A OpenAI lançou nesta quinta-feira (3 de setembro) seu mais recente modelo de inteligência artificial, que classificou como "o mais inteligente do mundo", numa tentativa da criadora do ChatGPT de retomar a liderança de sua rival Anthropic antes de uma planejada abertura de capital. A startup afirmou que o GPT-6 Astra lidera o mercado em engenharia de software, ciência e segurança cibernética — área cada vez mais crítica após diversas violações de grande repercussão nas últimas semanas. As informações são da Folha.
O lançamento em tom otimista marca o esforço da OpenAI para sinalizar que acredita ter recuperado a liderança tecnológica sobre a Anthropic, fundada há cinco anos por um grupo de executivos seniores da própria OpenAI. Greg Brockman, presidente da empresa, disse que o novo modelo "representa um salto geracional em capacidade" e que poderia ser definido como inteligência artificial geral — conceito que, em linhas gerais, descreve o ponto em que ferramentas de IA superam as capacidades humanas em uma série de tarefas cognitivas. "Cada pessoa tem uma definição diferente de AGI... É algo impreciso, nebuloso. Mas acho que, olhando para trás, as pessoas considerarão que foi mais ou menos nesta época e com este modelo", afirmou. A OpenAI já havia tratado a AGI como marco concreto, incluindo "cláusulas de AGI" em acordos de investimento de vários bilhões de dólares com Microsoft e Amazon; nesta quinta, Brockman disse que a AGI agora representa "mais um conceito de missão ou um conceito espiritual". Após liderar o mercado na sequência do lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, a Anthropic superou o laboratório neste ano: tem destacado seu domínio aos investidores e alcançou avaliação de US$ 965 bilhões antes de uma oferta pública inicial que, segundo as expectativas, poderá avaliá-la em até o dobro desse valor ainda em 2026. O uso do Astra custará tanto quanto o do principal modelo da Anthropic, cuja adoção se estabilizou desde o lançamento, à medida que usuários migram para alternativas de menor custo; a OpenAI afirmou que o Astra será mais eficiente que modelos anteriores — "o que importa é o preço por tarefa... É possível concluir o trabalho por um preço adequado e em uma velocidade adequada?", disse Brockman.
A guerra dos dois laboratórios: como a Anthropic ultrapassou a OpenAI, o que o Astra tenta recuperar e por que "AGI" virou argumento de IPO
A rivalidade entre OpenAI e Anthropic é a disputa central da indústria de IA desde 2021, quando Dario e Daniela Amodei e outros pesquisadores deixaram a OpenAI por divergências sobre segurança e comercialização e fundaram o laboratório que, em 2026, conquistou o mercado corporativo com modelos voltados a programação, agentes e uso empresarial — a fatia que gera receita recorrente, ao contrário do consumidor do ChatGPT, e que fez a Anthropic superar a OpenAI em receita de API e em avaliação, com US$ 965 bilhões, financiada por Amazon e Google e apoiada em contratos com bancos, consultorias e governos; a OpenAI, por sua vez, transformou-se em empresa de consumo — mais de um bilhão de usuários do ChatGPT, publicidade, dispositivos, o navegador — e em conglomerado de infraestrutura, com o projeto Stargate de centenas de bilhões em data centers, a reorganização societária que a libertou do controle da fundação e um IPO previsto para 2027 que precisa de uma narrativa de liderança técnica para justificar avaliação superior à da rival. O Astra é essa narrativa: um modelo posicionado exatamente nas três áreas em que a Anthropic dominou — engenharia de software, ciência e cibersegurança —, com preço igual ao do concorrente e a promessa de eficiência por tarefa, e embalado na palavra que a OpenAI evitou por dois anos, AGI, que Brockman agora usa como "conceito espiritual" depois de a empresa ter escrito cláusulas contratuais em que atingir a AGI encerraria obrigações com a Microsoft — a redefinição é conveniente: AGI como marco jurídico seria disputada em tribunal; AGI como slogan vende ações. A avaliação independente virá dos benchmarks públicos e, sobretudo, dos clientes corporativos que já migram entre modelos por preço e desempenho com facilidade crescente — o dado da própria Folha de que a adoção do modelo principal da Anthropic "se estabilizou" com a migração a alternativas mais baratas mostra que a lealdade a laboratórios é baixa e a disputa é de custo por tarefa, não de inteligência abstrata —, e do contexto de segurança que a reportagem cita, com violações de grande repercussão nas últimas semanas atribuídas a agentes de IA usados por atacantes, o que transforma a "liderança em cibersegurança" numa faca de dois gumes. Para o Brasil, terceiro maior mercado do ChatGPT e onde bancos, o governo e startups como a que a Folha registrou nesta semana constroem sobre os dois laboratórios, a disputa é boa notícia em preço e capacidade e má notícia em dependência: os dois são americanos, os dois passam por IPO, e o país que discute o Redata para atrair data centers não tem um modelo de fronteira próprio; e para quem trabalha com software em Araras ou em qualquer cidade do interior, o Astra e o modelo da Anthropic são hoje ferramentas de trabalho cotidianas, cuja escolha se faz, como Brockman admite, pelo preço da tarefa.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o lançamento é sobre o IPO, não sobre a AGI. "A OpenAI passou dois anos dizendo que AGI era um marco contratual — e agora, às vésperas de abrir capital atrás da Anthropic, que vale quase um trilhão, o presidente diz que é 'espiritual' e que o Astra talvez seja. É marketing de prospecto. O que importa, ele mesmo diz, é preço por tarefa — e nisso a Anthropic ganhou 2026 com programação e empresas. O portal registra o Astra como o modelo mais capaz da OpenAI e a frase de Brockman como a confissão de que a corrida mudou: não é quem chega à inteligência geral, é quem cobra menos por linha de código. O cliente corporativo já entendeu; migra por preço", avalia.
