A Xiaomi apresentou nesta sexta-feira (4) a Mi Band 11, nova geração de sua smartband, que chega ao mercado chinês com mudanças no design, tela mais brilhante e recursos aprimorados de monitoramento de saúde. O modelo promete até 21 dias de bateria, e a versão básica parte de 289 yuans, cerca de R$ 227, em preço promocional de lançamento — o sugerido é 299 yuans. Além da edição convencional, há variantes com acabamento cerâmico e construção totalmente metálica. A pulseira está em pré-venda na China; não há confirmação de lançamento internacional nem previsão para o Brasil. As informações são do Canaltech.
A Mi Band 11 NFC custa 339 yuans, cerca de R$ 267; as versões cerâmica e metálica, 399 yuans, cerca de R$ 314. Os valores são de conversão direta, sem impostos — no Brasil, a geração anterior chegou por preços entre R$ 300 e R$ 450.
Tela: 1,72 polegada, 2.000 nits, 2 mm de borda
A tela AMOLED de 1,72 polegada tem brilho máximo de 2.000 nits — o dobro de gerações anteriores e suficiente para leitura sob sol forte — e bordas de apenas 2 mm nos quatro lados, o que aproveita quase toda a frente do dispositivo. O corpo tem 9,99 mm de espessura e 15,58 gramas sem a pulseira, com formato curvo que, segundo a Xiaomi, deixa o aparelho mais confortável no pulso. É a smartband mais fina e leve da linha, com tela que rivaliza com relógios de preço muito maior.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a Mi Band continua sendo o produto que define a categoria. "Duas mil nits, três semanas de bateria, 15 gramas, R$ 227. Nenhum smartwatch entrega isso — o Apple Watch dura um dia, o Galaxy Watch dois. A Mi Band é o wearable de quem quer passo, batimento, sono e notificação sem carregar toda noite. A Xiaomi vendeu dezenas de milhões e a 11 não muda a fórmula: melhora tela, mantém preço. A versão em cerâmica por R$ 314 é a tentativa de subir de faixa sem perder a base. No Brasil, vai custar o dobro e ainda assim vai ser a pulseira mais vendida", avalia.
Sensores: coração, oxigênio, estresse, saúde feminina
O conjunto de sensores foi atualizado para acompanhar frequência cardíaca, oxigenação do sangue, estresse e saúde feminina — ciclo menstrual e previsões. A Xiaomi destaca o monitoramento de sono com variabilidade da frequência cardíaca: a função combina os dados coletados durante a noite com inteligência artificial para interpretar o descanso e sugerir melhorias. É o recurso que aproxima a smartband de anéis inteligentes como o Oura, especializados em sono, a uma fração do preço.
150 modos esportivos e 5 ATM
Para quem pratica exercício, a pulseira oferece mais de 150 modos esportivos e reúne saúde e desempenho numa interface centralizada. A resistência à água de 5 ATM — equivalente a 50 metros de pressão estática — permite natação e atividades aquáticas. Não há GPS integrado: a localização em corridas depende do celular, como nas gerações anteriores — a concessão que mantém bateria e preço.
21 dias: por que a bateria dura
Três semanas de autonomia resultam de tela pequena, chip de baixo consumo, ausência de GPS e de conexão celular, e sistema enxuto — o HyperOS 4, que a Xiaomi usa em todo o ecossistema. Com tela sempre ligada, monitoramento contínuo de sono e uso intenso de notificações, a autonomia real cai para 10 a 14 dias — ainda muito acima de qualquer smartwatch. Para o usuário, significa carregar duas vezes por mês.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a Mi Band mostra o que o mercado de wearables ainda não resolveu. "Dez anos depois do primeiro Apple Watch, a dúvida continua: relógio que faz tudo e dura um dia, ou pulseira que faz o essencial e dura três semanas? A Xiaomi apostou na segunda e vendeu mais unidades que qualquer relógio. A 11 traz IA no sono e NFC para pagamento — as duas funções que faltavam para o usuário médio. O que falta é GPS, e a Xiaomi não coloca porque mataria a bateria. É escolha honesta: o produto sabe o que é", observa.
Sono com IA: o que a pulseira faz à noite
O monitoramento de sono da Mi Band 11 registra fases — leve, profundo, REM —, despertares, frequência cardíaca e sua variabilidade ao longo da noite, e o modelo de IA interpreta o conjunto para gerar um índice de qualidade e recomendações: horário ideal de dormir, efeito de exercício tardio, consistência. A variabilidade da frequência cardíaca é o dado mais relevante — indica recuperação e estresse —, e sua inclusão numa smartband de R$ 227 é o avanço que aproxima a Mi Band dos anéis dedicados a sono.
