O LibreOffice 26.8 atingiu 1 milhão de downloads em sua primeira semana de lançamento — um recorde para o projeto de código aberto. Lançada oficialmente em 26 de agosto, a versão conseguiu, já na primeira semana de "mercado", o feito que a The Document Foundation, responsável pela suíte, destacou como o maior número de downloads registrado pelo projeto nesse período: entre 26 de agosto e 2 de setembro, foram exatamente 1.031.162 downloads. As informações são do Tecnoblog.
O número não considera os usuários de Linux que obtiveram o LibreOffice 26.8 por meio de atualizações em suas distribuições, nem os que atualizaram a suíte a partir de uma versão anterior já instalada. A fundação não apontou a explicação para o êxito, mas o conjunto de novos recursos da versão pode estar entre as causas; outro fator possível é um "não recurso": a TDF fez questão de enfatizar que o LibreOffice 26.8 não conta com nenhum assistente de IA, o que pode soar como alento para quem não suporta se deparar com esse tipo de tecnologia no Microsoft Office ou em outros softwares. A suíte pode ser baixada no site oficial, com versões para Windows, Linux e macOS; é gratuita, tem código-fonte aberto e está disponível em cerca de 120 idiomas, incluindo português do Brasil e de Portugal.
Do OpenOffice ao LibreOffice: 16 anos de alternativa ao Office
O LibreOffice nasceu em 2010 como bifurcação do OpenOffice.org, quando a comunidade de desenvolvedores rompeu com a Oracle, que havia adquirido a Sun Microsystems e o projeto; a The Document Foundation, sediada em Berlim, assumiu o código e o transformou na suíte de escritório livre mais usada do mundo — Writer, Calc, Impress, Draw, Base e Math —, com centenas de milhões de instalações, adoção por governos e o formato aberto ODF como padrão. Em 2026, o projeto mudou a numeração para o ano e o mês da versão — 26.2 em fevereiro, 26.8 em agosto — e chega ao recorde num momento particular: a Microsoft elevou preços do Microsoft 365 para incluir o Copilot, seu assistente de IA, em todas as assinaturas, e governos europeus — o estado alemão de Schleswig-Holstein, o Ministério da Digitalização da Dinamarca, prefeituras francesas — anunciaram migração para LibreOffice por soberania digital e custo. Um milhão de downloads em uma semana, sem contar Linux e atualizações, indica que a combinação de novos recursos, gratuidade e ausência de IA encontrou público — e que o cansaço com assistentes onipresentes é real.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o recorde é uma notícia sobre o que as pessoas não querem. "Enquanto OpenAI lança o GPT-6, o Google coloca voz no Gmail e a Microsoft cobra mais caro pelo Copilot dentro do Word, uma suíte gratuita, sem IA nenhuma, bate recorde de download. A fundação diz que não sabe por quê; o Tecnoblog sugere; o portal concorda: parte dos usuários quer um editor de texto que edite texto. Some-se o preço — zero contra assinatura de 400 reais por ano —, a soberania — governos europeus fugindo da nuvem americana — e o português do Brasil bem traduzido, e o LibreOffice vira opção séria para prefeitura, escola e pequena empresa. Araras, que paga licença Microsoft com dinheiro público, poderia fazer a conta", avalia.
1.031.162 em sete dias: o que o número mede
São downloads diretos do site da fundação — instaladores para Windows, macOS e Linux —, o que exclui a maior parte dos usuários de Linux, que atualizam pelo gerenciador de pacotes, e quem usou a atualização interna; o número real de novas instalações e atualizações é, portanto, maior. O recorde anterior não foi divulgado, mas versões recentes ficavam abaixo de 1 milhão na primeira semana.
Sem assistente de IA: a escolha da fundação
A TDF decidiu não integrar modelos de linguagem ao LibreOffice — nem próprio, nem de terceiros —, citando privacidade, custo e a filosofia de software que não envia dados a servidores externos; extensões da comunidade permitem conectar IA a quem quiser. É posição oposta à de Microsoft, Google e Apple, que embutem assistentes em todos os produtos.
Microsoft 365 e Copilot: o preço da IA
Em 2025, a Microsoft incluiu o Copilot nas assinaturas pessoais e familiares do 365 e elevou os preços — sem opção de recusar o recurso na assinatura padrão —, o que gerou reclamações e busca por alternativas; o Office continua dominante no mundo corporativo, mas o usuário doméstico e a pequena empresa passaram a comparar.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a dimensão política do recorde é a soberania. "Governos europeus estão migrando para LibreOffice porque não querem documentos públicos em nuvem americana sujeita a lei americana — o Cloud Act permite que Washington acesse dados de empresas dos Estados Unidos onde quer que estejam. Schleswig-Holstein saiu do Microsoft Office; a Dinamarca também. O Brasil discutiu isso nos anos 2000, adotou o ODF em alguns órgãos e recuou. Com a tarifa de Trump, o visto da embaixadora e a doutrina do 'domínio das Américas', talvez seja hora de rediscutir onde ficam os arquivos do governo brasileiro. O LibreOffice não é só grátis: é um formato aberto que ninguém pode desligar", observa.
Governos que migraram: Schleswig-Holstein, Dinamarca e outros
O estado alemão anunciou em 2024 a troca de Microsoft Office e Windows por LibreOffice e Linux em 30 mil postos de trabalho; a Dinamarca iniciou migração em 2025; cidades francesas e a administração de Munique têm histórico de idas e vindas. O argumento é custo e independência de fornecedor — o mesmo que o Brasil usou ao adotar software livre nos anos 2000.
Formato ODF: o padrão que não pertence a ninguém
O OpenDocument Format, padrão ISO desde 2006, garante que documentos possam ser abertos por qualquer software compatível, hoje e daqui a décadas — argumento central para arquivos públicos; o LibreOffice o usa por padrão e abre e salva os formatos da Microsoft, com compatibilidade que melhora a cada versão.
Numeração por ano: por que 26.8 e não 25.x
Até 2025, o LibreOffice seguia numeração sequencial — 7.6, 24.2, 24.8, 25.2 —, com duas versões maiores por ano, em fevereiro e agosto; a fundação adotou o esquema ano.mês para tornar evidente a idade de cada versão e facilitar o suporte em empresas e governos, que precisam saber se usam software atual. A 26.8, de agosto de 2026, é a segunda do ano e terá atualizações de correção por meses, enquanto a 26.2 segue como versão "estável" para quem prioriza previsibilidade; a próxima, 27.2, chega em fevereiro. A mudança acompanha práticas de outros projetos abertos e reforça a mensagem de continuidade: o LibreOffice é atualizado duas vezes por ano há 16 anos, sem assinatura, sem nuvem obrigatória e, agora, sem assistente de IA.
Recursos do 26.8: o que mudou
A versão traz melhorias de compatibilidade com documentos do Office, desempenho, acessibilidade e novos recursos no Writer e no Calc, além de correções; a fundação publica as notas completas no site. Para o usuário comum, a diferença mais visível é a velocidade e a fidelidade ao abrir arquivos .docx e .xlsx.
Brasil: quem usa e quem poderia usar
Órgãos públicos, escolas, universidades e pequenas empresas usam LibreOffice no Brasil, com comunidade ativa de tradução e suporte; a maioria das prefeituras, porém, paga licenças Microsoft. Com português do Brasil completo e sem custo, a suíte é alternativa imediata para quem não depende de macros complexas ou de integração com o Teams.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o recorde merece ser lido como sinal de mercado. "Um milhão de pessoas baixaram, em uma semana, um programa que não tem IA, não custa nada e não manda dados para ninguém. A indústria diz que todo mundo quer assistente em tudo; o número diz que uma parcela grande quer o oposto. Não é nostalgia — é preferência por ferramenta que faz uma coisa bem. O LibreOffice é imperfeito, mas é honesto: código aberto, formato aberto, sem assinatura. O portal recomenda testar — e recomenda às prefeituras da região que calculem o que gastam com licença antes de renovar", analisa.
O recorde de 1.031.162 downloads do LibreOffice 26.8 na primeira semana após o lançamento, em 26 de agosto de 2026, foi divulgado pela The Document Foundation e noticiado pelo Tecnoblog em 3 de setembro de 2026; a suíte é gratuita, de código aberto e disponível em cerca de 120 idiomas.
Foto: Johan Kosta (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.