O que a OpenAI afirma sobre o Astra
Liderança em engenharia de software, ciência e segurança cibernética; "salto geracional em capacidade"; eficiência maior que a dos modelos anteriores, com custo igual ao do principal modelo da Anthropic; e a sugestão de Brockman de que o modelo poderá ser lembrado como o momento da AGI — afirmações da empresa, pendentes de avaliação independente.
A Anthropic: US$ 965 bilhões e o IPO
Fundada em 2021 por ex-executivos da OpenAI, superou o laboratório neste ano em avaliação e no mercado corporativo, com foco em programação e agentes; a oferta pública prevista para 2026 pode avaliá-la em até US$ 1,9 trilhão — o número que a OpenAI precisa desafiar antes do próprio IPO.
AGI: de cláusula contratual a "conceito espiritual"
A OpenAI incluiu "cláusulas de AGI" em acordos bilionários com Microsoft e Amazon, em que atingir a inteligência geral alteraria obrigações; a redefinição de Brockman — marco de missão, não técnico — esvazia o gatilho jurídico e transforma a sigla em argumento de marketing para investidores.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a migração por preço é o dado mais revelador. "A Folha diz que a adoção do modelo principal da Anthropic se estabilizou porque usuários vão para alternativas mais baratas — e a OpenAI lança o Astra pelo mesmo preço prometendo fazer mais por tarefa. É guerra de commodity com verniz de ficção científica. O portal registra e observa que a segurança cibernética, que os dois vendem como liderança, é a área em que a IA acabou de causar as maiores violações do ano; liderar aí é liderar dos dois lados. Para a empresa brasileira, a lição é a de sempre: não dependa de um só laboratório", observa.
Cibersegurança: a liderança de dois gumes
As violações de grande repercussão das últimas semanas, com agentes de IA usados por atacantes, tornam a capacidade ofensiva e defensiva dos modelos o tema mais sensível da indústria; a OpenAI reivindica liderança na área — reivindicação que reguladores e empresas de segurança examinarão com cautela.
Preço por tarefa: a métrica que decide
Com clientes corporativos migrando entre modelos por custo e desempenho, o critério deixou de ser capacidade abstrata e passou a ser o custo de concluir uma tarefa com qualidade e velocidade adequadas — a métrica que Brockman adota e que favorece quem tem infraestrutura mais barata.
A OpenAI de 2026: consumo, infraestrutura e IPO
Mais de um bilhão de usuários do ChatGPT, publicidade, dispositivos, navegador, o projeto Stargate de data centers e a reorganização societária preparam o IPO previsto para 2027; o Astra é a peça de liderança técnica que o prospecto precisa contra uma rival que já vale quase um trilhão.
O Brasil entre os dois laboratórios
Terceiro maior mercado do ChatGPT, com bancos, governo e startups construindo sobre OpenAI e Anthropic, o país ganha em preço e capacidade e perde em autonomia: sem modelo de fronteira próprio, discute incentivos a data centers estrangeiros enquanto a disputa que define a tecnologia acontece em São Francisco.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o episódio mostra a maturidade — e a bolha — do setor. "Dois laboratórios fundados pelas mesmas pessoas, avaliados em trilhões, disputando quem cobra menos por tarefa e quem pode dizer 'AGI' no prospecto. O Astra pode ser o melhor modelo do mundo por três meses; a Anthropic responde, e o ciclo recomeça. O portal registra o lançamento e o contexto: enquanto o Brasil aprova o Redata por manobra, os americanos abrem capital com a inteligência geral como slogan. Quem trabalha com software em Araras usa os dois e escolhe pelo preço — e é a única avaliação que não depende de prospecto", analisa.
O lançamento do GPT-6 Astra pela OpenAI, apresentado em 3 de setembro de 2026 como "o mais inteligente do mundo" e como tentativa de retomar a liderança sobre a Anthropic — avaliada em US$ 965 bilhões antes de um IPO que pode dobrar esse valor —, foi noticiado pela Folha em 4 de setembro de 2026; o presidente da empresa, Greg Brockman, descreveu o modelo como "um salto geracional" e sugeriu que poderá ser lembrado como o momento da inteligência artificial geral.
Foto: Authors of the study: Sébastien Bubeck, Varun Chandrasekaran, Ronen Eldan, Johannes Gehrke, Eric Horvitz, Ece Kamar, Pet (CC BY 4.0) via Wikimedia Commons.