HyperOS 4: o sistema
O HyperOS é o sistema que a Xiaomi usa em celulares, tablets, TVs e wearables, com integração entre dispositivos — a pulseira desbloqueia o telefone, espelha notificações, controla a câmera. A versão 4 na Mi Band 11 traz mostradores novos, mais widgets e conexão mais estável com iPhone, que sempre foi o ponto fraco. Para quem tem celular Xiaomi, a integração é completa; para Android de outras marcas e iOS, o app Mi Fitness cobre o essencial.
Dez gerações: a evolução
A primeira Mi Band, de 2014, não tinha tela — só LEDs — e custava US$ 13. A geração 4 trouxe tela colorida; a 6, tela maior; a 8, o formato de pingente; a 10, brilho e sensores melhores. Em dez gerações, a Xiaomi manteve o preço abaixo de US$ 50 enquanto multiplicou funções, e vendeu, segundo estimativas de mercado, mais de 200 milhões de unidades. A Mi Band 11 é a consolidação: tela de relógio, bateria de pulseira, preço de acessório.
Cerâmica e metal: subir de faixa
As edições em cerâmica e totalmente metálica, a 399 yuans, são a tentativa da Xiaomi de levar a Mi Band ao público que quer acessório de aparência premium sem abandonar a leveza. A cerâmica é material que a Xiaomi usa em celulares de topo e que resiste a riscos; o metal dá aspecto de relógio. São variantes de design, não de função — a ficha técnica é a mesma.
NFC: pagamento e cartões inteligentes
A versão NFC permite pagamentos por aproximação e uso como cartão de acesso, dependendo dos serviços disponíveis em cada país. Na China, integra-se ao Alipay e ao transporte público; no Brasil, gerações anteriores com NFC tiveram suporte limitado a bancos e carteiras, o que reduz o apelo — e explica por que a versão sem NFC costuma ser a mais vendida no país. A compatibilidade com Android e iOS é mantida.
Brasil: quando e quanto
A Xiaomi lança as Mi Bands no Brasil com atraso de dois a quatro meses em relação à China, por importadores oficiais e pela própria loja da marca. A geração 10 chegou por cerca de R$ 350 na versão básica; a 11, com tela e materiais melhores, deve ficar entre R$ 350 e R$ 500, com as edições cerâmica e metal acima disso. É ainda a faixa mais acessível de wearable com sensores completos no mercado brasileiro.
Sem GPS: a escolha que define o produto
A ausência de GPS próprio é a decisão de projeto mais criticada e mais coerente da Mi Band: incluir o receptor dobraria o consumo e reduziria a autonomia para poucos dias, além de encarecer. Quem corre ou pedala com a pulseira leva o celular, que fornece a rota pelo app; quem quer treinar sem telefone precisa de relógio esportivo. A Xiaomi reserva o GPS à linha Watch e mantém a Band como o wearable de uso contínuo — a lógica que sustenta os 21 dias.
A concorrência: Huawei, Samsung, Amazfit
A Huawei Band e a Samsung Galaxy Fit disputam o segmento com fichas semelhantes e preços próximos; a Amazfit, marca da Zepp, compete com relógios baratos e GPS. A Mi Band leva vantagem em volume, ecossistema e reconhecimento — é a pulseira que virou nome genérico da categoria. A 11 mantém a liderança pelo caminho mais seguro: não inventar, refinar.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a Mi Band 11 é o produto de tecnologia mais democrático do ano. "Por R$ 227 na China — R$ 400 aqui —, qualquer pessoa tem no pulso monitoramento de coração, oxigênio, sono com IA, notificações e três semanas sem tomada. Isso era exclusivo de relógio de R$ 3 mil há cinco anos. A Xiaomi não faz o melhor wearable; faz o que mais gente consegue comprar e usar. No Brasil, onde o SUS não tem como monitorar hipertenso em casa, uma pulseira de R$ 400 que mede batimento todo dia é ferramenta de saúde pública que ninguém planejou. A 11 é mais uma geração disso", analisa.
A Xiaomi Mi Band 11 foi apresentada em 4 de setembro de 2026 e está em pré-venda na China a partir de 289 yuans. Não há data de lançamento no Brasil.
Foto: KKPCW (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons.