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The Last of Us Part 3 vem aí: Neil Druckmann revela ao Washington Post que a Naughty Dog trabalha

Estúdio é criticado por sete anos sem experiência inédita e por abandonar Uncharted e Jak and Daxter; piadas miram o excesso de remasterizações.

The Last of Us Part 3 vem aí: Neil Druckmann revela ao Washington Post que a Naughty Dog trabalha

O codiretor da Naughty Dog, Neil Druckmann, revelou que o estúdio tem mais cartas na manga para a franquia The Last of Us — que envolvem não apenas a adaptação em série, mas também novos games no futuro. Em entrevista ao The Washington Post, o executivo diz com todas as letras que a desenvolvedora voltará a explorar a história de Ellie, dos fungos e do que foi construído desde o jogo original, lançado em 2013. As informações são do Canaltech.

Druckmann reforça que não vai demorar para o futuro da saga ser revelado: "há alguns projetos em andamento que, quando for o momento certo, estaremos muito empolgados para falar sobre" — na prática, mais do que apenas The Last of Us Part 3 no forno. O estúdio pode trabalhar em duas ou mais obras baseadas no universo, mas não é tudo que prometeu aos fãs: Intergalactic: The Heretic Prophet é a próxima iniciativa, para PlayStation 5, e segue sem data prevista. Com a garantia de que a terceira temporada da série da HBO concluirá a adaptação, o executivo aponta que não se envolveu no projeto desta vez e não sabe o que esperar do arco final, que encerrará o que foi visto no segundo game: "não estava envolvido em moldar a direção criativa dos próximos episódios, assim como a Naughty Dog não teve um papel criativo" nas gravações — por isso, "não pode falar como está o progresso da produção". Em meio às incertezas, surgem novas questões: com novos títulos, a HBO adaptará o que está por vir ou tentará concluir tudo no terceiro ano? Detalhes do contrato do estúdio com a plataforma não foram esclarecidos. Há piadas na internet com o excesso de remasterizações e novas versões dos jogos-base — em mais de dez anos, foram múltiplas edições dos títulos originais —, mas dificilmente a HBO fará um "Director's Cut" da série. A desenvolvedora recebeu críticas nos últimos anos não apenas por demorar no mínimo sete anos para trazer uma experiência inédita, mas por abandonar franquias de sucesso: em 2027, farão dez anos desde o último Uncharted — o maior hiato da série de Nathan Drake, cujo intervalo anterior era de três anos —, e Jak and Daxter, mascotes do PlayStation do "Velho Testamento", permanecem esquecidos. Ainda assim, a Naughty Dog aposta em uma nova propriedade intelectual — Intergalactic —, que chega em meio ao caos do fim das mídias físicas, preços dinâmicos e outras práticas anticonsumidor.

Treze anos de fungos: por que The Last of Us é a franquia mais valiosa da Sony

Lançado em 2013 para PlayStation 3, The Last of Us vendeu mais de 20 milhões de cópias e é apontado como o ápice da narrativa em videogames; Part II, de 2020, dividiu fãs com a morte de Joel e a campanha de Abby, vendeu outros 10 milhões e ganhou mais prêmios que qualquer jogo da história; a série da HBO, com Pedro Pascal e Bella Ramsey, estreou em 2023 como o maior sucesso da emissora desde Game of Thrones, adaptou o segundo jogo na temporada de 2025 e vai encerrar a história de Ellie e Abby na terceira, sem Druckmann — que deixou a série para se concentrar em Intergalactic, o jogo de ficção científica anunciado em 2024 e ainda sem data. A entrevista ao Washington Post confirma o que a lógica de negócio já indicava: a Sony não deixará dormir a franquia que sustenta seu prestígio, e "múltiplos projetos" sugere Part 3 mais algo — remake, spin-off, multiplayer ressuscitado ou jogo derivado da série — em desenvolvimento paralelo. O problema é o tempo: a Naughty Dog, com cerca de 400 funcionários, lançou remasters e remakes desde 2020 — Part I em 2022, Part II Remastered em 2024, o pacote para PC — e nenhum jogo novo, o que alimenta as piadas e a crítica de que o estúdio virou fábrica de reedições; Uncharted, sua outra joia, chega a dez anos sem título, e Jak and Daxter é lembrança. Part 3, quando vier, provavelmente já será para o PlayStation 6, previsto para 2027 ou 2028 — e a HBO terá terminado a série antes de o jogo existir, invertendo a ordem que fez o sucesso da adaptação.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a entrevista é um lembrete de como o jogo virou mídia central. "The Last of Us é o caso mais claro de um videogame que gerou a melhor série de TV do gênero, e agora a série vai terminar antes de o próximo jogo existir — a HBO fecha a história com o material de 2020, e a Naughty Dog promete continuar em 'múltiplos projetos' sem data. Druckmann saiu da série para fazer Intergalactic, que também não tem data. É um estúdio de 400 pessoas com três promessas e nenhum lançamento novo em seis anos, vivendo de remaster. A qualidade justifica a espera; a paciência do fã, não é infinita. O portal, que cobre games porque metade dos jovens de Araras joga, registra: Part 3 vem — no PS6, provavelmente, e depois que a TV já contou o fim", avalia.

