente indisponível em alguns modelos de Smart TVs Samsung. O problema já foi resolvido e o acesso restabelecido. Para dúvidas adicionais, o consumidor deve entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) do Disney+."

Quando o app decide que a TV não serve: a fragilidade do streaming na smart TV e o que 24 horas de pane ensinam ao consumidor

O episódio é pequeno na escala das notícias de tecnologia da semana — nenhum dado vazou, ninguém perdeu dinheiro, o serviço voltou em um dia —, mas é revelador do arranjo que sustenta o entretenimento doméstico brasileiro: a Samsung é a maior vendedora de televisores do país, com mais de um terço do mercado, e seu sistema Tizen é a plataforma pela qual dezenas de milhões de brasileiros acessam Netflix, Globoplay, Disney+, Prime Video, Max e YouTube; cada um desses aplicativos é mantido pelo serviço de streaming, não pela fabricante, precisa ser compatível com versões do Tizen que remontam a 2016, e depende de um "certificado" de compatibilidade que o app consulta ao abrir — quando a Disney, ao publicar uma atualização ou alterar a configuração de seus servidores, alterou a lista de modelos suportados, TVs de 2019 a 2023, do RU7100 de entrada ao OLED S90C de R$ 8 mil, passaram a receber a mensagem de incompatibilidade, como se o televisor tivesse envelhecido da noite para o dia. A ausência de comunicação — Disney sem nota, Samsung com uma frase genérica um dia depois — é o padrão da indústria e o que mais irrita o consumidor: numa pane de 24 horas em que milhares de assinantes pagantes ficaram sem o serviço, a única fonte de informação foi o Reclame Aqui, o X e a imprensa especializada, que reproduziu o erro, apurou a origem e sugeriu a solução (reinstalar) antes de qualquer empresa; o Código de Defesa do Consumidor prevê abatimento proporcional por serviço não prestado, mas ninguém vai pedir R$ 1,50 de desconto por um dia sem Disney+. O contexto mais amplo é o da dependência crescente de smart TVs cujo suporte a apps é decidido pelos serviços, não pelo dono do aparelho: a Netflix abandonou TVs de 2014 e 2015 em 2024, a Globoplay deixou modelos antigos em 2025, e a cada corte o consumidor descobre que um televisor funcional se torna obsoleto por decisão de terceiros — o que alimenta o mercado de dispositivos externos, como Chromecast, Fire TV e Apple TV, que têm ciclo de suporte mais previsível, e a discussão regulatória, na União Europeia, sobre direito ao software por tempo mínimo. Para o consumidor de Araras que comprou a TV Samsung na Black Friday e assina o Disney+ pelo combo da operadora, a lição de quarta é prática: quando o app diz que a TV não é compatível, a culpa raramente é da TV; reinstale, espere um dia e — se a mensagem persistir em um modelo de mais de sete anos — considere que o serviço, e não o aparelho, decidiu se despedir.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o caso é um retrato da relação de força entre plataforma e usuário. "Milhares de TVs Samsung, de R$ 1.500 a R$ 8 mil, ficaram 24 horas sem Disney+ porque alguém na Disney mudou uma configuração — e a resposta foi silêncio, depois 'problema temporário'. Quem descobriu a causa foi o Tecnoblog; quem sugeriu a solução, o Tecnoblog; quem avisou os consumidores, o Reclame Aqui. O portal registra a pane não pelo tamanho, mas pelo que mostra: o televisor é seu, o app é deles, e o suporte acaba quando eles decidem. Reinstalar resolve hoje; a pergunta é quando o RU7100 vai receber a mensagem de verdade", avalia.

O erro: "este aplicativo não é compatível com a sua TV"

A mensagem apareceu sem aviso em modelos Samsung de várias gerações — RU7100 (2019), QLED Q60, Q70T (2020), OLED S90C (2023) —, impedindo a abertura do Disney+; nenhum outro serviço de streaming nem TVs de outras marcas registraram volume equivalente de queixas, o que apontou para falha, e não fim de suporte.