O que Druckmann disse — e o que não disse

Confirmou que a Naughty Dog voltará a Ellie e ao universo dos fungos, que há mais de um projeto e que o anúncio não demora; não disse quais, para qual console nem quando. Sobre a HBO, afirmou não ter papel criativo na terceira temporada — o que sugere que a série e os jogos seguirão caminhos separados.

A terceira temporada da HBO: o fim sem o criador

Encerra a adaptação de Part II com o arco de Abby e o confronto final; sem Druckmann e sem a Naughty Dog, a showrunner Craig Mazin conduz sozinho — e a pergunta do Canaltech, se a HBO adaptará jogos futuros, depende de um contrato que ninguém detalhou.

Intergalactic: The Heretic Prophet, a aposta nova

Anunciado no The Game Awards de 2024, o jogo de ficção científica com uma caçadora de recompensas presa num planeta é a primeira propriedade intelectual nova do estúdio desde 2013; sem data, é a prioridade de Druckmann — e a razão de sua saída da série.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a crítica ao estúdio é justa e explicável. "Sete anos sem jogo novo, três remasters, Uncharted abandonado, Jak esquecido — a Naughty Dog virou o estúdio que mais promete e menos lança. Parte é a economia do jogo AAA: 300 milhões de dólares e seis anos por título fazem a Sony preferir reedição garantida a aposta nova. Parte é escolha: Druckmann quer Intergalactic, os fãs querem Part 3, e a HBO quer o que der audiência. O portal registra a promessa de 'múltiplos projetos' com a ressalva de quem já ouviu isso: até aparecer trailer com data, é entrevista. E lembra que o PS5 vai acabar seu ciclo com a Naughty Dog tendo lançado nele apenas remasters", observa.

Uncharted: dez anos sem Nathan Drake

The Lost Legacy, de 2017, foi o último; o filme com Tom Holland, de 2022, rendeu bilheteria, mas não jogo. Rumores de um novo título por outro estúdio da Sony circulam há anos, sem confirmação — e a Naughty Dog, com Intergalactic e The Last of Us, não tem equipe para um terceiro projeto.

Remasters e remakes: a fábrica de reedições

Part I remake em 2022, Part II Remastered em 2024, versões para PC, coleção com os dois: a estratégia mantém a franquia à venda e financia o estúdio entre lançamentos, mas alimenta a percepção de estagnação — e as piadas que o Canaltech cita.

PlayStation 6 e o custo do jogo AAA

Com orçamentos acima de US$ 200 milhões e ciclos de seis anos, jogos como Part 3 são apostas que só a Sony banca — e provavelmente para a próxima geração; o fim das mídias físicas e os preços dinâmicos que o Canaltech menciona são o contexto em que o próximo Naughty Dog será vendido.

Por que importa no Brasil

The Last of Us é uma das franquias mais populares entre jogadores brasileiros — a série da HBO bateu recorde de audiência no país — e o PlayStation lidera o mercado de consoles nacional; cada anúncio da Naughty Dog movimenta a comunidade e o comércio de games, inclusive no interior.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a saga é um caso de estudo sobre propriedade intelectual. "Um jogo de 2013 virou série de 2023, remake, remaster, e vai virar jogo de novo — a mesma história vendida cinco vezes para o mesmo público, que compra todas. É o modelo Disney aplicado ao videogame, e a Sony aprendeu. A entrevista de Druckmann é a garantia aos acionistas de que a máquina continua. O portal registra e recomenda ao fã: guarde o dinheiro do remaster para o Part 3 — que, se vier, vai custar o preço de um console", analisa.

A entrevista de Neil Druckmann ao The Washington Post sobre os próximos projetos da franquia The Last of Us, incluindo novos jogos e a terceira temporada da série da HBO, foi repercutida pelo Canaltech em 4 de setembro de 2026; o jogo original foi lançado em 2013, e Intergalactic: The Heretic Prophet, próximo título da Naughty Dog, segue sem data.

Foto: Pete Ellis (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.

TM
Escrito por

Thiago Baptista Martins

Colaborador convidado do blog The Gin Flavors, assina esta matéria com curadoria própria.

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