A origem: ponta da Disney, não da Samsung

Fontes de mercado ouvidas pelo Tecnoblog atribuem a pane a uma alteração do lado da Disney — configuração de servidores ou lista de dispositivos suportados —, e não ao sistema Tizen; a Samsung, em nota, falou em "problema técnico temporário" e remeteu dúvidas ao SAC do Disney+.

A solução: reinstalar o aplicativo

Na quinta, o app voltou a funcionar após ser removido e instalado novamente; usuários que ainda veem a mensagem devem desinstalar o Disney+ pelo menu de apps da TV, reinstalá-lo pela loja Samsung e fazer login — o procedimento que resolveu a maioria dos casos relatados no X e no Reclame Aqui.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a comunicação foi o pior da história. "A Disney não respondeu na quarta, confirmou sem explicar na quinta e não emitiu nota; a Samsung mandou três linhas na sexta. Num dia inteiro de pane, o assinante pagante não teve uma fonte oficial. É o padrão da indústria e é inaceitável: quem cobra mensalidade deve avisar quando não entrega. O portal registra e observa que o CDC garante abatimento por serviço não prestado, e que ninguém vai pedir — porque a plataforma conta com isso", observa.

Samsung e Tizen: a maior porta do streaming no Brasil

Líder do mercado brasileiro de TVs, com mais de um terço das vendas, a Samsung roda o sistema Tizen desde 2015; os apps de streaming são mantidos pelos serviços e precisam de compatibilidade com versões antigas — o arranjo que torna cada atualização um risco para milhões de aparelhos.

Quando o suporte acaba de verdade

Netflix abandonou TVs de 2014–2015 em 2024; Globoplay cortou modelos antigos em 2025; o ciclo de suporte a apps é decidido pelos serviços, não pela fabricante, e transforma televisores funcionais em obsoletos — o que impulsiona dispositivos externos como Chromecast, Fire TV e Apple TV.

Direitos do consumidor: abatimento e informação

O Código de Defesa do Consumidor prevê abatimento proporcional por serviço não prestado e dever de informação; na prática, panes curtas não geram compensação, e a comunicação fica com a imprensa e o Reclame Aqui — o vazio que o caso Disney+ expôs.

O consumidor de Araras: TV da Black Friday, combo da operadora

Para quem comprou a Samsung em promoção e assina o Disney+ pelo pacote da operadora, a orientação é reinstalar o app e aguardar; se a mensagem persistir em modelos com mais de sete anos, o mais provável é o fim do suporte pelo serviço — e a solução passa a ser um dispositivo externo.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o episódio ilustra o custo oculto do streaming. "O assinante paga Disney+, paga a TV, paga a internet — e não controla nenhum dos três quando o app decide que a TV não serve. Vinte e quatro horas foi pouco; a próxima pode ser definitiva, sem aviso, como a Netflix fez com as TVs de 2014. O portal registra a pane resolvida e o alerta que fica: em smart TV, a compatibilidade é emprestada. Quem quer previsibilidade compra um aparelho externo de R$ 300 e para de depender da boa vontade de quem cobra a mensalidade", analisa.

A pane do Disney+ em TVs da Samsung, com o erro "este aplicativo não é compatível com a sua TV" em modelos como RU7100, QLED Q60, OLED S90C e Q70T, começou em 2 de setembro de 2026 e foi resolvida cerca de 24 horas depois, segundo o Tecnoblog, que apurou que a falha ocorreu do lado da Disney; a Samsung, em nota de 4 de setembro, atribuiu a indisponibilidade a "um problema técnico temporário" e orientou os consumidores a procurar o SAC do Disney+.

Foto: Terry Ballard from Merrick, New York, USA (CC BY 2.0) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

Develop by Cliki